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Caros Enernautas:
O preço internacional da energia (petróleo e gás) têm
subido nos
últimos 15 meses de uma forma brutal, face aos 15 anos anteriores.
Como a moeda de referência se tem valorizado face às nossas
(escudo e
EURO), temos um duplo encarecimento da energia.
De quem é a culpa?
Dos produtores de petróleo que se aperceberam que os países
ricos
dependiam deles?
Dos países ricos que cada vez consomem mais, esquecendo as medidas
de
racionalização de consumos adoptadas nos anos setenta e primeira
metade de oitenta?
Das taxas sobre os combustíveis que encarecem o produto final
dando
receitas para os países ricos?
O que acontece é que o mercado se apercebeu que o petróleo
está mesmo
a acabar:
Cada nova descoberta de jazidas de petróleo está a uma
profundidade
superior a 3 km, com custos de extracção cada vez mais elevados.
Os países ricos com petróleo (EUA, Inglaterra, Noruega), têm
reservas
muito escassas, inferiores a 10% do total mundial.
A Arábia Saudita tem 1/4 das reservas mundiais.
A manterem-se os consumos actuais, as reservas esgotam-se em 38
anos!!!
Não pensemos que o gás natural é alternativa.
É apenas um remedeio.
O grave nisto tudo é que os países da OPEP sabem isto.
O mais grave ainda é que os nossos governos parecem não saber
ou
tentam ocultar por todos os meios que as suas opiniões públicas
o
saibam.
Os camionistas bloqueiam as estradas porquê?
Porque nos últimos quinze anos se tem apostado forte no transporte
rodoviário de mercadorias e passageiros em vez de se estimular o
transporte ferroviário e marítimo, muito menos consumidores de
energia e menos vulnerável a um ataque simples.
I- O consumo de combustíveis aumenta porquê?
Porque nos últimos 15 anos se tem apostado na promoção do
veículo
individual, com maiores cilindradas e consumos específicos, de que
o
paradigma são os todo-o-terreno urbanos!!! Em Portugal, estes
ainda
têm uma redução de impostos na sua aquisição!!!
II - O consumo de combustíveis aumenta porquê?
Porque nos últimos 15 anos se tem apostado em grandes
construções sem
o mínimo cuidado de conservação de energia. Há muitos
paradigmas em
Portugal para ilustrar este exemplo, mas, o mais irritante para mim
talvez seja a nova aerogare de chegadas do aeroporto de Lisboa:
fachada orientada a Norte totalmente envidraçada.
Como é que os nossos políticos reagem ao aumento dos
combustíveis?
De duas maneiras:
a) à Portuguesa:
metendo a cabeça na areia e esperando que a onda passe.
b) à terceira via:
tentando negociar mas dizendo que não se negoceia.
Como se resolve o problema?
Do que acima ficou dito, só existe uma maneira de resolver o
problema.
Dar sérios avisos aos mercados nacionais e internacionais, que os
países ricos (OCDE), vão imediatamente adoptar medidas
políticas
estruturantes para dependerem menos das energias fóssil e nuclear.
Como?
a) Fortes economias de energia nos sectores públicos;
b) Abolir as deduções fiscais nos combustíveis fósseis
(combustíveis
e carburantes) aos particulares e às empresas que não se
dedicam aos
transportes públicos;
c) Incentivos e prémios à introdução no mercado de
equipamentos
eficientes (automóveis, electrodomésticos, tecnologias
construtivas,
etc.);
d) Qualquer construção nova ou de reabilitação deverá ter os
custos
contabilizados em todo o ciclo de vida e não apenas no
investimento,
deixando a manutenção e gastos operacionais incluindo a energia
com
quem vier a seguir!!!
e) Incluir uma quota mínima de energias renováveis, em primeiro
lugar
no sector público e, em segundo lugar, em todo o mercado (hoje uma
obra de uma determinada dimensão pública ou privada, tem
obrigatoriamente de ter uma obra de arte).
f) Promoção de políticas coerentes de investimento em
transportes
colectivos em vez de se continuar a promover as políticas de obras
públicas para o transporte individual.
g) Fortes campanhas de informação sobre os malefícios
ambientais das
energias fósseis.
Quem quizer dar contributos ou criticar, está aberta a sessão.
Saudações
Manuel Ferreira dos Santos
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