Mira Amaral: Construir a central solar fotovoltaica da Amareleja foi um "erro
enorme"
21.04.2009 - 19h53
Por Lusa
O antigo ministro da Indústria e da Energia, Luís Mira Amaral, considerou hoje
"um erro enorme" a construção da Central Solar Fotovoltaica de Amareleja,
afirmando que a tecnologia com os painéis de silício actuais é "demasiado cara".
"Discordo do Governo quando fica muito encantado com a grande central solar
fotovoltaica, a maior do mundo. Considero um grande erro", disse hoje Luís Mira
Amaral no decorrer da conferência "O futuro energético em Portugal", promovida
pela Ordem dos Engenheiros e pelas associações patronais AEP, AIP e CIP. "A
tecnologia fotovoltaica com os painéis de silício actuais é muito cara, como os
números do [jornal inglês] Finantial Times mostram. A própria procura pelo
silício faz aumentar o preço", justificou Mira Amaral. "Em vez desta fazia-se
uma pequena central. Com a maior central fotovoltaica do mundo vamos ter painéis
de silício importados a um preço louco. Construir aquela central no Alentejo foi
um erro evidente", acrescentou ainda.
Com uma capacidade total instalada de 46,41 megawatts (MW), a central solar
fotovoltaica de Amareleja é da empresa espanhola Acciona e funciona em pleno há
quase quatro meses. A central vai produzir, durante os próximos 25 anos, 93
gigawatts/hora (GWh) de energia por ano.
A intervenção de Mira Amaral seguiu-se a uma alocução do ministro da Economia e
da Inovação, Manuel Pinho, que realçou - entre outros aspectos - a aposta do
Governo nas energias renováveis e na eficiência energética. "Não temos
alternativa. Se o mundo não ficar alerta para as questões da eficiência
energética, uma coisa posso garantir: isso é equivalente a um suicídio
colectivo", afirmou Manuel Pinho. No decorrer da sua intervenção o ministro da
Economia considerou "verdadeiramente ridículo um país com os recursos de água
que Portugal tem não os ter aproveitado durante anos a fio".
"Foz Côa vai ser feito"
Minutos depois, Mira Amaral respondeu."Sublinho ao senhor ministro da Economia:
as energias renováveis estavam esquecidas desde o Governo de Guterres, quando
foi interrompido o programa hídrico para o sector eléctrico que eu tinha
lançado", disse. "Foi parado com a irresponsável e demagógica decisão de Foz
Côa. Só agora, neste Governo, é que esse processo recomeçou", acrescentou o
antigo ministro.
Mira Amaral foi ainda mais longe, considerando que o projecto pensado para Foz
Côa terá mesmo de avançar. "Já estou como diria o doutor Durão Barroso: Foz Côa
vai ser feito, não sei é quando, mas que vai ser feito não tenho dúvidas". O
ministro da Economia realçou ainda que "a energia e o ambiente são os grandes
desafios" e deu conta do compromisso de Portugal de renovar a sua carteira
energética até 2020.
Manuel Pinho disse que, até 2020, Portugal quer obter 30 por cento das suas
necessidades de energia através da energia hídrica, outros 30 por cento por
energia eólica, 26 por cento através de gás natural, seis por cento produzida
por queima de carvão e oito por cento de petróleo.
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Emídio Gardé
http://ehgarde.planetaclix.pt
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