não gosto do ritual da apresentação, é talvez dos poucos rituais de
que não gosto mesmo. a idade é uma sequência sem
consequência. o lugar em que se vive, uma circunstância. e por aí
fora. sendo que aquilo em que me revejo são mesmo as ideias, de
preferência as novas ideias, aquilo que ainda se aprende, resta-me
dizer que me chamo alexandra e que, duvidando seriamente que
possam aprender comigo, seguramente vou aprender muito
convosco (a porta estava aberta e ouvi uma pequena parte do que
disseram, antes de me decidir a entrar).
abraço.
alexandra
Um novo site que me parece mutissimo interessante.
Como "amostra", vejam "Recordar Henri Bergson", em:
http://www.todososlivros.pt/ficha.php3?id=83
...e depois visitem o resto! :-)
Cristina
-----------------
Cristina Moreno
mcom@...
Ola todos,
A resposta aqui vai abaixo entre as lignas.
> Date: Tue, 02 May 2000 16:13:07 +0100
> From: "A. Gomes" <a.r.gomes@...>
> Subject: Re: Apresentação
>
> 1. Não têm que ser discussões. Pode ser simplesmente troca de
> informações/ideias/experiências/...
Claro.
> 2. A temática da lista é do âmbito da filosofia, entendendo esta num
> sentido muito lato [os problemas/valores/ideias/... que nos orientam (e
> desorientam) a vida] e/ou muito restrito [o escolar: para ajuda num
> trabalhito, numa bibliografia, ...].
Mas que tipo de filosofia ? Uma filosofia pessoal ou mais geral. Quer dizer
que cada um filosofia sobre a sua vida ou quê ?
> Aquele abraço (lusitano de Portugal).
Também és português ? Cumprimentos.
Tchau
Frederico.
At 18:54 03-05-2000 +0100, henrique wrote:
>Eu não li nada de Paulo Coelho
E não me parece que tenhas perdido grande coisa. Salvo melhor opinião (que
eu volto a pedir aos restantes elementos da lista. Sobretudo porque...
gostava de gostar do senhor -- ;-))
>mas li Jorge Amado e Vinicius que olham para
>a religiosidade brasileira como algo onde se vê a alma do povo. Faz parte de
>uma espécie de intra-história, um termo que encontrei em Unamuno e que
>representa algo de parecido com o inconsciente colectivo que define o
>carácter de um povo (e onde se deve procurar o seu destino).
... o inconsciente colectivo de Jung? Aquele que PC identifica, no Prefácio
a "O Alquimista", com a Alma do Mundo!? ;-))
A. Gomes - Viseu
***********************
Mailing list "PortAberta". Em
http://www.egroups.com/group/PortAberta
Meu nome é Danielle Vasconcelos. Já há algum tempo eu venho acompanhando as discussões colocadas em *PortAberta*.
Um e-mail de A. Gomes encorajou-me a escrever, solicitando a ajuda de vocês, assinantes.
Eu estou a preparar um trabalho sobre "A Filosofia no Romantismo" e gostaria de receber alguma sugestão de Bibliografias interessantes conhecidas por vocês.
At 23:47 28-04-2000 +0200, Frédéric R.gUi4= wrote:
>Ola sou Frederico. Tenho 28 anos e moro em França na "Côte d'Azur".
Olá, Frederico. Benvindo (bem-vindo, se preferires).
>Não percebi qual é o tipo de discussões que vocês abordam. Por isso me >expliquém.
Vou tentar. 1. Não têm que ser discussões. Pode ser simplesmente troca de informações/ideias/experiências/... 2. A temática da lista é do âmbito da filosofia, entendendo esta num sentido muito lato [os problemas/valores/ideias/... que nos orientam (e desorientam) a vida] e/ou muito restrito [o escolar: para ajuda num trabalhito, numa bibliografia, ...]. 3. De qualquer modo, esta coisa da filosofia... dá para tudo (ou para nada?), dependendo mais da perspectiva do que da temática. Um exemplo tirado do âmbito da economia -- o da questão dos salários moralmente/eticamente abordada: serão justas as diferenças de salário? Se quiseres, outro: quais os pressupostos subjacentes à tua pergunta/afirmação seguinte: >Ouvi falar que em Portugal não hà cultura, num email. Não sei se Portugal >tém >cultura mas pelo que sei, portugueses não usam muito internet, pelo menos, >não usam listas. Não sei se é porque os portugueses ficaram com saudades da >Idade Média.
>Também gostaria de saber se hà muitos portugueses na lista.
Eu não sei. Se todos os elementos fizessem uma (breve) apresentação ou, pelo menos, acrescentassem o nome no endereço www da lista, talvez fosse possível responder. De qualquer modo, o português é língua dominante (e sou levado a crer que a maioria dos elementos será brasileira).
Aquele abraço (lusitano de Portugal).
A. Gomes - Viseu *********************** Mailing list "PortAberta". Em
"Sem assunto"???
What's this? A joke?!
José d'A-S
(not my artistic name)
*OperaBass*musicologist
*philosopher*poet*heptaglot
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From: Miriam Bruno <mbruno@...>
To: <portaberta@egroups.com>
Sent: Quinta-feira, 4 de Maio de 2000 12:11
Subject: [PortAberta] (sem assunto)
>
>
>
> ------------------------------------------------------------------------
> You have a voice mail message waiting for you at iHello.com:
> http://click.egroups.com/1/3555/3/_/_/_/957438087/
> ------------------------------------------------------------------------
>
> To unsubscribe from this group, send an email to:
> PortAberta-unsubscribe@egroups.com
>
>
>
>
----- Original Message -----
From: Conceição Carvalho <saoc58@...>
To: <PortAberta@egroups.com>
Sent: Wednesday, May 03, 2000 7:45 PM
Subject: Re: [PortAberta] Mitos/ritos modernos... e Paulo Coelho
> Pelo que posso ler, o paradoxo, se o há, é que em ambas as afirmações, o
que
> está subjacente, de facto, é a ideia de Deus, afirmada ou negada, mas
presente.
>
> A ignorância:) da sua existência talvez seja mais radical.
>
>
Mas, neste caso, a ignorância é uma tremenda impossibilidade.
Henrique Jorge
Pelo que posso ler, o paradoxo, se o há, é que em ambas as afirmações, o que
está subjacente, de facto, é a ideia de Deus, afirmada ou negada, mas presente.
A ignorância:) da sua existência talvez seja mais radical.
henrique wrote:
> > At 23:42 02-05-2000 +0100, henrique wrote:
> >
> > >Eu passei anos a pensar neste assunto. Até que, a certa altura, decidi o
> > >seguinte: Deus existe... Pronto!... Ou então - se preferirem - Deus não
> > >existe. Tanto faz!... É a mesma coisa.
> > >E os rituais?... Os rituais, numa primeira fase, há que respeitá-los,
> desde
> > >que nos agradem e confortem a alma (?). Depois há que acreditar neles.
> Santo
> > >António é um santo simpático e democrático. Faz aparecer objectos
> perdidos e
> > >é casamenteiro. Pronto!...
> >
> > Por este andar, não tarda estarás a escrever romances do estilo Paulo
> > Coelho ;-))))
> >
> >
>
> Eu não li nada de Paulo Coelho, mas li Jorge Amado e Vinicius que olham para
> a religiosidade brasileira como algo onde se vê a alma do povo. Faz parte de
> uma espécie de intra-história, um termo que encontrei em Unamuno e que
> representa algo de parecido com o inconsciente colectivo que define o
> carácter de um povo (e onde se deve procurar o seu destino).
> Eu exagerei na forma como escrevi a anterior mensagem, mas houve uma coisa
> que disse, que é muito séria: foi o "Deus existe!... ou - se preferirem -
> Deus não existe!... É a mesma coisa." Não sei se me consigo explicar com
> este aparente paradoxo.
>
> Henrique Jorge
>
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> Shower mom with love & roses!
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> To unsubscribe from this group, send an email to:
> PortAberta-unsubscribe@egroups.com
> At 23:42 02-05-2000 +0100, henrique wrote:
>
> >Eu passei anos a pensar neste assunto. Até que, a certa altura, decidi o
> >seguinte: Deus existe... Pronto!... Ou então - se preferirem - Deus não
> >existe. Tanto faz!... É a mesma coisa.
> >E os rituais?... Os rituais, numa primeira fase, há que respeitá-los,
desde
> >que nos agradem e confortem a alma (?). Depois há que acreditar neles.
Santo
> >António é um santo simpático e democrático. Faz aparecer objectos
perdidos e
> >é casamenteiro. Pronto!...
>
> Por este andar, não tarda estarás a escrever romances do estilo Paulo
> Coelho ;-))))
>
>
Eu não li nada de Paulo Coelho, mas li Jorge Amado e Vinicius que olham para
a religiosidade brasileira como algo onde se vê a alma do povo. Faz parte de
uma espécie de intra-história, um termo que encontrei em Unamuno e que
representa algo de parecido com o inconsciente colectivo que define o
carácter de um povo (e onde se deve procurar o seu destino).
Eu exagerei na forma como escrevi a anterior mensagem, mas houve uma coisa
que disse, que é muito séria: foi o "Deus existe!... ou - se preferirem -
Deus não existe!... É a mesma coisa." Não sei se me consigo explicar com
este aparente paradoxo.
Henrique Jorge
At 23:42 02-05-2000 +0100, henrique wrote:
>Eu passei anos a pensar neste assunto. Até que, a certa altura, decidi o
>seguinte: Deus existe... Pronto!... Ou então - se preferirem - Deus não
>existe. Tanto faz!... É a mesma coisa.
>E os rituais?... Os rituais, numa primeira fase, há que respeitá-los, desde
>que nos agradem e confortem a alma (?). Depois há que acreditar neles. Santo
>António é um santo simpático e democrático. Faz aparecer objectos perdidos e
>é casamenteiro. Pronto!...
Por este andar, não tarda estarás a escrever romances do estilo Paulo
Coelho ;-))))
[A minha observação é ocasionada pelo facto de ter sido "obrigado" por
razões "afectivas" a ler "O Alquimista" (que me foi oferecido por pessoa
muito amiga, para quem o livro é super). Há tempos fiquei surpreendido com
o êxito que o escritor tem em Espanha e, a crer no que se lê na contracapa
do referido romance, segundo a revista francesa "Lire" PC foi, em 1998, o
2º escritor mais lido a nível mundial.
Gostava de saber como é que o senhor é visto no Brasil e se na lista há
algum fã... que explique tal êxito].
Um abraço.
A. Gomes - Viseu
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Mailing list "PortAberta". Em
http://www.egroups.com/group/PortAberta
Permito-me chamar a atenção para o "Ciclo Descartes" -- 3 programas para o
retrato de um dos mais importantes filósofos de todos os tempos.
Na Antena 2, sábados 6, 13 e 20 de Maio às 16.40h.
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From: A. Gomes <a.r.gomes@...>
To: <PortAberta@egroups.com>; <PortAberta@egroups.com>
Sent: Tuesday, May 02, 2000 4:57 PM
Subject: [PortAberta] Mitos e ritos... modernos
> At 23:16 27-04-2000 -0300, Fedra Simões wrote:
>
> >por mais que a humanidade avance em termos culturais/científicos, o seu
> temor/reverência ao desconhecido faz com que ela permaneça enraizada em
> rituais.
> >
>
> O temor/reverência tb me parece ser uma das origens dos mitos/rituais
> ("antigos
> e modernos"). Mas não serão eles indispensáveis à sobrevivência da própria
> sociedade, (in)dependentemente do temor?
>
Eu passei anos a pensar neste assunto. Até que, a certa altura, decidi o
seguinte: Deus existe... Pronto!... Ou então - se preferirem - Deus não
existe. Tanto faz!... É a mesma coisa.
E os rituais?... Os rituais, numa primeira fase, há que respeitá-los, desde
que nos agradem e confortem a alma (?). Depois há que acreditar neles. Santo
António é um santo simpático e democrático. Faz aparecer objectos perdidos e
é casamenteiro. Pronto!... Santo António é santo da minha simpatia. Não foi
mais ou menos isto que fez Vinicius de Morais e Jorge Amado?... Não é tão
giro pensar em Santa Bárbara quando há trovões?... É uma estupidez - dirão
alguns -, é uma consolação direi eu. Porque é que não hei-de acreditar nos
efeitos protectores de S. Martinho ou de S. Geraldo? Eu gostava que
pensassem porque é que os jogadores de futebol fazem gestos esquisitos antes
de entrar em campo. Se falarem com eles, acham que eles vão dizer que
acreditam que se apanharem um bocadinho de relva e meterem na boca o jogo
vai correr-lhes bem?... Mas são capazes de fazer isso e muito mais.
Eu levo estas coisas de ânimo leve e com o máximo de alegria que me é
possível, porque me parece que essa é uma forma simpática de não abdicar da
minha humanidade: de exibir os meus medos, sem pensar que são irracionais ou
estúpidos; de ser eu próprio sem ter receio de que isso seja impróprio; de
exorcisar os meus próprios temores e de olhar para o mundo sem o ar
distraído que me parece que têm todos os racionalistas urbanos, crentes num
deus que tem uma fórmula química complexa e mal cheirosa. Porque é que
hei-de andar atrás do mito do bife com batatas fritas se me dá mais gozo
beber vinho tinto bom e comer chouriço assado ou cozido à portuguesa (o que
é outro mito, tão respeitável como o primeiro)?... Sobretudo, porque é que
hei-de dizer a alguém que o seu mito é pouco inteligente ou, até,
irracional, e propor-lhe outro mito que apenas é mais actual ou mais na
moda?.... "Terra à terra" ou "Herois do Mar" é o que estou a curtir agora.
Apetece-me acreditar em Deus hoje, acreditar no poder dos santos amanhã, nas
rezas a Santa Leucádia depois, etc.. Que diferença existe entre acreditar
nisto ou acreditar que isto não é verdadeiro?... Qual é o papel do mito,
afinal de contas?... Já pensei que era mais inteligente manter-me acima
disto tudo e teorizar sobre o assunto (que foi a atitude de Roland Barthes)
, mas cheguei à conclusão que era a mesma coisa.
Henrique Jorge
P.S. Mas isto não é nada fácil.
At 23:16 27-04-2000 -0300, Fedra Simões wrote:
>por mais que a humanidade avance em termos culturais/científicos, o seu
temor/reverência ao desconhecido faz com que ela permaneça enraizada em
rituais.
>
O temor/reverência tb me parece ser uma das origens dos mitos/rituais
("antigos
e modernos"). Mas não serão eles indispensáveis à sobrevivência da própria
sociedade, (in)dependentemente do temor?
Talvez tenhamos uma visão muito restritiva (exclusivamente religiosa) desta
questão. Mas, basta analisar o índice de obras como "Mythologie de notre
temps"
(de Alfred Sauvy) ou "Mitologias" (de Barthes) para nos apercebermos do
carácter (semi)inconsciente de muitos dos *nossos* mitos/ritos. Recordo-me da
minha surpresa ao "descobrir" em "Mitologias" mitos como... o do bife com
batatas fritas. E, num espírito muito provinciano talvez, sentir-me incomodado
por, na lisboeta "Portugália", comer o "obrigatório" bife sem beber a
"obrigatória" cerveja (substituída pelo vinho): parece que há algo no ritual
que falha...
A. Gomes - Viseu
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Mailing list "PortAberta". Em
http://www.egroups.com/group/PortAberta
At 23:47 28-04-2000 +0200, Frédéric R.gUi4= wrote:
>Ola sou Frederico. Tenho 28 anos e moro em França na "Côte d'Azur".
Olá, Frederico. Benvindo (bem-vindo, se preferires).
>Não percebi qual é o tipo de discussões que vocês abordam. Por isso me
>expliquém.
Vou tentar.
1. Não têm que ser discussões. Pode ser simplesmente troca de
informações/ideias/experiências/...
2. A temática da lista é do âmbito da filosofia, entendendo esta num
sentido muito lato [os problemas/valores/ideias/... que nos orientam (e
desorientam) a vida] e/ou muito restrito [o escolar: para ajuda num
trabalhito, numa bibliografia, ...].
3. De qualquer modo, esta coisa da filosofia... dá para tudo (ou para
nada?), dependendo mais da perspectiva do que da temática. Um exemplo
tirado do âmbito da economia -- o da questão dos salários
moralmente/eticamente abordada: serão justas as diferenças de salário? Se
quiseres, outro: quais os pressupostos subjacentes à tua pergunta/afirmação
seguinte:
>Ouvi falar que em Portugal não hà cultura, num email. Não sei se Portugal
>tém
>cultura mas pelo que sei, portugueses não usam muito internet, pelo menos,
>não usam listas. Não sei se é porque os portugueses ficaram com saudades da
>Idade Média.
>Também gostaria de saber se hà muitos portugueses na lista.
Eu não sei. Se todos os elementos fizessem uma (breve) apresentação ou,
pelo menos, acrescentassem o nome no endereço www da lista, talvez fosse
possível responder. De qualquer modo, o português é língua dominante (e sou
levado a crer que a maioria dos elementos será brasileira).
Aquele abraço (lusitano de Portugal).
A. Gomes - Viseu
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Mailing list "PortAberta". Em
http://www.egroups.com/group/PortAberta
Ola sou Frederico. Tenho 28 anos e moro em França na "Côte d'Azur". Hà algum
tempo tentei criar uma lista para portugueses emigrantes mas não deu
nadinha. Depois tentei procurar listas de discussões em português no antigo
onelist mas também so encontrei listas brazileiras de piadas e essas coisas.
Ouvi falar que em Portugal não hà cultura, num email. Não sei se Portugal
tém
cultura mas pelo que sei, portugueses não usam muito internet, pelo menos,
não usam listas. Não sei se é porque os portugueses ficaram com saudades da
Idade Média.
O meu objectivo é fomentar discussões em português que é o meu idioma
biologico.
Não percebi qual é o tipo de discussões que vocês abordam. Por isso me
expliquém.
Também gostaria de saber se hà muitos portugueses na lista.
Tchau
Frederico.
PS : Desculpém pelos acentos mas o meu teclado é azerty e não permite
todos os acentos.
Claro que é politeísta. Mas eu não vejo este assunto como tema de crítica do género esta religião é melhor do que aquela. Estava a tentar analisar o fenómeno religioso em si - como fenómeno humano - e a tentar tirar conclusões sobre o Homerm, mas sem juizos de valor (de bom ou mau). Nem me parece correcto que se faça isso, na medida emq ue a religião não é um processo elaborado racionalmente e, por isso, não é nada que possa ser mudado assim do pé para a mão.
Em nenhum momento tive a intenção de dizer que tal ou qual religião é melhor que as demais. O que pretendi ressaltar foi o fato de , por mais que a humanidade avance em termos culturais/científicos, o seu temor/reverência ao desconhecido faz com que ela permaneça enraizada em rituais. Assim, enquanto estamos aqui nos comunicando via web, há alguém acendendo velas ou dançando para as divindades.
Agora, não entendas estes comentários como juízo de valor.
Outro dia, conversando com um senhor amigo meu, um advogado, ele me falava justamente sobre a falta que certos rituais fizeram na família dele. Ele foi um homem jovem na década de 60( uma década particularmente complicada aqui no Brasil devido à ditadura). Naquela época, como todo rebelde que se preza, ele quis ser moderno, ser contra os conservadores. E assim ele se recusou a vivenciar muitos rituais e celebrações em família. Hoje ele me diz que falta um traço cultural, um fio condutor que os faça permanecer ligados. Este é um dos papéis dos rituais.
>
>
> ...mas a partir de hoje está no dicionário mais completo ;-)
>
> quero dizer, no Lexicon do Canto (com o texto completo na secção "Com
Prazo de
> Validade"). Em
>
>
<http://www.terravista.pt/ancora/2254/lexh.htm#Hierofania>http://www.terrav
> ista.pt/ancora/2254/lexh.htm#Hierofania
>
> Abraço.
>
>
Merci!... É o que eu pensava e a confusão foi temporária.
Henrique Jorge
At 13:20 24-04-2000 +0100, henrique wrote:
>Podes explicar melhor esta questão do regresso à natureza, a invasão das
>praias e os desportos em ambiente natural. Não entendi bem. É que o fenómeno
>dos movimentos ecológicos sugere-me uma nostalgia da natureza e, por isso,
>um Homem perturbado pelo artificialismo urbano, mas não estou a perceber o
>seu enquadramento no mito do eterno retorno.
Mas o mito do eterno retorno (parente/equivalente do mito dos bons velhos
tempos) é companheiro dessa nostalgia do tempo primitivo (de que a natureza
é uma variação), na medida em que supõe o retorno às origens. O essencial
do mito capta-se numa concepção circular do tempo (característica das
estações -- a que fazias referência na tua mensagem -- e característica das
religiões), antagónica da concepção progressiva/linear (característica das
"civilizações/culturas científicas/industriais"). Ciclicamente regressa a
Primavera (e, com ela, a renovação -- em termos "primitivos", a re-criação
-- do Mundo), ciclicamente a Redençao/Ressurreição (e o regresso ao estado
primitivo de graça: lembro que é dever de todo o católico confessar-se e
comungar pelo menos uma vez no ano -- na Páscoa da Ressurreição).
É curioso verificar a existência de manifestações desse mito em inúmeras
culturas: associo, por ex., à idade do ouro romana, os textos bucólicos de
Virgílio; no Cristianismo, ao Paraíso, a Redenção; na Reforma, o regresso à
Igreja primitiva; etc., etc.. Nas sociedades urbanas, têm semelhante
significado os desportos na neve, as idas à praia (e o contacto quase
directo -- ou directo -- com a água, o sol, a areia/terra-mãe...), etc.. O
mito permanece, na afirmação da "verdadeira vida", da "autêntica natureza",
fora dos fumos industriais...
ps: não pretendo, obviamente, explicar a explosão do fenómeno das praias
que é, claro, muito mais complexo e joga com outros factores.
----------------------------------
A. Gomes - Viseu (Portugal)
a.r.gomes@...http://www.terravista.pt/Ancora/2254
----------------------------------
At 13:49 24-04-2000 +0100, henrique wrote:
>
> Num dos mails anteriores usei a palavra hierofania convencido de que o seu
> significado era o de fenómeno/objecto/local sagrado, mas numa leitura
> posterior fiquei com dúvidas. Dei volta a todos os dicionários que tenho à
> mão, não encontrei a palavra
...mas a partir de hoje está no dicionário mais completo ;-)
quero dizer, no Lexicon do Canto (com o texto completo na secção "Com Prazo de
Validade"). Em
<http://www.terravista.pt/ancora/2254/lexh.htm#Hierofania>http://www.terrav
ista.pt/ancora/2254/lexh.htm#Hierofania
Abraço.
A. Gomes - Viseu
***********************
Mailing list "PortAberta". Em
http://www.egroups.com/group/PortAberta
Num dos mails anteriores usei a palavra hierofania convencido de que o seu significado era o de fenómeno/objecto/local sagrado, mas numa leitura posterior fiquei com dúvidas. Dei volta a todos os dicionários que tenho à mão, não encontrei a palavra e fiquei ainda com mais dúvidas. Haverá alguém que me possa esclarecer ou ajudar a desvendar o significado exacto.
Assistindo ao telejornal ontem, entre as comemorações dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil, vimos alguns rituais relativos à Pascoa. No interior de Sergipe (um dos estados do Brasil) há um grupo de pescadores que amarram lâminas afiadas na ponta de um chicote e ficam se auto-flagelando, chegando mesmo a sangrar. E por aqui são inúmeros os rituais para o santo tal e para a santa qual.Fico decepcionada com a humanidade que se vangloria tanto dos "avanços do novo milênio" e no entanto continua repetindo comportamentos dignos dos homens das cavernas. E mais ainda, fico a pensar, como o catolicismo se diz monoteísta se adora a tantos santos? Se tens problemas na vista pedes para Sta. Luzia, se queres algo urgente pedes para São Expedito, se queres boa colheita pedes a São José...(e em cada pedido destes incluem-se nas "negociações" velas, flores, peças de cera...) Não é na verdade o mesmo politeísmo praticado antes mesmo de Moisés?
Claro que é politeísta. Mas eu não vejo este assunto como tema de crítica do género esta religião é melhor do que aquela. Estava a tentar analisar o fenómeno religioso em si - como fenómeno humano - e a tentar tirar conclusões sobre o Homerm, mas sem juizos de valor (de bom ou mau). Nem me parece correcto que se faça isso, na medida emq ue a religião não é um processo elaborado racionalmente e, por isso, não é nada que possa ser mudado assim do pé para a mão.
>
> Quanto aos rituais da Páscoa... parece-me que os rituais tradicionais
estão a
> ser lançados para o lugar do ridículo com mistura de exótico. Mas
permanece o
> mito em que se suporta (para além do "espírito social" que supõem). E o
mito
> mais visível parece-me ser o do eterno retorno (aqui, com o nome cristão
de
> ressurreição ou pagão de primavera). O mito permanece nas sociedades
> contemporâneas (de onde nasce o desejo do regresso à natureza/origens, que
se
> manifesta, por exemplo, na invasão das praias, nos desportos em "ambiente
> natural" e em todos os rituais dos movimentos ecológicos).
>
>
Podes explicar melhor esta questão do regresso à natureza, a invasão das
praias e os desportos em ambiente natural. Não entendi bem. É que o fenómeno
dos movimentos ecológicos sugere-me uma nostalgia da natureza e, por isso,
um Homem perturbado pelo artificialismo urbano, mas não estou a perceber o
seu enquadramento no mito do eterno retorno. Terei que pensar melhor, mas dá
lá uma dica...
Henrique Jorge
At 22:04 23-04-2000 -0300, Fedra Simões wrote:
>
> No interior de Sergipe (um dos estados do Brasil) há um grupo de pescadores
> que amarram lâminas afiadas na ponta de um chicote e ficam se
> auto-flagelando, chegando mesmo a sangrar.
>
> Não admira... afinal o símbolo do catolicismo não é o crucifixo? Pelo menos
> nesta época da Páscoa, em quantas igrejas o Cristo crucificado é substituído
> pelo Cristo ressuscitado (existem imagens do Cristo ressuscitado?)?
>
> Conheço muito mal as religiões orientais, mas julgo que, sob este aspecto,
> são mais interessantes. Em lugar da ideia (central para o cristianismo) de
> pecado/morte parece-me que domina a de "redenção"/purificação/identificação
> com o universo.
>
A. Gomes - Viseu
***********************
Mailing list "PortAberta". Em
http://www.egroups.com/group/PortAberta
A propósito da Páscoa, a 22:18 23-04-2000 +0100, henrique perguntou:
>
> (...)Será possível ultrapassar estes rituais?... A resposta mais rápida
> aponta para que serão ultrapassados quando a ciência resolver algumas
> incógnitas da natureza. Mas será que é assim?
O fim dos mitos/ritos (e de domínios "afins": a filosofia-não-epistemologia,
por ex.) foi (é ainda talvez, mas cada vez menos) uma ilusão do cientismo
-- do
entusiasmo criado pelo sucesso da ciência. Ilusão porque, no mínimo, eles
sobrevivem encapotados em roupagens científicas/técnicas. O exemplo mais
interessante (porque imediatamente menos óbvio mas que contém todos os
"ingredientes" de um "mito tecnicizado") é o mito dos ovnis. Podem
acrescentar-se-lhe muitos outros rituais profanos (do reino da publicidade, do
sistema da moda, etc.) e muitos outros templos (parece-me que seria
interessante, por exemplo, a análise dos rituais das discotecas "modernas" --
por exemplo, o efeito "hipnotizante" da música-de-martelinhos).
Quanto aos rituais da Páscoa... parece-me que os rituais tradicionais estão a
ser lançados para o lugar do ridículo com mistura de exótico. Mas permanece o
mito em que se suporta (para além do "espírito social" que supõem). E o mito
mais visível parece-me ser o do eterno retorno (aqui, com o nome cristão de
ressurreição ou pagão de primavera). O mito permanece nas sociedades
contemporâneas (de onde nasce o desejo do regresso à natureza/origens, que se
manifesta, por exemplo, na invasão das praias, nos desportos em "ambiente
natural" e em todos os rituais dos movimentos ecológicos).
Em conclusão,
>
> O ritual é uma prática do ser inteligente ou do irracional?...
nb:
>
> Henrique Jorge
> (a escrever sem conhecer quem está do outro lado e à espera que se
> manifestem)
Reconheço que falta, na mensagem de boas-vindas, o convite à apresentação.
Fica
aqui feito!
----------------------------------
A. Gomes - Viseu (Portugal)
a.r.gomes@...http://www.terravista.pt/Ancora/2254
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Assistindo ao telejornal ontem, entre as comemorações dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil, vimos alguns rituais relativos à Pascoa. No interior de Sergipe (um dos estados do Brasil) há um grupo de pescadores que amarram lâminas afiadas na ponta de um chicote e ficam se auto-flagelando, chegando mesmo a sangrar. E por aqui são inúmeros os rituais para o santo tal e para a santa qual.Fico decepcionada com a humanidade que se vangloria tanto dos "avanços do novo milênio" e no entanto continua repetindo comportamentos dignos dos homens das cavernas. E mais ainda, fico a pensar, como o catolicismo se diz monoteísta se adora a tantos santos? Se tens problemas na vista pedes para Sta. Luzia, se queres algo urgente pedes para São Expedito, se queres boa colheita pedes a São José...(e em cada pedido destes incluem-se nas "negociações" velas, flores, peças de cera...) Não é na verdade o mesmo politeísmo praticado antes mesmo de Moisés?
A passagem da Páscoa recordou-me os numerosos rituais humanos próprios da Primavera e, por sugestão do Gomes, decidi-me a lançar a conversa. Como resposta aos votos de uma boa Páscoa, dizia-lhe eu que me preparava para saborear o cordeiro sacrificado e devidamente assado, esperando que esse ritual nos trouxesse boas colheitas em Junho. E acrescentava que o fazia em memória do Cristo ressuscitado, para que eu próprio viesse a ressuscitar dos mortos, tal como a natureza renasce do Inverno. Brincava com a festa da Páscoa, naturalmente, mas fazia-o a pensar na origem destes rituais de Primavera e no significado que tinham para o Ser Humano.
A Páscoa é uma festa religiosa de origem judaica que marcava o êxodo do Egipto e, de certo modo, o renascimento do povo judeu, para uma primavera a caminho da Terra Prometida onde colheria o leite e o mel. Mas a Páscoa do cristianismo acrescentou-lhe o sacrifício de Cristo que ressuscitou três dias depois. A festa da Primavera foi transformada na festa do êxodo que, por sua vez, foi transformada na festa da ressurreição (ou da imortalidade) dos Homens, com a introdução do sacrifício de Cristo. O novo ritual, para além de festa da Primavera, passou a repetir a hierofania da ceia seguida da morte e da ressurreição. A hierofania que "conduzirá à vida eterna". A missa católica repete a distribuição do pão e do vinho, produtos da terra onde são depositados os corpos, que assim reviverão nos vivos que comem esse pão e bebem esse vinho. Por seu lado, esses vivos fazem-no para que os vindouros o repitam e os façam reviver através do vinho e do pão que comerem. É o ritual da imortalidade e nele se pode ver uma parte do próprio Homem.
Mas, estava eu a pensar neste assunto, quando ouvi na rádio que na República Checa, neste domingo (não sei se isso coincide sempre com a Páscoa) os homens saem à rua e açoitam as pernas das mulheres que encontram, com uma pequena vara de vime. Em troca, as mulheres (que, curiosamente, desejam esses açoites) devem oferecer-lhe um ovo cozido e aguardente de ameixa. Outro ritual de fertilidade?... Poderá ser ou não ser, mas o interessante é o poder que ele tem sobre a mente das pessoas. Porque é que aquelas mulheres (98%, segundo a notícia) aceitam e se oferecem para os açoites com grande excitação?
São particularidades do Ser Humano que hoje em dia são tratadas com leviandade, mas que são fundamentais para chegar à compreensão de si próprio. Será possível ultrapassar estes rituais?... A resposta mais rápida aponta para que serão ultrapassados quando a ciência resolver algumas incógnitas da natureza. Mas será que é assim? O ritual é uma prática do ser inteligente ou do irracional?...
É um tema para conversa.
Henrique Jorge
(a escrever sem conhecer quem está do outro lado e à espera que se manifestem)
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A passagem da Páscoa recordou-me os numerosos rituais humanos próprios da Primavera e, por sugestão do Gomes, decidi-me a lançar a conversa. Como resposta aos votos de uma boa Páscoa, dizia-lhe eu que me preparava para saborear o cordeiro sacrificado e devidamente assado, esperando que esse ritual nos trouxesse boas colheitas em Junho. E acrescentava que o fazia em memória do Cristo ressuscitado, para que eu próprio viesse a ressuscitar dos mortos, tal como a natureza renasce do Inverno. Brincava com a festa da Páscoa, naturalmente, mas fazia-o a pensar na origem destes rituais de Primavera e no significado que tinham para o Ser Humano.
A Páscoa é uma festa religiosa de origem judaica que marcava o êxodo do Egipto e, de certo modo, o renascimento do povo judeu, para uma primavera a caminho da Terra Prometida onde colheria o leite e o mel. Mas a Páscoa do cristianismo acrescentou-lhe o sacrifício de Cristo que ressuscitou três dias depois. A festa da Primavera foi transformada na festa do êxodo que, por sua vez, foi transformada na festa da ressurreição (ou da imortalidade) dos Homens, com a introdução do sacrifício de Cristo. O novo ritual, para além de festa da Primavera, passou a repetir a hierofania da ceia seguida da morte e da ressurreição. A hierofania que "conduzirá à vida eterna". A missa católica repete a distribuição do pão e do vinho, produtos da terra onde são depositados os corpos, que assim reviverão nos vivos que comem esse pão e bebem esse vinho. Por seu lado, esses vivos fazem-no para que os vindouros o repitam e os façam reviver através do vinho e do pão que comerem. É o ritual da imortalidade e nele se pode ver uma parte do próprio Homem.
Mas, estava eu a pensar neste assunto, quando ouvi na rádio que na República Checa, neste domingo (não sei se isso coincide sempre com a Páscoa) os homens saem à rua e açoitam as pernas das mulheres que encontram, com uma pequena vara de vime. Em troca, as mulheres (que, curiosamente, desejam esses açoites) devem oferecer-lhe um ovo cozido e aguardente de ameixa. Outro ritual de fertilidade?... Poderá ser ou não ser, mas o interessante é o poder que ele tem sobre a mente das pessoas. Porque é que aquelas mulheres (98%, segundo a notícia) aceitam e se oferecem para os açoites com grande excitação?
São particularidades do Ser Humano que hoje em dia são tratadas com leviandade, mas que são fundamentais para chegar à compreensão de si próprio. Será possível ultrapassar estes rituais?... A resposta mais rápida aponta para que serão ultrapassados quando a ciência resolver algumas incógnitas da natureza. Mas será que é assim? O ritual é uma prática do ser inteligente ou do irracional?...
É um tema para conversa.
Henrique Jorge
(a escrever sem conhecer quem está do outro lado e à espera que se manifestem)
Se não conhece a revista francesa Magazine Littéraire, não sabe o que anda
a perder (filosoficamente falando ;-)).
Cada número tem um tema-forte/dossier. O de Abril é dedicado a Henri
Bergson, "um filósofo do nosso tempo"; o de Março, aos escritores
portugueses (Camões, Eça, Pessoa, Saramago, Lobo Antunes, etc.); o de
Fevereiro, a Jean-Paul Sartre.
Alguns documentos (e algumas imagens) da edição em papel (em Viseu é fácil
encontrá-la -- presumo que no restante território nacional, também; e no
Brasil?) estão online. Em
www.magazine-litteraire.com
A. Gomes - Viseu
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Mailing list "PortAberta". Em
<http://www.egroups.com/group/PortAberta>http://www.egroups.com/group/PortAb
erta
Car@ assinante de PortAberta,
A "filosofia" -- objectivos, modo(s) de inscrição e cancelamento de
inscrição... -- desta lista está enunciada na página web respectiva.
Cumpre-me aqui apenas dar-lhe as boas-vindas, desejar-lhe/nos boas
discussões... e bom proveito do relacionamento com os demais elementos.
Sinta-se em casa!
Aquele abraço.
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A. Gomes - Viseu (Portugal)
a.r.gomes@...http://www.terravista.pt/Ancora/2254
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