CDS não passa no teste da renovação
A renovação era grande promessa de Paulo Portas neste XXIII congresso
do CDS. Mas, afinal, os "rostos e caras novas da política do partido"
são, na sua maioria, deputados rodados e dirigentes distritais há uma
década.
Renovação era a grande promessa de Portas para essa 'minudência' que
são as questões internas do partido. Fomos ver a nova comissão
executiva, o órgão de topo do CDS, e encontramos deputados muito
rodados, dirigentes distritais há uma década e gente que esteve em
todas as equipas de Portas... "O CDS renovou a sua direcção",
garantiu esta tarde o presidente centrista, apresentando os "rostos e
caras novas da política do partido". Talvez tenha exagerado...
Segue-se uma espécie de "renovómetro", da responsabilidade do
Expresso. Nesta avaliação muito política e nada científica, Portas
não passa no teste, com média de 3, numa escala de zero a dez.
Avaliação
Paulo Portas (presidente)
46 anos, presidente do CDS entre 1998-2005; 2007-?
Índice de renovação: 0
Artur Lima (vice-presidente)
45 anos, presidente do CDS-Açores, é o mais recente herói de um
partido onde mais ninguém se pode gabar de um crescimento eleitoral
como o que conseguiu nas últimas regionais, subindo de 1 para 5
deputados. Já foi autarca e é deputado nos Açores desde 2003. Está na
direcção regional do CDS desde 2002, mas é um quase desconhecido fora
das ilhas, com pouco currículo na direcção nacional.
Índice de renovação: 7
Assunção Cristas (vice-presidente)
33 anos, jurista, filiou-se no CDS em 2007, quando Portas regressou à
presidência do CDS. Nessa altura entrou directamente para a Comissão
Política Nacional. Foi a coordenadora do grupo de trabalho sobre
políticas de natalidade e só nessa altura ganhou alguma projecção
mediática enquanto "rosto" do CDS. Portas convidou-a para coordenar a
redacção da proposta de orientação que levou a votos neste congresso.
Índice de renovação: 9
Diogo Feio (vice-presidente)
38 anos, advogado, é o líder parlamentar sendo, por isso, a segunda
cara mais mediática do CDS. Foi uma novidade quando Portas apostou
nele para suceder a Nuno Melo no Parlamento, há dois anos, mas
dificilmente pode continuar a ser considerado "renovação"...
Índice de renovação: 4
Luís Queiró (vice-presidente)
55 anos, advogado, é um player do CDS desde o célebre Grupo do Altis,
que se juntou para a refundação do partido em torno de figura de
Manuel Monteiro, em 1992. Foi presidente da Juventude Centrista, da
concelhia de Cascais e da distrital de Lisboa do CDS, deputado à
Assembleia da República (eleito em 1995), líder parlamentar e, nos
últimos cinco anos, eurodeputado. Há uma década que era presidente do
congresso do CDS. Não é a primeira vez que está numa comissão
executiva, o órgão mais restrito de direcção do partido.
Índice de renovação: 0
Nuno Melo (vice-presidente)
42 anos, presidente da distrital de Braga desde 1998 (está no último
mandato permitido pelos estatutos), é um dos mais influentes
dirigentes da máquina partidária - não só pelo número de militantes,
mas pelo peso político que Melo soube ganhar ao longo desta década.
Até este congresso era o porta-voz do CDS. Deputado, já foi líder
parlamentar e é actualmente vice-presidente da Assembleia da
República. É apontado como possível cabeça de lista às próximas
europeias e como um forte candidato à presidência do CDS no pós-
portismo.
Índice de renovação: 1
Teresa Caeiro (vice-presidente)
39 anos, jurista, deputada, duas vezes secretária de Estado no
Governo de coligação PSD-CDS. Já é um rosto clássico do portismo,
tendo passado por todas as direcções de Paulo Portas, nomeadamente na
Comissão Executiva. Se o CDS tivesse candidatura própria nas
autárquicas em Lisboa, seria possivelmente a cabeça de lista.
Índice de renovação: 2
Álvaro Castelo Branco (vogal da Comissão Executiva)
47 anos, presidente da distrital do Porto desde 1998 (está no último
mandato permitido pelos estatutos) é, como o seu "vizinho" Nuno Melo,
um dos mais importantes líderes do aparelho partidário. Dirige a
distrital mais poderosa do partido e é vice-presidente da Câmara do
Porto. Já foi deputado e tem estado sempre nas direcções do Portas.
Índice de renovação: 1
Filipe Lobo d'Ávilla (vogal da Comissão Executiva)
33 anos, advogado, entrou para a Comissão Política do CDS em 2001 e
esteve sempre nas direcções de Portas. Foi director-geral do
Ministério da Justiça entre 2002 e 2008.
Índice de renovação: 7
Miguel Morais Leitão (vogal da Comissão Executiva)
44 anos, jurista e gestor, foi secretário de Estado do Tesouro com
Bagão Félix. É desde há anos um discreto e habitual conselheiro de
Paulo Portas, sobretudo em matéria de economia e finanças. Quando
tutelava a Defesa, Portas nomeou-o para presidir à Empordef (holding
das indústrias de defesa). Já estava na Comissão Política.
Índice de renovação: 5
Pedro Mota Soares (porta-voz)
34 anos, advogado, é outro clássico do "portismo": já foi presidente
da Juventude Popular, secretário-geral do CDS e é deputado. Teve
lugar de relevo em todas as direcções de Portas.
Índice de renovação: 2
João Almeida (secretário-geral)
32 anos, jurista, é secretário-geral do CDS desde 2007. Teve uma
ascensão meteórica desde que chegou a presidente da Juventude
Centrista - para isso muito ajudou o facto de ter sido "candidato" à
presidência do partido, em nome da ala "portista", em 2006, contra
Ribeiro e Castro.
Índice de renovação: 0
Hélder Amaral (coordenador autárquico)
41 anos, técnico de turismo, preside à distrital de Viseu desde 1998,
ano em que entrou pela primeira vez para a Comissão Política
Nacional. Tem subido sempre nas equipas de Portas e é deputado desde
2003. É coordenador autárquico desde 2007.
Índice de renovação: 1
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