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Folha de São Paulo, 26 de janeiro
de 09
Terrorismo sexual
Sexo
correto é o que a pedagoga maníaca por sexo acha que seja correto, e nada mais
QUEM É a favor do ensino religioso? Mesmo quem concorda com o
ensino religioso discorda do conteúdo: ensinar o quê? Deus, orixás, gnomos,
homens-bomba? Outros são contra: religião não é assunto do Estado e da escola,
é assunto da vida privada e familiar -guardem esse argumento na memória porque
voltarei a ele.
Não vou discutir o ensino religioso, mas sim outra questão que me chama a
atenção: a educação sexual nas escolas. Digo logo: sou contra. E mais: acho que
sexo é assunto da vida privada e familiar (usei o mesmo argumento dos
"contra o ensino religioso", como havia prometido, lembram?) e
nenhuma escola ou pedagoga maníaca por sexo deveria entrar nas cabeças das
crianças com suas fantasias travestidas de teorias.
Aliás, quem são os teóricos de confiança? Quem descobriu o sexo correto?
Normalmente, o sexo correto é aquele que a pedagoga maníaca por sexo acha que
seja correto, e nada mais. Tapinha pode?
Claro, no futuro, talvez revoguem a lei contra pedofilia em nome dos
"avanços contra os preconceitos", e a pedofilia também venha a ser
correta. Uma "última lei qualquer" decidirá que as crianças serão
obrigadas a fazer prova sobre como é bonita a pedofilia?
Como ninguém faz uma daquelas campanhas diárias de repúdio à educação sexual
nas escolas? Claro que hoje é mais normal num jantar inteligente você contar
sua vida sexual com seu pastor alemão do que confessar em lágrimas que acredita
em Deus, mas, mesmo assim, como não ver que a educação sexual nas escolas é
ridícula? Ensina-se o quê? Posições? Gemidos? Aparelhos engraçadinhos? Que tal
se meninos e meninas aprendessem a colocar camisinha com a boca?
Neste caso (nos EUA), a intenção da professora seria não fazer distinção de
"gênero"? Daríamos Barbies aos meninos para desenvolver neles o
"gênero feminino"? Espadas para as meninas? E, se você
"gosta" de plantas, tudo bem, porque tudo é natural? Qual teste se
faria para checar o conhecimento da professora? Que tal um "prático"?
Quem atesta a sanidade mental dessa professora? Gente "infeliz" na
vida sexual pode dar aula sobre sexo? Quem seria a "consultora" desta
"infelicidade"?
Aulas de biologia são bem-vindas, é claro. Mas e daí? O que ensinar para uma
menina de dez anos sobre sexo? Usaremos fotos? Espero que as fotos sejam
legais... Melhor deixá-las falar de "quem beijou quem e quem botou a mão
em quem, como e no quê" entre suas amigas nas férias de verão ou no
intervalo das aulas. E os meninos? Vendo revista "Playboy" (ou
similares) escondido. E deixemos a vida correr, como corre há milênios. Digamos
a verdade: quem dá aula de matemática é bom em matemática, quem dá aula de
educação sexual é bom no quê? De novo: posições, gemidos, aparelhos
engraçadinhos, colocar camisinha com carinho, sexo com plantas?
Todo mundo é mal resolvido em sexo (quem diz o contrário mente). Há algo no
sexo que mistura a obviedade do animal com o inefável do ser humano
(romantismo, taras e traumas) que não pode ser reduzido a lição de casa. Sexo
saudável é sexo pelo sexo, sem preconceitos? Conversa fiada, sexo é sempre
"difícil" porque seu "contexto" passa por fantasias,
mentiras, inseguranças e infidelidades. Muito sexo sem afeto é coisa de gente
fracassada
Educação sexual é uma armadilha a serviço de todo tipo de lobby. Vou dar dois
exemplos "opostos" para ficar claro. Primeiro: se os pedagogos
maníacos por sexo fossem tomados de assalto por católicos? Seria matéria de
aula a virgindade até o casamento? E você pai e mãe, que acham esse negócio de
casar virgem muito repressor, concordariam?
Segundo: se o bando da educação sexual fosse de "homoafetivos" e
obrigassem as crianças lerem histórias em quadrinhos onde meninos beijam
meninos? Você, pai e mãe, "heteroafetivos", aceitariam somente porque
o bando em questão acusaria vocês de maioria esmagadora preconceituosa?
Sexo nos seres humanos é erotismo. Uma muçulmana toda coberta pode ser mais
sensual com apenas seu olho à vista do que uma brasileira pelada na praia. Como
"ensinar" essa diferença? Não há educação para tal sutileza. O bando
da educação sexual, que insiste em assaltar as crianças com sua pedagogia
grosseira, define sexo como algo tão "natural quanto ter sede". Mas,
se assim for, sua pedagogia é como obrigar crianças a beber litros de água sem
que tenham sede.
luiz.ponde@...