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Elucubracoes · Textos de Heitor Reis

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O Conceito de Deus e seu Efeito na Mente Humana   Lista de mensagens  
Responder Mensagem #164 de 1400 |

O CONCEITO DE DEUS E SEU EFEITO NA MENTE HUMANA


Heitor Reis (*)


O cerne desta abordagem, não é se Deus existe ou não. Espero estar deixando
claro que estou procurando enfocar este tema de forma intelectual e não pela fé
daqueles, para os quais não há outra hipótese e, imagino, que nenhuma discussão:
eles "sabem" que Deus existe e ponto final! O termo técnico para é isto é ou
seria "conhecimento direto" ou "revelação".

Muito menos esta abordagem será similar a dos religiosos ateus, que crêem, como
a mesma fé e devoção, que Deus ou deus (como queira) não existe. Tende, neste
artigo, mais ao agnosticismo, que não afirma, nem uma coisa, nem outra...

Perdoem-me o soberbos, esnobes e simpatizantes, mas vou ao pai dos burros...
Afinal, é a forma mais neutra e pública de apresentar um conceito do que a minha
própria descrição pessoal. Mas dou meus pitacos... Todos os verbetes aqui
utilizados estão no Aurélio Século XXI:

AGNOSTICISMO [Do ingl. agnosticism.] S. m. Filos.
1. Segundo Thomas Henry Huxley (1825-1895), naturalista inglês, posição
metodológica que só admite os conhecimentos adquiridos pela razão e evita
qualquer conclusão não demonstrada.
2. Atitude que considera inúteis as discussões sobre questões metafísicas, já
que estas tratam de realidades incognoscíveis.
3. P. ext. Doutrina, ou atitude, que admite uma ordem de realidade que é
incognoscível.

Mesmo porque é tão difícil provar sua existência, quanto o contrário, caso
queiramos utilizar as ferramentas da lógica objetiva e formal.

O certo é que a maioria das pessoas precisa de acreditar que ele ou Ele (como
queira) existe e permanecem assim até o momento em que já não necessitam mais
disto. Mas a grande maioria permanece nesta fé a vida inteira.

Pais zelosos, na melhor das intenções, com muito amor, carinho e compreensão,
normalmente fornecem, desde nossa mais tenra idade um banco de dados para
preenchimento do vazio de nossas mentes, sobre o qual estruturaremos, mais
tarde, nossa vida.

A maioria é religiosa e nos clona mentalmente para reproduzi-los, até mesmo na
torcida por um determinado time de futebol. Mas há caso de filhos de pais ateus,
que lhes ministraram esta ideologia e a pessoa se torna religiosa. E vice-versa.
Talvez os tenham violentado, forçando a barra e fizerem com que se rebelassem,
não sei. Parece que nada tem uma regra fixa...


Mesmo assim, vamos tentar examinar, filosoficamente, o que ocorre com o devoto,
em sua mente, quando utiliza esta ferramenta conceitual.

DEUS [Do lat. deus.] S. m.
1. Princípio supremo considerado pelas religiões como superior à natureza.
2. Ser infinito, perfeito, criador do Universo.
3. Nas religiões politeístas, divindade de personificação masculina, superior
aos homens, e à qual se atribui influência especial, benéfica ou maléfica, nos
destinos do Universo.
4. Fig. Objeto de um culto ou de um desejo ardente, que se antepõe a todos os
demais desejos ou afetos.
5. Filos. Princípio supremo de explicação da existência, da ordem e da razão
universais, e garantia dos valores morais. [Fem.: deusa; pl.: deuses. ]

Independentemente do que seja a verdade, partir-se da premissa que Deus existe,
gera um comportamento mental diferente de quem crê no contrário. Um, não
consegue contemplar nada mais que o mundo físico; o outro, vai além, navegando
na maionese espiritual. Vejamos se podemos considerar o conceito do Ser Superior
como um arquétipo apenas. Ou também (como queira).

ARQUÉTIPO. Psicologia. Segundo C. G. Jung, imagens psíquicas do inconsciente
coletivo, que são patrimônio comum a toda a humanidade.

INCONSCIENTE. O conjunto dos processos e fatos psíquicos que atuam sobre a
conduta do indivíduo, mas escapam ao âmbito da consciência e não podem a esta
ser trazidos por nenhum esforço da vontade ou da memória, aflorando, entretanto,
nos sonhos, nos atos falhos, nos estados neuróticos ou psicóticos, i. e., quando
a consciência não está vigilante. [Cf., nesta acepç., subconsciente (2) e
consciente (8).]

INCONSCIENTE COLETIVO. Psic. Parte do inconsciente individual que procede da
experiência ancestral e transparece em certos símbolos encontrados nas lendas e
mitologias antigas, constituindo os arquétipos [v. arquétipo (3)] .

CONSCIÊNCIA COLETIVA. Sociologia. Conjunto de representações, de sentimentos ou
de tendências não explicáveis pela psicologia do indivíduo, mas pelo fato do
agrupamento dos indivíduos em sociedade.

CONSCIÊNCIA MORAL. Ética. A faculdade de distinguir o bem do mal, de que
resulta o sentimento do dever ou da interdição de se praticarem determinados
atos, e a aprovação ou o remorso por havê-los praticado.

Os arquétipos, em nossa inconsciência coletiva, aliados à nossa consciência
coletiva, nos conduzem a uma consciência moral, ética ou deontológica (como
queira).

DEONTOLOGIA [Do gr. déontos, 'o que é obrigatório, necessário', + -logia.] S. f.
1. O estudo dos princípios, fundamentos e sistemas de moral.
2. Tratado dos deveres.

Não há outro conceito mais elevado, dentro da cultura humana do que o de Deus.
Para os ateus, ele pode ser encarado apenas como um arquétipo. Ou seja, de uma
forma ou de outra, não há nada que seja superior, em termos intelectuais, à este
conceito. O criador de tudo, o perfeito, o infinito, o supremo, etc., etc., etc.
Abrange tudo que existe materialmente e adiciona uma origem com uma dimensão tão
elevada, que conceito algum a supera. Vai além de todos os limites de tempo e
espaço, causa e efeito, possíveis de se atingir objetivamente, ainda que sem
precisão científica.

De certa forma, ele representa tudo que a humanidade gostaria de alcançar, tudo
o que ela idealiza para si. Assim, há a tese de que o homem fez Deus à sua
imagem e semelhança.

C. S. Lewis, professor catedrático da Universidade de Cambridge, em 'O Problema
do Sofrimento" discute com elevada abordagem intelectual toda esta problemática
e, antes dela, a da existência de Deus. (Ed. Mundo Cristão, SP, SP)

E há um processo dialético (tudo é dialético!) na história da evolução deste e
de qualquer conceito durante a vida das pessoas e do devoto.

Restringindo nossa visão apenas ao cristianismo utópico, as atribuições de Deus
são inúmeras, as quais são insistentemente veiculadas nas mentes dos adeptos,
diariamente nas igrejas protestantes, e, com menor freqüência, intensidade e
energia, no catolicismo. Uma realimentação constante para manutenção da
consciência de sua existência.

Há conceito de deuses menores que o do Criador ou criador (como queira) em
religiões não cristãs, bem como no sincretismo religioso, ocorrido desde os
primeiros séculos do cristianismo (século III, com Constantino), quando foi
introduzida a figura do semi-deus, atravessador, intermediário ou santo já
falecido, o qual, mediante alguma promessa ou presente do devoto, incompetente
para se dirigir diretamente ao suposto Pai, leva seu recado, pedido ou súplica,
o que ocorre também no espiritismo kardecista ou afro.

Trata-se de um "lobbista", teoricamente capaz de convencer o suposto Criador a
fazer algo para agradar ao fiel, neste caso um infiel, já que seu estilo de vida
e sua fé não lhe permitem intimidade com o "dono da benção", suficiente para um
contato direto, como na oração ensinada por Jesus: "Orareis assim: Pai Nosso,
que estais no céu..." (Mateus 6-6)

Acredita-se também que o semi-deus possa fazer alguns milagres por conta
própria, sem precisar convencer ao Ser Superior...

Trata-se de uma modalidade de fé focalizada em uma possível criatura já falecida
e não diretamente no Criador, portanto exigindo um grau de abstração menor,
muitas das vezes, sendo necessário a existência de uma imagem física para ajudar
ao devoto imaginar a pessoa do intermediário, a qual pode acabar assumindo um
papel mais relevante que o próprio Deus, ocorrendo, então, a idolatria. Uma
impotência do indivíduo para galgar vôos mais elevados, em termos conceituais.

Deus é um conceito capaz de exigir mais de nossa mente que os demais. Ou melhor,
geralmente, na mente dos mais desprovidos de oportunidades para estudar em uma
escola, onde se avança em direção aos limites das partículas sub-atômicas ou dos
confins do Universo; em direção ao princípio dos tempos e ao seu final; em
direção às possibilidades da existência, da vida e da morte, como se faz na
Filosofia, Biologia, Medicina, etc.; em direção às profundezas estéticas da
Pintura, Arquitetura, Música, etc.

Ou nas mentes daqueles, cuja adversidade da vida não apresenta uma solução mais
concreta, conduzindo o sofredor para uma alternativa sobrenatural.

Mas uma coisa não exclui, necessariamente, a outra. Há devotos dentro de todas
estas disciplinas, intelectuais de renome, que conseguem conviver com os dois
extremos da fé e da razão, harmonizando-os. Exemplo notável encontra-se na
Universidade de Harvard, onde foi publicado um texto sobre os "Sky Hooks", como
fatores de sucesso na vida empresarial. "Ganchos no céu" é o termo que se usa
para denominar elevados princípios éticos, morais ou deontológicos (como queira)
na administração de uma organização ou no estilo de vida particular de uma
pessoa.

Mas a coisa não pára ai...

O Tao da Física - Um Paralelo entre a Física Moderna e o Misticismo Oriental é
um livro de autoria de um austríaco de nascimento, Doutor em Física pela
Universidade de Viena em 1966, aos 27 anos, Frijof Capra, que tem seu nome
vinculado ao surgimento de uma nova maneira de entender a ciência como um dos
veículos para a compreensão da realidade, sendo legado ao misticismo antigo a
complementaridade dessa tarefa.
http://www.ime.usp.br/~cesar/projects/lowtech/ep2/tao/tao.htm

Quando alguém acredita que Deus existe, para esta pessoa, ele realmente existe.

Processando esta informação em seu cérebro, as pessoas, certamente vão estimular
seus neurônios de forma, no mínimo, diferente de quem não acredita em tal ser.
Ou de quem se utiliza de atravessadores...

Pensar em Deus utiliza a parte mais criativa de nosso cérebro, chamada de
feminima, onde se desenvolve a arte, a poesia e outros sentimentos mais
abstratos.

Dentro de uma sociedade machista, materialista e capitalista, cada vez mais as
pessoas carecem de estimular este aspecto de sua mente, como uma forma de
equilibrar o funcionamento do cérebro. Não menciono a sociedade socialista, já
que, na prática, ela acaba sendo um capitalismo de Estado. A matéria acima do
humano. O conceito de vida limitado à sobrevivência física, desmerecendo a
necessidade da sobrevivência psíquica. tudo e todos tornam-se meras mercadorias,
com uma etiqueta especificando seu valor. Defendo uma sociedade humanista, com o
capital subordinado aos interesses da sociedade, em oposição ao que ocorre hoje.

É fácil constatar que, mesmo na ex-URSS, China e Cuba, a despeito da perseguição
religiosa, jamais conseguiram impedir que as pessoas deixassem de buscar, ao
custo da própria vida, da perda de seus bens ou do exílio, esta alternativa
ideológica.

Isto nos assegura o valor que tal atividade possui para grande parte das
pessoas, no que a História registra ter ocorrido também com os primeiros
cristãos, bem como mais tarde, destacando-se a Santa Inquisição da Igreja
Católica, que, além de perseguir os verdadeiros seguidores do Messias, também
procurava fazer uma faxina em religiões diferentes, como o judaísmo, a bruxaria
e cultos à Natureza, coisa em que também jamais conseguiu obter resultado
definitivo. Muito antes pelo contrário, as perseguições fazem com que o devoto
busque ainda mais forças em sua fé!...

O problema da religião (da filosofia, dos partidos políticos, dos blocos
carnavalescos, do futebol, da música, da arquitetura, etc.) é quando ela é
socialmente aceita e deixa de ser revolucionária, quando deixa de ser um agente
de transformação e passa a reproduzir em seus seguidores, o materialismo
hegemônico na humanidade, como ocorre hoje no "cristianismo", o qual, na
realidade, tornou-se "materialismo cristão", apesar de ser esta possibilidade
inviável tecnicamente, caso se respeite o Novo Testamento, para o qual é uma
heresia.

Para Antonio Gramsci, tudo é filosofia, mesmo a religião, desde que consiga
transformar a sociedade, dando acesso universal a este conhecimento. O resto é
mero diletantismo filosófico. Uma masturbação mental apenas. ("A Concepção
Dialética da História")

A verdadeira religião conflita flagrantemente com o sistema dominante, a menos
que a humanidade já tenha atingido a perfeição, coisa anos-luz de distância
ainda.

A verdadeira religião cultiva a ética, moral ou deontologia (como queira) mais
elevada que os ateus produziram. Mas vai mais além, trabalhando também o lado
sentimental, emocional e passional das pessoas, dando-lhes uma direção
francamente positiva.

O amor é um sentimento natural, que é lapidado até tornar-se fruto de uma
decisão racional de amar gratuitamente, até mesmo seu inimigo, fazendo-lhe o
bem, etc. (Mateus 5:43 a 48, Gálatas 5:22)

A verdadeira religião é perseguida e não perseguidora; desprezada, porém
tolerante; tida como fanatismo pelos adeptos ao sistema materialista, devotados
aos propósitos mais imediatos do ser humano, aos valores mais grosseiros e
hedonistas da existência.

HEDONISMO. Do gr. hedoné, 'prazer', + -ismo.] S. m.
1. Ét. Doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único
bem possível, princípio e fim da vida moral: &
2. Filos. Doutrina moral do cirenaísmo.

A verdadeira religião busca restringir estes aspectos e canalizar suas
possibilidades de prazer no propósito de dedicar-se ao bem comum , tornando-se,
assim, mais altruísta e mais estóica.

ESTOICISMO [De estóico + -ismo.] S. m.
1. Filos. Designação comum às doutrinas dos filósofos gregos Zenão de Cício
(340-264) e seus seguidores Cleanto (séc. III a.C.), Crisipo (280-208) e os
romanos Epicteto (c.55-c.135) e Marco Aurélio (121-180), caracterizadas
sobretudo pela consideração do problema moral, constituindo a ataraxia o ideal
do sábio.
2. Austeridade de caráter; rigidez moral.
3. Impassibilidade em face da dor ou do infortúnio.

ATARAXIA (cs). [Do gr. ataraxía, 'calma', 'tranqüilidade'.] S. f.
1. Hist. Filos. Nos vocabulários céptico e estóico, estado em que a alma,
pelo equilíbrio e moderação na escolha dos prazeres sensíveis e espirituais,
atinge o ideal supremo da felicidade: a imperturbabilidade. [Cf. apatia (3),
aponia, atambia e eutimia.]
2. Tranqüilidade, serenidade.
3. Apatia, indiferença:

A ataraxia corresponde à temperança, um fruto do espírito, no cristianismo
(Gálatas 5:22).

Há quem defenda que o cristianismo é uma fusão da filosofia grega estóica com o
judaísmo. Já os cristãos defendem que os gregos e outras religiões possuíram
fragmentos da verdade universal, a qual estaria completa no Novo Testamento.

É claro que a religião, por ser um produto destinado, como o próprio Jesus
afirmou, no que o socialista Antonio Gramsci concorda ser fundamental (não
elitista), aos pobres e ignorantes (Mateus 11:5, 11:25; Lucas 4:18; Lucas 6:20,
etc.), torna esta classe social facilmente manipulável por seus líderes, os
quais tendem, "naturalmente", a vender suas almas ao Diabo (pouco importando ou
não sua existência), para usufruírem do poder que possuem sobre o rebanho,
tentação esta registrada nos Evangelhos como tendo sido sofrida até por seu
fundador (Lucas 4:5 a 7) e profetizado por Pedro (II Pedro 2:3) para o futuro da
igreja, há quase dois mil anos atrás.

É claro também que há uma graduação variável de uma religião para outra, cada
uma sendo mais ou menos coerente com a doutrina original, em função de seu apego
à essência das "Sagradas Escrituras". A tendência natural é cair no formalismo,
mercantilismo, ritualismo, estrelismo, etc.

Os líderes tendem a colocar o suposto Deus de lado e a ocuparem seu lugar,
seguindo a doutrina do próprio suposto Senhor das Trevas.

Mas, em termos bem práticos, podemos mensurar a qualidade de uma religião em
função de sua capacidade de contribuir para que seus adeptos passem a ter uma
qualidade vida melhor, em termos psíquicos, no que tange ao relacionamento com
seu próximo.

Isto ocorrendo, repercutiria na produção de uma nação também com elevados
princípios éticos ou espirituais (como queira). Por exemplo, podemos comparar o
"maior país católico do mundo" com o "maior país protestante do mundo" e
constatar o que cada religião produz ali.

Uma, gera a miséria entre seu próprio povo; outra, em muitas nações do planeta,
para manter internamente uma condição privilegiada de consumismo compulsório.
Qual é a pior delas? (www.HeitorReis.fr.fm - A Formação do Caráter Nacional -
EUA X Brasil)

Mesmo assim, com todos os seus defeitos, as religiões trazem expressivos
benefícios materiais, o que fica academicamente demonstrado em reportagem de
capa da revista Veja de 02/07/1997, que veicula tese defendida na Universidade
de Boston, comparando os crentes brasileiros com o restante de maioria católica
do país, reproduzindo aqui um pouco do que ocorreu nos EUA (antes de se tornar
imperialista), a qual venho divulgando há anos na Internet, não encontrando
nenhuma contestação de seu valor, cujo resumo apresento abaixo. A matéria, na
íntegra, está em www.Veja020797.fr.fm.


SOLDADOS DA FE E DA PROSPERIDADE

http://www2.uol.com.br/veja/020797/p_086.html (paginas 86 a 93 - Conteúdo
restrito)
Ricardo Mariano, sociólogo da USP, e a antropóloga Regina Novaes, do Instituto
de Estudos da Religião, descobriram que os evangélicos "adaptaram-se e geraram o
maior vetor de acomodação social da atualidade", se afirmando "como uma opção ao
tráfico de drogas".

Um rebanho ordeiro, trabalhador, que vem galgando a pirâmide social com
velocidade assombrosa ... de alguma maneira a religião acabou sendo útil aos
convertidos.

Vencendo o preconceito e o desconhecimento, uma nova fornada de estudos
acadêmicos sobre o tema é capaz de relacionar os seguintes benefícios:

1.

A professora de sociologia Cecília Mariz , da UERJ, defendeu tese de doutorado
na Universidade de Boston a respeito da melhor alfabetização dos crentes. O
analfabetismo entre eles atinge apenas 9,5%, contra 20% da população brasileira
em geral. O costume protestante de promover a leitura cotidiana da Bíblia, e,
mais do que isso, de obrigar o fiel a ler os textos sagrados antes de
converte-lo, transformou-se numa verdadeira revolução educativa. Exatamente a
parcela de brasileiros muito pobres,
na qual se incluem 19 milhões de analfabetos, é alvo privilegiado da pregação
pentecostal.

2.

Mesmo quando pobres, 80% dos evangélicos não admitem a hipótese de seus filhos
adolescentes entre 12 a 17 anos deixarem de estudar para trabalhar. Na
população em geral, o imperativo do estudo atinge apenas 60%.

3.

Sem dogmas que impeçam o planejamento familiar... entre as famílias evangélicas
pobres, o número de filhos é 25% menor que entre a população brasileira. Sexo
sem filhos: 74% das casadas usam método contraceptivo.

4.

Realizam trabalhos de recuperacao de dependentes de drogas e álcool em 270
clínicas espalhadas pelo Brasil. Elas atendem 12.000 pessoas com índices de
eficiência semelhante aos obtidos por instituições reputadas, como os Alcoólicos
Anônimos: 60% de recuperação.

5.

Uma sólida corrente de solidariedade entre os fiéis garante que um ajude o outro
na hora do desemprego ou da dificuldade financeira. Evangélico empresário
prefere empregar irmãos de fé ou candidatos à conversão. São responsáveis pelo
surgimento de 600.000 empregos, cinco vezes mais que os postos gerados
diretamente pela indústria automobilística.

6.

O fato de pregar que o paraíso é [também] aqui e agora - depende de acreditar,
pagar [dízimos e ofertas] e trabalhar - tem conseguido movimentar uma legião
de miseráveis, que não mais se acabrunham diante das vicissitudes da vida
[elevada auto-estima], à espera do paraíso de além-túmulo. Seiscentos mil
católicos deixam a cada ano a guarda do Vaticano para ingressar nesta aventura.



Leia "A Ética Protestante e a Auto-Estima" em www.HeitorReis.fr.fm.



O que eu gostaria de ver, um dia, é algum trabalho sério, computando os
benefícios e os prejuízos de cada religião, permitindo-nos uma visão mais
profunda deste assunto...

Mas, talvez, nunca tenhamos dados científicos para mensurar com segurança e
responder com precisão: Religião vale a pena?

Mesmo porque, os benefícios após a morte por ela prometidos, estão ainda muito
longe de nossos micro e telescópios enxergarem. Ou de assegurarem de que
inexistem!


_____________________________
(*) Heitor Reis é engenheiro civil em BH/MG, articulista e palestrante da FANAI
- Federação Nacional das Associações de Imprensa, e membro da diretoria da
ABRAÇO - Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, seção de BH e MG.
"Copyleft" - Nenhum direito autoral reservado. www.HeitorReis.fr.fm

[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]




Qua, 3 de Mar de 2004 12:47 am

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Heitor Reis
heitorreis2000 Offline Enviar e-mail
3 de Mar de 2004
12:52 am
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