O Giovanni, tudo blz?
Obrigado pelo elogio!
Ainda não li os caps 10 e 11 (Conveyor Bel e Intergral Life Practise), mas
já devorei os apêndices... Sinto que realmente falta o 10, pois o 11 posso
dizer que já li praticamente o mesmo conteúdo naquele livrinho que resume a
abordagem do Wilber (Integral Vision).
Pelo pouco que já li (como disse, não lia ainda o 10) sobre o choque
vivenciado pelos adolescentes que entram na faculdade, posso dizer que
concordo com Wilber.
Veja, a modernidade laranja oriental não reprimiu a espiritualidade. Quem a
reprimiu foi a modernidade cartesiana ocidental. Dá para dizer que isso é
uma conseqüência direta e explícita dos reducionismos cartesianos
(grosseiro=otimização das partes gera otimização do todo, ou seja, o que
vale é o quadrante superior esquerdo e sutil =Verdade pode ser encontrada
por meio dos métodos dos quadrantes direitos). E por que a modernidade
ocidental foi tão radical? Por causa da Idade Média e sua repressão, que não
teve paralelo no oriente. Entendo que este radicalismo da modernidade
ocidental produziu o grande avanço tecnológico da do ocidente, ás custas do
desenvolvimento espiritual. O que eu quero dizer é que laranja não significa
não ser espiritual. Todo nível de consciência tende a manifestar a
espiritualidade de alguma forma, mas a maioria dos laranjas ocidentais a
reprimiram. E isso é um sério problema.
Posso dizer isso de cadeira! Estudei em colégio católico desde a 1ª serie
primária até o vestibular. Fiz engenharia na PUC-Rio. Mas quando entrei,
percebi de cara que o fato da faculdade ser católica não significava nada. A
maioria dos professores eram agnósticos ou ateus. E aos poucos, ao ir me
aprofundando nas questões científicas, fui deixando minha espiritualidade
âmbar de lado para substituí-la por nada, ou por uma crença gigantesca na
ciência e ao mesmo tempo uma enorme insegurança perante as questões mais
profundas quando “ a porca torcia o rabo”. Meu resgate espiritual começou
aos 30 (hoje tenho 40), com uma distensão muscular que me levou a praticar
hatha-yoga. Aí pude iniciar minha transição para o verde, mas antes tive de
entender o que estava reprimido e liberar...
Eu vejo como sendo mais polêmicas as questões da sombra e da dicotomia
“states/stages” . Na verdade, são questões que parecem ganhar importância
por serem fundamentais para justificar o modelo que ele propõe. Em certo
momento, sinceramente, comecei a questionar: Será que Ken Wilber se acha
mais desenvolvido (em termos dos estágios do SD, por exemplo) do que Jesus e
Buda? Ele colocou o Dalai Lama numa situação totalmente âmbar / azul,
incapaz de atingir aquilo que ele chama de iluminação (transcender todos os
estados/ níveis). Sei que no fundo o que ele tenta fazer é uma teoria que
rompa com o dualismo (por exemplo, a dicotomia sabedoria x conhecimento
explícito; a dicotomia racional x espiritual, etc..). O modelo dele tenta
abarcar tudo isso. Por isso ele precisou dos pontos de vista interno e
externos em cada quadrante. Por isso ele precisou detonar tanto o ‘myth of
the given’, escrachando autores como Varella, Maturana, Sheldrake, etc...,
para não dizer Thich Nat Han, Chopra, Goleman e o próprio Dalai Lama (Já
habituais saco de pancada dele), entre outros... Aí chegamos ao
Post-Metaphysics... mas a grande questão na minha cabeça é menos a de um
acadêmico (que sou e estou trabalhando no desenvolvimento de uma abordagem
Integral para a Organização ) e mais a de uma meditador e buscador
espiritual: será preciso tudo isso para se iluminar? Acho que preciso ler um
pouco de Frank Visser, he he he!
Abraços
José Vicente
De: Ken-Wilber@... [mailto:Ken-Wilber@...] Em
nome de Giovanni Gigliozzi
Enviada em: sábado, 27 de junho de 2009 18:33
Para: Ken-Wilber@...
Assunto: Re: [Ken Wilber] Integral Spirituality
Oi, Jose Vicente!
Tudo bem contigo?
Li seu email semana passada, mas preferi só responder agora que tenho um
pouco mais de tempo pra desenvolver um diálogo completo. Desde que eu li o
Espiritualidade Integral, uns dois anos atrás, tenho vontade de desenvolver
uma troca de idéias com outros colegas da comunidade integral a respeito
dele. Fiquei contente por você ter levantado essa bola. Parabéns pela
iniciativa...
Sinceramente, não sei por onde começar a análise desse livro, então gostaria
de saber o que você acha. Dentre alguns pontos "novos" que esse livro traz e
que chamam a atenção, temos:
1 - Deslocamento da abordagem Wilber-IV para uma visão pós-metafísica
(Wilber-V). Como consequencia disso, a definição de oito zonas e
metodologias, perfazendo o Pluralismo Metodológico Integral. Para quem ainda
não está familiarizado, as oito zonas são, simplificadamente, os quadro
quadrantes, cada qual vista "de dentro" e "de fora".
2- Outra diferença explícita deste livro é uma importância um pouco maior
para o papel do trabalho com a sombra, a partir da consideração de que "você
pode levar uma sombra até a iluminação". Esta afirmação deriva do ponto
anterior. Segundo Wilber, a meditação é uma visão "de dentro" do quandrante
superior da esquerda (experiencial); e a sombra é algo que se vê a partir de
uma perspectiva "de fora" do quadrante superior esquerdo (pois requer uma
análise de terceira-pessoa dos processos psicodinâmicos).
3 - O último ponto, este que talvez seja o mais polêmico do livro: a
interpretação de que a modernidade laranja reprimiu a linha de
desenvolvimento espiritual, resultando na não-formação de uma autêntica
espiritualidade laranja (o que quer que isso signifique). Resumidamente, a
tese do Wilber é que as religiões têm o poder de ser uma "esteira
transportadora", conduzindo a massa das pessoas em ondas de probabilidade
Âmbar(azul) para o Laranja de forma saudável. Wilber afirma que a situação
atual, em que não existe uma espiritualidade laranja bem estruturada, cria
uma "panela de pressão" entre o âmbar e o laranja - e esta seria a
principal causa do terrorismo.
(Desculpem pelos resumos rápidos e imprecisos. Mas o objetivo é apenas
mostrar um quadro geral antes de adentrarmos em alguma discussão.)
E então, por onde começar?
Abraços!
2009/6/18 José Vicente B. M. Cordeiro <jvbmc@...
<mailto:jvbmc%40terra.com.br> >
>
>
> Pessoal,
>
> Estou finalizando a leitura de Integral Spirituality (IS) e gostaria de
> deixar abaixo algumas impressões sobre o livro:
>
> 1) Engana-se quem afirma que as obras recentes de Wilber são
> repetitivas. IS apresenta uma verdadeira revolução na forma como o modelo
> AQAL é abordado. O encaixe das mais diversas abordagens epistemológicas é
> feito de forma genial, enfatizando visões internas e externas dentro de
> cada
> quadrante;
>
> 2) Com isso, pode-se dizer que Wilber consegue subir mais um degrau
> rumo uma Abordagem Integral que inclua a espiritualidade e seja defensável
> academicamente. Seus argumentos contra os reducionismos modernos e
> pós-modernos são sólidos e rebuscados, bem ao gosto da academia;
>
> 3) Entretanto, para conseguir este feito, Wilber faz alguns ataques não
> polidos às tradições religiosas. Ao meu ver, isso é conseqüência da
> distinção que ele estabeleceu entre Estágios de desenvolvimento (sendo as
> MEMES - ou visões de mundo) a principal linha de desenvolvimento que ele
> utiliza, apesar de combater a briga de Beck e Cowan para resumir nas MEMES
> TODAS as linhas de desenvolvimento) e estados de consciência. Para que o
> modelo desenvolvimentista funcione a contento, o Dalai Lama (e outros
> líderes espirituais) teve de ser enquadrado numa visão de mundo
> sócio-cêntrica, ficando portanto distante daquilo que ele chama de
> iluminação, que seria a pessoa transcender todos os estados e estágios
> disponíveis em determinada época.
>
> Gostaria de abrir um debate com aqueles que também leram o livro. Para mim
> (que já li TOE, The Eye of Spirit, A brief History of everything, Integral
> Psycology, etc..), IS é um dos melhores trabalhos de Wilber e para variar,
> um dos mais polêmicos!
>
> Abrçs
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Atualizado em 27/06/2009
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