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acropolis · Acrópolis

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Re: [Acrópolis] John,_os_fracos_do_Nietzsche p2   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #10954 de 118678 < Ant |
Olá professor,

A possibilidade de perfeição quer dizer a capacidade de rumar a ela, o que
não quer dizer que esta possibilidade se concretizará, entendeu?

----- Original Message -----
From: "Prof. José Carlos" <j.c@...>
To: <acropolis@...>
Sent: Tuesday, March 12, 2002 3:58 PM
Subject: Re: [Acrópolis] John,_os_fracos_do_Nietzsche p2


> Pois é John, onde você viu a possibilidade da perfeição?
>
> Abraços,
>
> ____________________
> Prof. José Carlos (JC)
> j.c@...
> ICQ 11734153
> ____________________
>
>
> ----- Original Message -----
> From: "John Constantine" <jconstan@...>
> To: <acropolis@...>
> Sent: Tuesday, March 12, 2002 10:35 AM
> Subject: Re: [Acrópolis] John,_os_fracos_do_Nietzsche p2
>
>
> > Olá,
> >
> > Se perfectibilidade fosse perfeição seriam sinônimos.
> >
> > Perfectibilidade é a possibilidade de perfeição, assim como
> corruptibilidade
> > é a possibilidade de corrupção e assim por diante.
> >
> >
> > ----- Original Message -----
> > From: "Prof. José Carlos" <j.c@...>
> > To: <acropolis@...>
> > Sent: Monday, March 11, 2002 6:55 PM
> > Subject: Re: [Acrópolis] John,_os_fracos_do_Nietzsche p2
> >
> >
> > > Não gostei dessa definição John. Perfectibilidade me soa à perfeição,
à
> > > completude, à ausência de acréscimos possíveis e não "à capacidade de
> > > aprender e se adequar às novas situações".
> > >
> > > Abraços,
> > >
> > > ____________________
> > > Prof. José Carlos (JC)
> > > j.c@...
> > > ICQ 11734153
> > > ____________________
> > >
> > >
> > > ----- Original Message -----
> > > From: "John Constantine" <jconstan@...>
> > > To: <acropolis@...>
> > > Sent: Monday, March 11, 2002 3:28 PM
> > > Subject: Re: [Acrópolis] John,_os_fracos_do_Nietzsche p2
> > >
> > >
> > > > Olá Cláudia,
> > > >
> > > > Perfectibilidade humana é a capacidade que têm os homens de sempre
> > > > aprenderem e se adequarem às situações, de forma cada vez mais
próxima
> > da
> > > > perfeição.
> > > >
> > > > É um termo que me foi apresentado pela primeira vez pelo prof.
Gabriel
> > > > Perissé, aqui nesta lista, tempos atrás. Para ele é a capacidade
> humana
> > de
> > > > sempre melhorar.
> > > >
> > > > JC: > > O fato de eu não conhecer chineses faz com que o
> > > > > > bilhão e tanto de pessoas daquele país não existam?
> > > > >
> > > > C: claro que não, mas o que isso tem a ver com se
> > > > > importar consigo?
> > > >
> > > > JC: É um ponto fundamental em uma discussão sobre a influência da
> > > > consciência na realidade. Se os chineses estão lá mesmo que eu os
> > ignore,
> > > > significa que existem de forma independente da consciência que tenho
> > > deles.
> > > > Daí se conclui facilmente que as minhas impressões (interpretações,
> > > > leituras, etc) deles em nada muda a sua existência (existir, ser).
> > > >
> > > >
> > > > JC: > > Em outras palavras, não importa o que
> > > > > > se pense (em juízo de valor ou de realidade), o
> > > > > > pensamento não altera a realidade. Por isso não me
> > > > > > importo com a minha existência.
> > > > >
> > > > C: > Há uma esfera exotérica que pensa diferente, mas não
> > > > > vamos pra esse lado.
> > > >
> > > > JC: Ainda bem.
> > > >
> > > >
> > > > C: Repetindo a velha discussão: Atos alteram a realidade.
> > > >
> > > > JC: E?
> > > >
> > > > C: Mas como agir se você não se importa nem se preocupa?
> > > > > Vai ficar ao sabor do acaso?
> > > >
> > > > JC: Isto não tem muito a ver com a colocação inicial contida no
> > parágrafo
> > > > que você citou. Aquele parágrafo foi escrito no meio de uma outra
> > mensagem
> > > e
> > > > contém uma auto-referência irônica que só é perceptível naquele
> > contexto.
> > > > Não vamos muito longe desta forma.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > JC: Não sei como é que você fez a ligação entre aquele
> > > > > > parágrafo e o Niet.
> > > > C: Foi assim: Niet valoriza o indivíduo. Você não se
> > > > > importa nem se preocupa com sua existência, com o que
> > > > > você é ou o que pode vir a ser. Você não sabe nem se
> > > > > descrever. Conclui que você não se preocupa com sua
> > > > > individualidade.
> > > >
> > > > JC: Uma conclusão equivocada, porque parte de uma premissa que eu
> mesmo
> > > não
> > > > apresentie naquele parágrafo. Creio que você se apegou a entrelinhas
> > > > inexistentes. De toda forma, você conclui algo logicamente
impossível.
> > > > Estava me referindo à epistemologia, existir no sentido do "ser", de
> > > > "existir" mesmo, não em outro qualquer.
> > > >
> > > >
> > > > C: Se estiver errada, por favor me
> > > > > explique como alguém pode se preocupar com sua
> > > > > individualidade sem se preocupar e se importar
> > > > > consigo.
> > > >
> > > > JC: O que você entende por individualidade? E individualismo? E
> > indvíduo?
> > > >
> > > >
> > > > JC: > > Em outras palavras, Niet entende que cada um deve
> > > > > > construir sua própria tábua de valores, o que
> > > > > > não quer dizer apenas escolher entre os muitos
> > > > > > valores encontrados na sociedade, mas
> > > > > verdadeiramente
> > > > > > construir os seus valores.
> > > > >
> > > > C: Não entendo muito bem o que você quis dizer aqui. Mas
> > > > > sempre partimos de algo já pronto, não?
> > > >
> > > > JC: De certa forma sim, mas o Niet afirmava que era preciso romper
com
> > > toda
> > > > tradição. Não creio que seja impossível se desconsiderarmos as
> > influências
> > > > ambientais.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > JC: > > Desta forma, se alguém decide conscientemente que o
> > > > > > grande valor a se seguir é comer muito,
> > > > > > então será um forte, dado que não seguirá valores
> > > > > > alheios, mas os próprios valores, o que só se dá
> > > > > > quando se abre mão do conforto fácil da aceitação
> > > > > > social, do grupo, do coletivismo.
> > > > >
> > > > C: e como alguém sabe ou escolhe quais são seus valores
> > > > > se não se conhece e não dá valor a si?
> > > >
> > > > JC: O que você entende por valor? No caso citei a palavra como
> sinônimo
> > de
> > > > "princípio moral", não como valor de uso.
> > > >
> > > >
> > > > JC: > > Sinceramente, não entendo muito que seja um fraco
> > > > > > para Niet. Parece que fraco são os que se arvoram na
> > > > > > moral, no coletivismo como forma de viver a
> > > > > > vida, pois isto significa abrir mão de si mesmo, da
> > > > > > arte da guerra, do desafio, de todas as coisas que
> > > > > > tornaram o homem o rei da natureza
> > > > > > (expressão meramente literária, por favor).
> > > > >
> > > > C: Se é assim, o forte é quem não abre mão de si mesmo,
> > > > > nem da arte da guerra, do desafio e de todas as coisas
> > > > > que o tornam rei.
> > > >
> > > > JC: Basicamente.
> > > >
> > > > > Como alguém pode ser forte sem se importar consigo,
> > > > > sem se conhecer?
> > > >
> > > > JC: Possuindo todos os atributos de um forte? Bem, Niet mesmo não
> tinha
> > lá
> > > > muita consideração pelo "conhece-te a ti mesmo" de Sócrates, de onde
> se
> > > > conclui que, para ele, este autoconhecimento não era necessário a um
> > > forte.
> > > > Pelo que lembro Niet entendia que os fortes não precisam conhecer a
si
> > > > mesmos, apenas ser o que são, agir da maneira que devem agir segundo
> sua
> > > > natureza.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > C:> > Por que você decidiu abdicar de preocupar-se
> > > > > consigo?
> > > > > >
> > > > > > JC: Por uma questão epistemológica, como já
> > > > > > explicado.
> > > > >
> > > > C: isso é muito absurdo.
> > > >
> > > > JC: Parece-me muito simples, mas não vou me repetir.
> > > >
> > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > C: Sua vida tem sabor?
> > > > JC: Nunca consegui meter a língua na minha vida
> > > > > > toda, então desconheço qual seja o seu sabor.
> > > > > > Dá para comer a vida?
> > > > >
> > > > C: Não sei se dá pra comer, sei que dá pra sentir-se
> > > > > saboreando a vida. Você já teve essa sensação?
> > > > >
> > > > >
> > > > > > C: Você já quis ter uma vida diferente?
> > > > > > JC:? Ave Nostra, como é que se sai de Niet a isto?
> > > > > simples: vontade de potência.
> > > >
> > > > JC: Este é um concito que não me é familiar, mas não creio que
> explique
> > > tal
> > > > associação.
> > > >
> > > > > > Já.
> > > > C: Você ainda quer ter uma vida diferente? Se sim, faz
> > > > > alguma coisa nessa direção?
> > > >
> > > > JC: Você já percebeu o tremendo problema de ordem prática implícito
na
> > sua
> > > > colocação?
> > > >
> > > > > > JC: Não adiantaria nada. E não estou respondendo
> > > > > > nada pessoal.
> > > > > Como não? Não está falando das suas escolhas, dos seus
> > > > > princípios, isso não é pessoal?
> > > >
> > > > JC: Pelo que consta, estou só argumentando a partir de suas
> colocações.
> > > > >
> > > > >
> > > > JC: Sobre perguntas pessoais devemos nos ater a
> > > > > perguntas
> > > > > > sobre sopa. Assista Encontrando Forrest e você
> > > > > > entenderá do que falo.
> > > >
> > > > C: por que você é contra falar-se sobre coisas pessoais,
> > > > > ou melhor, mais evidentemente pessoais? Quem um
> > > > > escritor ermitão defenda isso eu entendo. Já você, não
> > > > > sei o que pensar.
> > > >
> > > > JC: Porque o que não interessa a todos não deve ser público.
> > > > >
> > > > >
> > > > > > JC: Por isso não. Creio que você já pode se
> > > > > > considerar humn, como é que se diz mesmo?
> > > > > "realizada"?
> > > > >
> > > > C: ainda não.
> > > > >
> > > > JC: > Bem, é isto. Suas perguntas
> > > > > > não são aparentemente
> > > > > > esdrúxulas, são realmente esdruxúlas.
> > > >
> > > > C: me explica porque.
> > > >
> > > > JC: Porque e só porque partem de uma consideração epistemológica
para
> > > tecer
> > > > comentários mais afeitos à psicologia.
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Ter, 12 de Mar de 2002 7:10 pm

john_constan...
Offline Offline
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Mensagem #10954 de 118678 < Ant |
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Olá professor, A possibilidade de perfeição quer dizer a capacidade de rumar a ela, o que não quer dizer que esta possibilidade se concretizará, entendeu?...
John Constantine
john_constan... Offline Enviar e-mail
12 de Mar de 2002
7:07 pm

Ah bom! Pensei que você havia dito existir uma perfeição a ser buscada e que a perfectibilidade era a característica que nos permitiria chegar a essa ...
Prof. José Carlos
jczinho Offline Enviar e-mail
12 de Mar de 2002
9:03 pm

Olá, Bem, faltou explicar melhor que tudo isto só faz sentido se se age com base em um conjunto de valores previamente existentes. Melhor assim, né? ... ...
John Constantine
john_constan... Offline Enviar e-mail
12 de Mar de 2002
9:06 pm

Oi John, Bem melhor assim :))) Por outro lado, e pensando bem, o que há de novo nessa conversa então? Sei lá, quase sempre construimos sobre alicercerces...
Prof. José Carlos
jczinho Offline Enviar e-mail
13 de Mar de 2002
4:29 pm
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