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Acropolis_ · Acrópolis'

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Jo€ ¦ão Pereira Coutinho   Lista de tópicos   < Tópico anterior  |  Próximo tópico >
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#120212 De: "Jivan Mukta" <renatoguenao@...>
Data: Sáb, 29 de Mai de 2010 12:51 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
renatoguenao
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a Igreja chuta a imagem de Nossa Senhora há séculos? Uia...
 
 
----- Original Message -----
Sent: Friday, May 28, 2010 1:05 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

a igreja fez isso a sécilos e ninguém disse nada 

sds
Amauri -> SP/São Paulo 


Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_


---- Ligado Fri, 28 May 2010 08:24:40 -0700 Dídimo Matos <didimo_george@...> escreveu ----

 

Mas o que ela falou foi ofensivo, da mesma forma que foi ofensivo a besta da IURD ter chutado a imagem de Nossa Senhora, sacou?
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Friday, May 28, 2010 9:46 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

A gostozuda não rasgou bíblias, só falou.
E aquela putada insana polonesa quer por a
boazuda na cadeia...
 
*PB*
 
 

Sent: Thursday, May 27, 2010 10:28 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Pesky,
 
O direito a crítica não pode ser caçado, mas uma coisa é criticar outra é rasgar Bíblias em praça pública ou outras amebices que fazem por aí.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Thursday, May 27, 2010 6:51 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

> Ofensa e injúria contra qualquer pessoa ou religião está entre elas.
 
Ofensa e injúria contra pessoas tudo bem, tem que ser
restrito. Mas contra religião? As religiões estão
acima de críticas? Não se pode dizer que são bobagens?
 
Não se pode obrigar alguém a "respeitar" uma doutrina
que fala que se eu desobedecer suas diretrizes irei
para o inferno sofrer para todo o sempre.  
 
Se os religiosos tem o direito de dizer isso na cara
dos "pecadores", então estes também tem o direito de dizer
que tudo isso não passa de uma imensa bobagem.
 
*PB*
 
 
 

Sent: Thursday, May 27, 2010 5:50 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Pesky,
 
Tem que haver alguns freios. Não acho que se possa ter o direito de dizer tudo. Pode-se colocar tudo em discussão, pode debater sobre tudo, mas não dá pra aceitar determinadas coisas. Ofensa e injúria contra qualquer pessoa ou religião está entre elas.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Thursday, May 27, 2010 1:43 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

> Penso o mesmo da cantora polonesa.
 
Sem problemas. Mas tu deixas ela falar ou vai
querer prender a gostozuda?
 
*PB*
 
 

Sent: Wednesday, May 26, 2010 10:08 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

KKKKKKK
 
Penso o mesmo da cantora polonesa.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Wednesday, May 26, 2010 6:31 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Deviam ter deixado o Chomsky entrar e falar à vontade.
Mas que o Chomsky é um grandíssimo filha da puta,
isso é mesmo!
 
*PB*
 
 

Sent: Tuesday, May 25, 2010 8:45 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

E aí Pesky?
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Tuesday, May 25, 2010 1:13 PM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Portas fechadas


Não deve fazer as delícias de Israel as defesas de Chomsky de negacionistas do Holocausto. É fato.

NOAM CHOMSKY foi impedido de entrar em Israel. Ocorreu na semana passada: o famoso linguista do M.I.T. desejava entrar no país. Para ensinar na Universidade Birzeit, em Ramallah, e ter um encontro com o premiê da Autoridade Palestina, Salam Fayyad.
Um guarda travou os intentos de Chomsky, interrogou o octogenário durante horas e disse-lhe no fim: Israel não gosta do que você escreve.
O ministro do Interior israelense, instado a comentar a atitude do guarda, afirmou tratar-se de um "mal-entendido". E garantiu que a autorização da entrada de Chomsky seria "reavaliada".
Chomsky não deseja ser "reavaliado", muito menos por um governo que ele compara regularmente com o regime sul-africano em pleno apartheid. Ou, pior, com a União Soviética: em declarações ao jornal "Haaretz", disse o professor que o comportamento de Israel fazia lembrar o Kremlin do camarada Stálin.
A comparação talvez soe um pouco excessiva, uma vez que Chomsky não foi fuzilado de imediato ou, em alternativa, enviado para um campo de concentração na Sibéria local. Mas entendo o estado de espírito do professor Chomsky.
Entendo e solidarizo-me com ele: a ser verdade que o Estado de Israel impediu conscientemente a entrada de Chomsky no território, a atitude é lamentável. E lamentável porque constitui uma negação da democracia pluralista que Israel representa -coisa única no Oriente Médio.
Os textos e as posições de Chomsky contra Israel não são do agrado das autoridades? Fato. Como também é um fato que não deve fazer as delícias de Israel as defesas que Chomsky fez de negacionistas do Holocausto, como o infame Robert Faurisson, que teve um prefácio do norte-americano num dos seus livros antisemitas.
Mas pretender punir os críticos externos de qualquer regime, por mais extremistas ou lunáticos que esses críticos sejam, deve merecer o repúdio de qualquer alma liberal que se preze.
Pena que essas almas não abundem por aí. Ou, melhor, só abundam em determinadas situações.
Apareceram agora, com o caso Chomsky, prontas a cavalgar a onda antisionista. Nunca aparecem, por exemplo, quando universidades ocidentais desejam boicotar acadêmicos israelenses com o intuito de os impedir de ensinar como forma de punição pelas ações do governo de Israel. Chomsky, nesse capítulo, tem sido exemplar no incitamento ao boicote, no M.I.T. ou em Harvard.
Curiosamente, essa forma de intolerância não perturba os humanistas. E, no entanto, ela sempre me pareceu mais grave e mais insidiosa do que a mera interdição de entrada a Chomsky.
No caso do professor, existe pelo menos um comportamento público do personagem que podemos singularizar: uma oposição feroz a Israel, muitas vezes com termos de uma profunda violência moral. Nada disso justifica ações de retaliação, repito. Mas essas ações não nascem do nada: elas são uma reação a qualquer coisa de tangível.
O boicote a acadêmicos israelenses nada tem de tangível ou racional. É sempre uma atitude covarde e impessoal, destinada a punir de forma indiscriminada categorias inteiras de seres humanos.
Imitando o pior do pensamento totalitário, os boicotes regularmente promovidos por humanistas como Chomsky enfiam no mesmo saco indivíduos de procedências distintas, com formações e até posições distintas face ao governo de Israel.
Não existem dois israelenses iguais, como não existem dois brasileiros iguais. E é até provável, tendo em conta o pluralismo intrínseco da sociedade de Israel, que dois israelenses tenham posições radicalmente contrárias sobre o conflito com os palestinos. Basta ler os jornais do país, a sua literatura, o seu cinema.
Mas isso não perturba a grosseira estupidez dos intolerantes. Como nos piores momentos do século 20, a punição é coletiva: ser "israelense" é sempre um crime, tal como na Alemanha do Reich já era um crime ser "judeu". As patrulhas julgam, condenam e fuzilam. A identidade do réu; sua história; sua eventual defesa -nada é considerado nos julgamentos sumários da Academia.
Impedir Chomsky de entrar em Israel é um ato vergonhoso; impedir qualquer israelense de ensinar nas universidades ocidentais é um ato imoral. Tão imoral como discriminar povoações inteiras de negros simplesmente porque são negros.
A mentalidade do apartheid existe, sim, mas não onde Chomsky imagina. jpcoutinho@folha.com.br


AMANHÃ NA ILUSTRADA:
Marcelo Coelho





#120226 De: "Constantor" <constantor@...>
Data: Sáb, 29 de Mai de 2010 3:01 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
constantor
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[2]
----- Original Message -----
Sent: Friday, May 28, 2010 10:16 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

Qual holocausto?
 
Matar é hereges é bom mesmo, herege bom é herege morto.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Friday, May 28, 2010 7:06 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

matar os "hereges" é bom, agora, o holocausto é mal? 

sds
Amauri -> SP/São Paulo 


Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Fri, 28 May 2010 14:02:00 -0700 Dídimo Matos <didimo_george@yahoo.com.br> escreveu ----

 

Para de falar merda Amauri, e aproveita e diz pra gente o que é sécilo...
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Friday, May 28, 2010 1:05 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

a igreja fez isso a sécilos e ninguém disse nada 

sds
Amauri -> SP/São Paulo 


Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Fri, 28 May 2010 08:24:40 -0700 Dídimo Matos <didimo_george@yahoo.com.br> escreveu ----

 

Mas o que ela falou foi ofensivo, da mesma forma que foi ofensivo a besta da IURD ter chutado a imagem de Nossa Senhora, sacou?
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Friday, May 28, 2010 9:46 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

A gostozuda não rasgou bíblias, só falou.
E aquela putada insana polonesa quer por a
boazuda na cadeia...
 
*PB*
 
 

Sent: Thursday, May 27, 2010 10:28 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Pesky,
 
O direito a crítica não pode ser caçado, mas uma coisa é criticar outra é rasgar Bíblias em praça pública ou outras amebices que fazem por aí.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Thursday, May 27, 2010 6:51 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

> Ofensa e injúria contra qualquer pessoa ou religião está entre elas.
 
Ofensa e injúria contra pessoas tudo bem, tem que ser
restrito. Mas contra religião? As religiões estão
acima de críticas? Não se pode dizer que são bobagens?
 
Não se pode obrigar alguém a "respeitar" uma doutrina
que fala que se eu desobedecer suas diretrizes irei
para o inferno sofrer para todo o sempre.  
 
Se os religiosos tem o direito de dizer isso na cara
dos "pecadores", então estes também tem o direito de dizer
que tudo isso não passa de uma imensa bobagem.
 
*PB*
 
 
 

Sent: Thursday, May 27, 2010 5:50 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Pesky,
 
Tem que haver alguns freios. Não acho que se possa ter o direito de dizer tudo. Pode-se colocar tudo em discussão, pode debater sobre tudo, mas não dá pra aceitar determinadas coisas. Ofensa e injúria contra qualquer pessoa ou religião está entre elas.
 
Abraços,
Dídimo Matos
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Thursday, May 27, 2010 1:43 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

> Penso o mesmo da cantora polonesa.
 
Sem problemas. Mas tu deixas ela falar ou vai
querer prender a gostozuda?
 
*PB*
 
 

Sent: Wednesday, May 26, 2010 10:08 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

KKKKKKK
 
Penso o mesmo da cantora polonesa.
 
Abraços,
Dídimo Matos
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http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Wednesday, May 26, 2010 6:31 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Deviam ter deixado o Chomsky entrar e falar à vontade.
Mas que o Chomsky é um grandíssimo filha da puta,
isso é mesmo!
 
*PB*
 
 

Sent: Tuesday, May 25, 2010 8:45 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

E aí Pesky?
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Tuesday, May 25, 2010 1:13 PM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Portas fechadas


Não deve fazer as delícias de Israel as defesas de Chomsky de negacionistas do Holocausto. É fato.

NOAM CHOMSKY foi impedido de entrar em Israel. Ocorreu na semana passada: o famoso linguista do M.I.T. desejava entrar no país. Para ensinar na Universidade Birzeit, em Ramallah, e ter um encontro com o premiê da Autoridade Palestina, Salam Fayyad.
Um guarda travou os intentos de Chomsky, interrogou o octogenário durante horas e disse-lhe no fim: Israel não gosta do que você escreve.
O ministro do Interior israelense, instado a comentar a atitude do guarda, afirmou tratar-se de um "mal-entendido". E garantiu que a autorização da entrada de Chomsky seria "reavaliada".
Chomsky não deseja ser "reavaliado", muito menos por um governo que ele compara regularmente com o regime sul-africano em pleno apartheid. Ou, pior, com a União Soviética: em declarações ao jornal "Haaretz", disse o professor que o comportamento de Israel fazia lembrar o Kremlin do camarada Stálin.
A comparação talvez soe um pouco excessiva, uma vez que Chomsky não foi fuzilado de imediato ou, em alternativa, enviado para um campo de concentração na Sibéria local. Mas entendo o estado de espírito do professor Chomsky.
Entendo e solidarizo-me com ele: a ser verdade que o Estado de Israel impediu conscientemente a entrada de Chomsky no território, a atitude é lamentável. E lamentável porque constitui uma negação da democracia pluralista que Israel representa -coisa única no Oriente Médio.
Os textos e as posições de Chomsky contra Israel não são do agrado das autoridades? Fato. Como também é um fato que não deve fazer as delícias de Israel as defesas que Chomsky fez de negacionistas do Holocausto, como o infame Robert Faurisson, que teve um prefácio do norte-americano num dos seus livros antisemitas.
Mas pretender punir os críticos externos de qualquer regime, por mais extremistas ou lunáticos que esses críticos sejam, deve merecer o repúdio de qualquer alma liberal que se preze.
Pena que essas almas não abundem por aí. Ou, melhor, só abundam em determinadas situações.
Apareceram agora, com o caso Chomsky, prontas a cavalgar a onda antisionista. Nunca aparecem, por exemplo, quando universidades ocidentais desejam boicotar acadêmicos israelenses com o intuito de os impedir de ensinar como forma de punição pelas ações do governo de Israel. Chomsky, nesse capítulo, tem sido exemplar no incitamento ao boicote, no M.I.T. ou em Harvard.
Curiosamente, essa forma de intolerância não perturba os humanistas. E, no entanto, ela sempre me pareceu mais grave e mais insidiosa do que a mera interdição de entrada a Chomsky.
No caso do professor, existe pelo menos um comportamento público do personagem que podemos singularizar: uma oposição feroz a Israel, muitas vezes com termos de uma profunda violência moral. Nada disso justifica ações de retaliação, repito. Mas essas ações não nascem do nada: elas são uma reação a qualquer coisa de tangível.
O boicote a acadêmicos israelenses nada tem de tangível ou racional. É sempre uma atitude covarde e impessoal, destinada a punir de forma indiscriminada categorias inteiras de seres humanos.
Imitando o pior do pensamento totalitário, os boicotes regularmente promovidos por humanistas como Chomsky enfiam no mesmo saco indivíduos de procedências distintas, com formações e até posições distintas face ao governo de Israel.
Não existem dois israelenses iguais, como não existem dois brasileiros iguais. E é até provável, tendo em conta o pluralismo intrínseco da sociedade de Israel, que dois israelenses tenham posições radicalmente contrárias sobre o conflito com os palestinos. Basta ler os jornais do país, a sua literatura, o seu cinema.
Mas isso não perturba a grosseira estupidez dos intolerantes. Como nos piores momentos do século 20, a punição é coletiva: ser "israelense" é sempre um crime, tal como na Alemanha do Reich já era um crime ser "judeu". As patrulhas julgam, condenam e fuzilam. A identidade do réu; sua história; sua eventual defesa -nada é considerado nos julgamentos sumários da Academia.
Impedir Chomsky de entrar em Israel é um ato vergonhoso; impedir qualquer israelense de ensinar nas universidades ocidentais é um ato imoral. Tão imoral como discriminar povoações inteiras de negros simplesmente porque são negros.
A mentalidade do apartheid existe, sim, mas não onde Chomsky imagina. jpcoutinho@folha.com.br


AMANHÃ NA ILUSTRADA:
Marcelo Coelho






#121584 De: "Jivan Mukta" <renatoguenao@...>
Data: Qua, 9 de Jun de 2010 11:41 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
renatoguenao
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Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
 
Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
 
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é medieval. 

sds
Amauri -> SP/São Paulo 


Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_


---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos <didimo_george@...> escreveu ----

 

A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a merda que falou? 
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão pouco cristã 

sds
Amauri -> SP/São Paulo 


Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta <renatoguenao@yahoo.com.br> escreveu ----

 

O que só indica que você não conhece nada de história.
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
 
O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
 
*PB*
 
 
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
bem razoável...
 
*PB*
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
compreender que a maior parte da culpa por essa
situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
do cú dessa putada.
 
*PB*
 
 
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Vamos falar de Israel?


A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século


MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.
Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.
A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.
A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.
Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.
Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.
Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.
É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras.

jpcoutinho@folha.com.br




#121600 De: Amauri Jr A <amaurijunior23@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 2:08 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
amaurijunior2
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mas a igreja não segue eles

sds
Amauri -> SP/São Paulo 



Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_


---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 16:41:41 -0700 Jivan Mukta <renatoguenao@...> escreveu ----

 



Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
 
Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
 
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é medieval. 

sds
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Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos <didimo_george@yahoo.com.br> escreveu ----

 

A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a merda que falou? 
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão pouco cristã 

sds
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Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta <renatoguenao@yahoo.com.br> escreveu ----

 

O que só indica que você não conhece nada de história.
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
 
O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
 
*PB*
 
 
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
bem razoável...
 
*PB*
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
compreender que a maior parte da culpa por essa
situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
do cú dessa putada.
 
*PB*
 
 
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Vamos falar de Israel?


A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século


MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.
Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.
A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.
A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.
Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.
Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.
Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.
É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras.

jpcoutinho@folha.com.br





#121605 De: "Jivan Mukta" <renatoguenao@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 3:50 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
renatoguenao
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Faz-me rir.
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 09, 2010 11:08 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

mas a igreja não segue eles

sds
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Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_


---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 16:41:41 -0700 Jivan Mukta <renatoguenao@...> escreveu ----

 



Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
 
Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
 
 
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é medieval. 

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Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos <didimo_george@yahoo.com.br> escreveu ----

 

A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a merda que falou? 
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão pouco cristã 

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Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_

---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta <renatoguenao@yahoo.com.br> escreveu ----

 

O que só indica que você não conhece nada de história.
 
----- Original Message -----
From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
 
O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
 
*PB*
 
 
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
 
Abraços,
Dídimo Matos
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
bem razoável...
 
*PB*
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
compreender que a maior parte da culpa por essa
situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
do cú dessa putada.
 
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Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Vamos falar de Israel?


A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século


MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.
Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.
A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.
A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.
Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.
Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.
Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.
É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras.

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#121607 De: Amauri Jr A <amaurijunior23@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 4:02 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
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ta divertido mesmo, vc até quer mudar a kabala 

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Faz-me rir.
 
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Sent: Wednesday, June 09, 2010 11:08 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

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Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
 
Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
 
 
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Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é medieval. 

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A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a merda que falou? 
 
Abraços,
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"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão pouco cristã 

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O que só indica que você não conhece nada de história.
 
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Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
 
O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
 
*PB*
 
 
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
 
Abraços,
Dídimo Matos
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_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
bem razoável...
 
*PB*
 

Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
 
"É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
 que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
 têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
 o seu lado da questão. A outra parte da comparação
conhece ambos os lados."

From: Pesky Bee
Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
compreender que a maior parte da culpa por essa
situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
do cú dessa putada.
 
*PB*
 
 
 

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Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Vamos falar de Israel?


A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século


MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".
Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.
Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.
A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.
A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.
Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.
Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.
Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.
É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras.

jpcoutinho@folha.com.br






#121608 De: "constantor" <constantor@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 4:05 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
constantor
Offline Offline
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Chateado porque mostrei que a Igreja não é medieval, que Cristo não é medieval,
que Santo Agostinho não é medieval, que a Patrística não é medieval e que a
teologia também não é medieval?

Chora não.


--- Em Acropolis_@..., Amauri Jr A <amaurijunior23@...> escreveu
>
> ta divertido mesmo, vc até quer mudar a kabala
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> ganhe grana pesquisando &gt;&gt;&gt;
http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
>
>
> Votem em meu livro no
link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id\
=18953

>
> Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade
aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
> http://serumdeficiente.wordpress.com/
> http://methodossophia.wordpress.com/
>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 20:50:52 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@...
escreveu ----
>
> 
> Faz-me rir.
>
> ----- Original Message -----
> From: Amauri Jr A
> To: Acropolis_@...
> Sent: Wednesday, June 09, 2010 11:08 PM
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
> mas a igreja não segue eles
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> ganhe grana pesquisando &gt;&gt;&gt;
http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
>
>
> Votem em meu livro no
link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id\
=18953

>
> Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade
aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
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> http://methodossophia.wordpress.com/
>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 16:41:41 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@...
escreveu ----
>
> 
> Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
>
> Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
>
>
> ----- Original Message -----
> From: Amauri Jr A
> To: Acropolis_@...
> Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
> mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é
medieval.
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> Votem em meu livro no
link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id\
=18953

>
> Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade
aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
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> http://twitter.com/Amaurijr23
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>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos didimo_george@...
escreveu ----
>
>
> A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é
medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a
merda que falou?
>
> Abraços,
> Dídimo Matos
> http://didimomatos.zip.net
> http://twitter.com/didimogeorge
> _______________________
>
> "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> conhece ambos os lados."
>
>
>
> From: Amauri Jr A
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
> bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão
pouco cristã
>
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> Votem em meu livro no
link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id\
=18953

>
> Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade
aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
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>
>
>
>
> ---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@...
escreveu ----
>
>
> O que só indica que você não conhece nada de história.
>
> ----- Original Message -----
> From: Pesky Bee
> To: Acropolis_@...
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
> Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
> ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
> conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
>
> O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
>
> *PB*
>
>
>
>
>
> From: Dídimo Matos
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na
SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de
outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma
casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar
mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
>
> Abraços,
> Dídimo Matos
> http://didimomatos.zip.net
> http://twitter.com/didimogeorge
> _______________________
>
> "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> conhece ambos os lados."
>
>
>
> From: Pesky Bee
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
> bem razoável...
>
> *PB*
>
>
>
> From: Dídimo Matos
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
>
> Abraços,
> Dídimo Matos
> http://didimomatos.zip.net
> http://twitter.com/didimogeorge
> _______________________
>
> "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> conhece ambos os lados."
>
>
>
> From: Pesky Bee
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
> imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
> inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
> compreender que a maior parte da culpa por essa
> situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
> radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
> do cú dessa putada.
>
> *PB*
>
>
>
>
>
> From: Nivaldo Cordeiro
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
> To: rede-liberal@googlegroups.com ; olavopoa@... ;
Acropolis_@...
> Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> JOÃO PEREIRA COUTINHO
>
> Vamos falar de Israel? A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o
Oriente Médio numa guerra durante meio século
>
>
> MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus,
com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações
lancinantes contra o meu "sionismo militante".
> Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma
solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois
Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
> A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados;
ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
> Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de
1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer
programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a
Israel.
> Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus
esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista
analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente
inúteis.
> A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde
1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das
Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a
Palestina.
> A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente
proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes
da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi
recusada pelos árabes palestinos.
> Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao
terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a
solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os
árabes recusaram.
> Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947.
Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados
para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de
adivinhar o que aconteceu a seguir?
> Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio
numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta,
Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
> Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados
para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo
Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais
criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um
eufemismo.
> Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do
Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
> Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira
impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
> Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os
acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º);
exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como
prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos
dos Sábios do Sião" (art. 32º).
> Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas
autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção
judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os
pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
> É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas
de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino
historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu
presença judaica ao longo dos séculos.
> Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo
simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito
territorial.
> É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a
aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível,
tudo que resta são delírios e mentiras.
>
> jpcoutinho@...
>





#121609 De: Amauri Jr A <amaurijunior23@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 4:09 am
Assunto: Re: Re: João Pereira Coutinho
amaurijunior2
Offline Offline
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to cagando de rir, vc quer mudar a história do mundo, ta loko 

sds
Amauri -> SP/São Paulo 



Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_


---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 21:05:50 -0700 constantor <constantor@...> escreveu ----

 

Chateado porque mostrei que a Igreja não é medieval, que Cristo não é medieval, que Santo Agostinho não é medieval, que a Patrística não é medieval e que a teologia também não é medieval?

Chora não.

--- Em Acropolis_@..., Amauri Jr A <amaurijunior23@...> escreveu
>
> ta divertido mesmo, vc até quer mudar a kabala
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> ganhe grana pesquisando &gt;&gt;&gt; http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
>
>
> Votem em meu livro no link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
>
> Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
> http://serumdeficiente.wordpress.com/
> http://methodossophia.wordpress.com/
>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 20:50:52 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@... escreveu ----
>
> 
> Faz-me rir.
>
> ----- Original Message -----
> From: Amauri Jr A
> To: Acropolis_@...
> Sent: Wednesday, June 09, 2010 11:08 PM
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
> mas a igreja não segue eles
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> ganhe grana pesquisando &gt;&gt;&gt; http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
>
>
> Votem em meu livro no link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
>
> Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
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> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
> http://serumdeficiente.wordpress.com/
> http://methodossophia.wordpress.com/
>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 16:41:41 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@... escreveu ----
>
> 
> Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
>
> Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
>
>
> ----- Original Message -----
> From: Amauri Jr A
> To: Acropolis_@...
> Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
> mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é medieval.
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> Votem em meu livro no link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
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> Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
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>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos didimo_george@... escreveu ----
>
>
> A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a merda que falou?
>
> Abraços,
> Dídimo Matos
> http://didimomatos.zip.net
> http://twitter.com/didimogeorge
> _______________________
>
> "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> conhece ambos os lados."
>
>
>
> From: Amauri Jr A
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
> bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão pouco cristã
>
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> Votem em meu livro no link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
>
> Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
> http://serumdeficiente.wordpress.com/
> http://methodossophia.wordpress.com/
>
>
>
>
> ---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@... escreveu ----
>
>
> O que só indica que você não conhece nada de história.
>
> ----- Original Message -----
> From: Pesky Bee
> To: Acropolis_@...
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
> Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
> ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
> conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
>
> O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
>
> *PB*
>
>
>
>
>
> From: Dídimo Matos
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
>
> Abraços,
> Dídimo Matos
> http://didimomatos.zip.net
> http://twitter.com/didimogeorge
> _______________________
>
> "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> conhece ambos os lados."
>
>
>
> From: Pesky Bee
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
> bem razoável...
>
> *PB*
>
>
>
> From: Dídimo Matos
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
>
> Abraços,
> Dídimo Matos
> http://didimomatos.zip.net
> http://twitter.com/didimogeorge
> _______________________
>
> "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> conhece ambos os lados."
>
>
>
> From: Pesky Bee
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
> To: Acropolis_@...
> Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
> imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
> inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
> compreender que a maior parte da culpa por essa
> situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
> radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
> do cú dessa putada.
>
> *PB*
>
>
>
>
>
> From: Nivaldo Cordeiro
> Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
> To: rede-liberal@googlegroups.com ; olavopoa@... ; Acropolis_@...
> Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
>
>
>
>
>
> JOÃO PEREIRA COUTINHO
>
> Vamos falar de Israel? A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século
>
>
> MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".
> Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
> A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
> Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.
> Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.
> A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.
> A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
> Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.
> Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
> Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
> Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.
> Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
> Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
> Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
> Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
> É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.
> Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.
> É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras.
>
> jpcoutinho@...
>



#121625 De: "constantor" <constantor@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 4:26 am
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
constantor
Offline Offline
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
Mas veja, eu e Dídimo não te refutamos por mal, nem por nada pessoal. É que
achamos por bem restabelecer a verdade diante das tuas mentiras e ignorância.


--- Em Acropolis_@..., Amauri Jr A <amaurijunior23@...> escreveu
>
> to cagando de rir, vc quer mudar a história do mundo, ta loko
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> ganhe grana pesquisando &gt;&gt;&gt;
http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
>
>
> Votem em meu livro no
link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id\
=18953

>
> Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade
aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
> http://serumdeficiente.wordpress.com/
> http://methodossophia.wordpress.com/
>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 21:05:50 -0700 constantor constantor@... escreveu
----
>
> Chateado porque mostrei que a Igreja não é medieval, que Cristo não é
medieval, que Santo Agostinho não é medieval, que a Patrística não é medieval e
que a teologia também não é medieval?
>
> Chora não.
>
> --- Em Acropolis_@..., Amauri Jr A amaurijunior23@ escreveu
> &gt;
> &gt; ta divertido mesmo, vc até quer mudar a kabala
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; ganhe grana pesquisando &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;
http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no
link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/\
votar.php?id=18953

> &gt;
> &gt; Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e
espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;
http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 20:50:52 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@
escreveu ----
> &gt;
> &gt; 
> &gt; Faz-me rir.
> &gt;
> &gt; ----- Original Message -----
> &gt; From: Amauri Jr A
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Sent: Wednesday, June 09, 2010 11:08 PM
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt; mas a igreja não segue eles
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; ganhe grana pesquisando &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;
http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no
link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/\
votar.php?id=18953

> &gt;
> &gt; Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e
espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;
http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 16:41:41 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@
escreveu ----
> &gt;
> &gt; 
> &gt; Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
> &gt;
> &gt; Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
> &gt;
> &gt;
> &gt; ----- Original Message -----
> &gt; From: Amauri Jr A
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt; mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim
é medieval.
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no
link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/\
votar.php?id=18953

> &gt;
> &gt; Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e
espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;
http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos didimo_george@
escreveu ----
> &gt;
> &gt;
> &gt; A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é
medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a
merda que falou?
> &gt;
> &gt; Abraços,
> &gt; Dídimo Matos
> &gt; http://didimomatos.zip.net
> &gt; http://twitter.com/didimogeorge
> &gt; _______________________
> &gt;
> &gt; "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> &gt; um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> &gt; que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> &gt; têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> &gt; o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> &gt; conhece ambos os lados."
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Amauri Jr A
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e
tão pouco cristã
> &gt;
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no
link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/\
votar.php?id=18953

> &gt;
> &gt; Nosso Livro:::
http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e
espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;
http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@
escreveu ----
> &gt;
> &gt;
> &gt; O que só indica que você não conhece nada de história.
> &gt;
> &gt; ----- Original Message -----
> &gt; From: Pesky Bee
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt; Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
> &gt; ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
> &gt; conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
> &gt;
> &gt; O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
> &gt;
> &gt; *PB*
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Dídimo Matos
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está
tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma
ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o
quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua
cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho
da puta pra fora?
> &gt;
> &gt; Abraços,
> &gt; Dídimo Matos
> &gt; http://didimomatos.zip.net
> &gt; http://twitter.com/didimogeorge
> &gt; _______________________
> &gt;
> &gt; "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> &gt; um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> &gt; que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> &gt; têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> &gt; o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> &gt; conhece ambos os lados."
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Pesky Bee
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
> &gt; bem razoável...
> &gt;
> &gt; *PB*
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Dídimo Matos
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
> &gt;
> &gt; Abraços,
> &gt; Dídimo Matos
> &gt; http://didimomatos.zip.net
> &gt; http://twitter.com/didimogeorge
> &gt; _______________________
> &gt;
> &gt; "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> &gt; um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> &gt; que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> &gt; têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> &gt; o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> &gt; conhece ambos os lados."
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Pesky Bee
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
> &gt; imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
> &gt; inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
> &gt; compreender que a maior parte da culpa por essa
> &gt; situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
> &gt; radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
> &gt; do cú dessa putada.
> &gt;
> &gt; *PB*
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Nivaldo Cordeiro
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
> &gt; To: rede-liberal@googlegroups.com ; olavopoa@... ;
Acropolis_@...
> &gt; Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; JOÃO PEREIRA COUTINHO
> &gt;
> &gt; Vamos falar de Israel? A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou
o Oriente Médio numa guerra durante meio século
> &gt;
> &gt;
> &gt; MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca
expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações
lancinantes contra o meu "sionismo militante".
> &gt; Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma
solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois
Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
> &gt; A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois
Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão
internacional.
> &gt; Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados
de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um
qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem
a Israel.
> &gt; Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca
propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou
jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda,
comprovadamente inúteis.
> &gt; A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa:
desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga
das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico
para a Palestina.
> &gt; A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e
demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se
esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato
original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
> &gt; Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao
terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a
solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os
árabes recusaram.
> &gt; Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de
1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois
Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é
capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
> &gt; Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente
Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da
luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano
2000.
> &gt; Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois
Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o
novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto
mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um
eufemismo.
> &gt; Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência
do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
> &gt; Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira
impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
> &gt; Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega
todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art.
13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita,
como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado
"Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
> &gt; Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado
pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a
intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se
iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
> &gt; É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras
vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino
historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu
presença judaica ao longo dos séculos.
> &gt; Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma.
Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito
territorial.
> &gt; É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a
aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível,
tudo que resta são delírios e mentiras.
> &gt;
> &gt; jpcoutinho@
> &gt;
>





#121675 De: Amauri Jr A <amaurijunior23@...>
Data: Qui, 10 de Jun de 2010 8:05 pm
Assunto: Re: Re: João Pereira Coutinho
amaurijunior2
Offline Offline
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quem ta mentindo? quem disse pra vc, por exemplo, se jesus foi ou não kabalista? como judeu, ele pode ter tido contato com muitos estudos que lhe mostraram seu caminho espiritual. Tanto que os seus discipulos te chamavam de "rabi", mostrando, que ele era rabino.

sds
Amauri -> SP/São Paulo 



Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_


---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 21:26:13 -0700 constantor <constantor@...> escreveu ----

 

Mas veja, eu e Dídimo não te refutamos por mal, nem por nada pessoal. É que achamos por bem restabelecer a verdade diante das tuas mentiras e ignorância.

--- Em Acropolis_@..., Amauri Jr A <amaurijunior23@...> escreveu
>
> to cagando de rir, vc quer mudar a história do mundo, ta loko
>
> sds
> Amauri -&gt; SP/São Paulo
>
>
> ganhe grana pesquisando &gt;&gt;&gt; http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
>
>
> Votem em meu livro no link&gt;&gt;&gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
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> Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &gt;&gt;&gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
>
> http://twitter.com/Amaurijr23
> http://masterofdarkness.multiply.com
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>
>
>
>
> ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 21:05:50 -0700 constantor constantor@... escreveu ----
>
> Chateado porque mostrei que a Igreja não é medieval, que Cristo não é medieval, que Santo Agostinho não é medieval, que a Patrística não é medieval e que a teologia também não é medieval?
>
> Chora não.
>
> --- Em Acropolis_@..., Amauri Jr A amaurijunior23@ escreveu
> &gt;
> &gt; ta divertido mesmo, vc até quer mudar a kabala
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; ganhe grana pesquisando &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt; http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
> &gt;
> &gt; Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
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> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
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> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 20:50:52 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@ escreveu ----
> &gt;
> &gt; 
> &gt; Faz-me rir.
> &gt;
> &gt; ----- Original Message -----
> &gt; From: Amauri Jr A
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Sent: Wednesday, June 09, 2010 11:08 PM
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt; mas a igreja não segue eles
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; ganhe grana pesquisando &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt; http://www.wibi.com.br/cadastro/?amigo=39902
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
> &gt;
> &gt; Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 16:41:41 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@ escreveu ----
> &gt;
> &gt; 
> &gt; Inclusive a de Sao João Apóstolo, que foi contemporâneo de Cristo?
> &gt;
> &gt; Inclusive a de São Gregório o Teólogo, que viveu no século IV?
> &gt;
> &gt;
> &gt; ----- Original Message -----
> &gt; From: Amauri Jr A
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Sent: Wednesday, June 09, 2010 1:23 PM
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt; mas os ensinamentos de Jesus não são medievais mesmo, toda teologia sim é medieval.
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
> &gt;
> &gt; Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Wed, 09 Jun 2010 09:17:58 -0700 Dídimo Matos didimo_george@ escreveu ----
> &gt;
> &gt;
> &gt; A patrística é cristã e parte dela é medieval, mas o cristianismo não é medieval, sua afirmação foi essa e agora t''a querendo mudar de assunto. Notou a merda que falou?
> &gt;
> &gt; Abraços,
> &gt; Dídimo Matos
> &gt; http://didimomatos.zip.net
> &gt; http://twitter.com/didimogeorge
> &gt; _______________________
> &gt;
> &gt; "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> &gt; um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> &gt; que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> &gt; têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> &gt; o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> &gt; conhece ambos os lados."
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Amauri Jr A
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:57 PM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; bom, vc também não, quer me convencer que a patristica não é medieval e tão pouco cristã
> &gt;
> &gt;
> &gt; sds
> &gt; Amauri -&amp;gt; SP/São Paulo
> &gt;
> &gt;
> &gt; Votem em meu livro no link&amp;gt;&amp;gt;&amp;gt;http://premio.clubedeautores.com.br/web/site_premio/votar.php?id=18953
> &gt;
> &gt; Nosso Livro::: http://clubedeautores.com.br/book/18953--Liberdade_e_Deficiencia_
> &gt; Quem quiser fazer perguntas sobre deficiencia, filosofia e espiritualidade aqui ó &amp;gt;&amp;gt;&amp;gt; http://www.formspring.me/Amaurinolascosj
> &gt;
> &gt; http://twitter.com/Amaurijr23
> &gt; http://masterofdarkness.multiply.com
> &gt; http://serumdeficiente.wordpress.com/
> &gt; http://methodossophia.wordpress.com/
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; ---- Ligado Tue, 08 Jun 2010 14:43:39 -0700 Jivan Mukta renatoguenao@ escreveu ----
> &gt;
> &gt;
> &gt; O que só indica que você não conhece nada de história.
> &gt;
> &gt; ----- Original Message -----
> &gt; From: Pesky Bee
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 6:30 PM
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt; Mas Didimão, é essa a historinha que descreve o que
> &gt; ocorre lá no Oriente Médio? Porque não é isso o que eu
> &gt; conheço. Tu aprontou uma big distorção, não foi não?
> &gt;
> &gt; O Victrolla quando ouvir isso vai ter um ataque...
> &gt;
> &gt; *PB*
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Dídimo Matos
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:55 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Não é uma questão de achar Pesky. Pense o seguinte: vc está tranquilamente na SUA casa. De repente, alguém entra no seu quintal com uma ordem da prefeitura de outro município em outro estado(ING) dizendo que o quintal é dele. Constrói uma casa e como se não bastasse, ainda te toma a tua cozinha. Tu ia querer botar mais um número na placa residencial ou botar o filho da puta pra fora?
> &gt;
> &gt; Abraços,
> &gt; Dídimo Matos
> &gt; http://didimomatos.zip.net
> &gt; http://twitter.com/didimogeorge
> &gt; _______________________
> &gt;
> &gt; "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> &gt; um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> &gt; que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> &gt; têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> &gt; o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> &gt; conhece ambos os lados."
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Pesky Bee
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 11:24 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Mas Didimão, porque tu achas que é mentira? Eu achei
> &gt; bem razoável...
> &gt;
> &gt; *PB*
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Dídimo Matos
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 10:42 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Era tudo que tu queria, né? Uma mentira pra se escorar.
> &gt;
> &gt; Abraços,
> &gt; Dídimo Matos
> &gt; http://didimomatos.zip.net
> &gt; http://twitter.com/didimogeorge
> &gt; _______________________
> &gt;
> &gt; "É melhor ser um ser humano insatisfeito do que
> &gt; um porco satisfeito; um Sócrates insatisfeito do
> &gt; que um idiota satisfeito. E se o idiota, ou o porco,
> &gt; têm opinião diferente, é porque apenas conhecem
> &gt; o seu lado da questão. A outra parte da comparação
> &gt; conhece ambos os lados."
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Pesky Bee
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 9:34 AM
> &gt; To: Acropolis_@...
> &gt; Subject: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; Esse artigo é uma das melhores coisas que li sobre esse
> &gt; imbróglio Israel/Palestina. O Coutinho realmente estava
> &gt; inspirado quando o escreveu. Finalmente consegui
> &gt; compreender que a maior parte da culpa por essa
> &gt; situação de merda do Oriente Médio é dos árabes e dos
> &gt; radicais islâmicos. Um pau beeeeeeeem grosso no olho
> &gt; do cú dessa putada.
> &gt;
> &gt; *PB*
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; From: Nivaldo Cordeiro
> &gt; Sent: Tuesday, June 08, 2010 8:40 AM
> &gt; To: rede-liberal@googlegroups.com ; olavopoa@... ; Acropolis_@...
> &gt; Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt;
> &gt; JOÃO PEREIRA COUTINHO
> &gt;
> &gt; Vamos falar de Israel? A recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra durante meio século
> &gt;
> &gt;
> &gt; MEA CULPA: tantas vezes escrevi sobre Israel e os palestinos que nunca expus, com humildade, a minha solução para o conflito. Isso desperta acusações lancinantes contra o meu "sionismo militante".
> &gt; Pai, perdoa-lhes, porque eles não sabem o que fazem. Eu sempre tive uma solução salomônica. A minha solução assenta na necessidade de existirem dois Estados -um israelense, outro palestino- com fronteiras seguras e reconhecidas.
> &gt; A minha solução recomenda ainda que Jerusalém seja a capital dos dois Estados; ou, em alternativa, que seja uma "cidade franca", sob supervisão internacional.
> &gt; Por último, a minha solução implica o direito de retorno dos refugiados de 1948 e 1967 para um novo Estado palestino. Admito que, ao abrigo de um qualquer programa de "reunificação familiar", alguns desses refugiados regressem a Israel.
> &gt; Escrevo tudo isso e, relendo, percebo de imediato por que motivo nunca propus esses passos milagrosos, hoje repetidos por qualquer político ou jornalista analfabeto. É que esses passos são inúteis e, pior ainda, comprovadamente inúteis.
> &gt; A solução dos dois Estados tem sido proposta desde 1947; peço desculpa: desde 1937; peço desculpa: desde 1919, ou seja, desde o momento em que a Liga das Nações, nos escombros da Primeira Guerra, determinou um mandato britânico para a Palestina.
> &gt; A ideia, generosa, era proporcionar uma divisão equitativa e demograficamente proporcional entre judeus e árabes palestinos (isso se esquecermos que os árabes da Transjordânia já tinham ficado com 80% do mandato original). A ideia foi recusada pelos árabes palestinos.
> &gt; Recusada em 1919 e recusada em 1937, quando a Comissão Peel, enviada ao terreno para averiguar as causas da violência entre os povos, voltou a repetir a solução dos dois Estados. Os judeus aceitaram as recomendações da Comissão; os árabes recusaram.
> &gt; Foi assim que o mundo chegou ao plano de partição das Nações Unidas de 1947. Onde se escutou, já sem grande entusiasmo, a cantiga do costume: dois Estados para dois povos; e Jerusalém sob jurisdição internacional. O leitor é capaz de adivinhar o que aconteceu a seguir?
> &gt; Eu conto: a recusa palestina em aceitar dois Estados lançou o Oriente Médio numa guerra permanente -durante meio século. Até o dia em que, cansados da luta, Yasser Arafat e Ehud Barak se encontraram em Camp David; corria o ano 2000.
> &gt; Ehud Barak tinha uma ideia luminosa para terminar o conflito: dois Estados para dois povos; Jerusalém partilhada; e o retorno dos refugiados para o novo Estado palestino (e alguns para Israel). Dizer que Arafat cometeu o gesto mais criminoso de toda a história do conflito, recusando a oferta, seria um eufemismo.
> &gt; Como seria um eufemismo escrever que o conflito piorou com a emergência do Hamas em Gaza, depois da retirada voluntária de Israel em 2005.
> &gt; Lendo a imprensa dos últimos dias, qualquer leitor ficou com a ligeira impressão de que o Hamas é uma entidade "humanitária". Será?
> &gt; Basta ler a sua carta operativa fundamental, onde a organização nega todos os acordos de paz, passados ou futuros, com a "entidade sionista" (art. 13º); exorta todos os palestinos à jihad e ao martírio (art. 35º); e até cita, como prova da maldade sionista, esse best-seller internacional intitulado "Protocolos dos Sábios do Sião" (art. 32º).
> &gt; Os "Protocolos", escusado será dizer, não passam de um documento forjado pelas autoridades czaristas em finais do século 19, que tentavam "provar" a intenção judaica de dominar o mundo. Foi o pretexto que faltava para que se iniciassem os pogroms assassinos contra a população judaica do Império Russo.
> &gt; É, aliás, no seguimento dessas perseguições que se iniciam as primeiras vagas de emigração para a Palestina (então parte do Império Otomano), um destino historicamente relevante para os judeus da diáspora e onde sempre existiu presença judaica ao longo dos séculos.
> &gt; Regresso ao início: a minha solução para o conflito? Não tenho nenhuma. Pelo simples motivo de que o conflito não é, porque nunca foi, um conflito territorial.
> &gt; É um conflito puramente ideológico, em que uma parte sempre se recusou a aceitar a existência da outra. Sem enfrentar essa verdade terrível e indizível, tudo que resta são delírios e mentiras.
> &gt;
> &gt; jpcoutinho@
> &gt;
>



#109101 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 12 de Jan de 2010 2:33 pm
Assunto: João Pereira Coutinho
nivaldocordeiro
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

O tédio dos apocalíticos


Resta perguntar: como se explicam os nossos recorrentes namoros com o apocalipse?


SEMPRE GOSTEI do fim do mundo. Não falo da Amazônia, não falo do Alasca. Falo do fim do mundo em minha casa. Ou na sala de cinema, onde o fim do mundo normalmente acontece.
É um fetiche: um filme em que a humanidade é devastada por um vírus/um extraterrestre/um cometa/ uma guerra/um desastre climatérico/uma profecia primitiva (ah, escolham vocês) e eu estou sentado na primeira fila, como uma criança fascinada pelo Papai Noel.
Mais ainda: em privado, tenho uma coleção generosa de DVDs sobre o dito cujo -o apocalipse, não o Papai Noel. Sou, no fundo, como certos cavalheiros vitorianos, que colecionavam pornografia francesa em vãos de escada.
No meu caso, depois da estante das comédias, dos westerns, dos musicais e dos solenes "filmes de autor", há uma parede falsa que se abre para um mundo mágico: o mundo onde estaremos todos exterminados amanhã de manhã.
Claro que existe uma diferença entre mim e a restante espécie. Os meus apocalipses são no cinema e duram, no máximo, duas horas. Para a restante espécie, os apocalipses são na vida real.
Nesta virada do ano, por exemplo, não faltaram textos na imprensa a lembrar o fato: desde 2000 que vivemos a fantasiar e a tremer com a ameaça da nossa própria aniquilação coletiva. O pesadelo começou logo em finais de 1999, como lembram Denis Dutton (no "New York Times") ou Daniel Kalder (na "Spectator"): esse foi o momento em que um vírus informático de nome impronunciável (Y2K) prometia bloquear os computadores e atirar o planeta de volta para a Idade da Pedra.
Não aconteceu nada: falhas mínimas, risíveis, depois de bilhões de dólares dos governos a preparar os seus sistemas informáticos para o pior. Quando a Terra entrou em 2000, a Terra continuou o seu caminho. Suspiros de alívio.
Por pouco tempo: se um vírus informático não devastava a humanidade, os animais talvez o fizessem. Vieram as vacas. De preferência, loucas. E prontas para enlouquecer os comedores de carne com doença neurológica e genocida. Foi a ruína: dos produtores de carne, não dos comedores dela.
E quando não eram as vacas, eram as aves que espirravam na Ásia e constipavam o Ocidente. Ou então os porcos, com suas gripes pandêmicas e destrutivas. A última aconteceu em 2009. Ou, para sermos rigorosos, não aconteceu. Estranhamente, as gripes aviárias e suínas desapareceram como apareceram: sem ninguém saber como, para onde, por quê.
Um apocalipse, porém, continua a pairar sobre as nossas cabeças amedrontadas: o aquecimento global.
Tem uma certa piada escrever isso quando, em Lisboa, nesse preciso momento, olho pela janela e está um frio digno de esquimós. Mas esta evidência empírica, juntamente com a evidência empírica de que as temperaturas estabilizaram desde inícios do século 21, não arrefeceu o único aquecimento que existe: o aquecimento mental dos catastrofistas.
Depois das vacas, das aves e dos porcos, o apocalipse, afinal, vem de cima. Que poético! Que providencial! Que apropriado! Resta perguntar: como se explicam os nossos recorrentes namoros com o apocalipse?
Sim, a herança judaico-cristã pode ter um papel decisivo na nossa concepção escatológica da história: na crença de um tempo final em que os seres humanos serão punidos por pecados seculares. Mas o namoro com o apocalipse talvez tenha uma explicação mais prosaica: o tédio.
No século 20, havia motivos sérios para acreditar na ameaça apocalítica. Duas guerras mundiais não ajudaram o otimismo da espécie humana; e a Guerra Fria, com sua destruição mútua assegurada através de armamento nuclear, permitia todos os pesadelos lúgubres.
Mas, hoje, no meio da afluência ocidental, não estaremos a exagerar um bocadinho?
Curiosamente, é a afluência que leva os homens a procurar alguma adrenalina. As necessidades básicas estão suprimidas para a maioria do rebanho. E, com a desagregação da União Soviética, os horrores da guerra são hoje um cenário distante, que ocupa o noticiário da noite.
Mesmo o terrorismo, que continua a pender sobre a cabeça dos ocidentais, não promete acabar com tudo. Promete acabar com algumas coisas. É pouco. E nós queremos mais. Queremos abraçar o apocalipse, no cinema ou na realidade, porque existe um tédio de morte a mendigar uma excitação de morte.

jpcoutinho@...


#110214 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 26 de Jan de 2010 3:53 pm
Assunto: João Pereira Coutinho
nivaldocordeiro
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

O homem que vivia nas nuvens


Estar "nas nuvens" é a condição existencial de Ryan, que vive acima das preocupações do mundo


RYAN BINGHAM tem uma filosofia. Imaginem uma sacola. Vazia. Agora comecem a enchê-la. Com tudo aquilo que faz parte da vida. Primeiro, os objetos. Dos mais pequenos aos maiores, dos mais leves aos mais pesados. Depois, pessoas. Amigos, família.
Namoradas, mulheres. E filhos, não se esqueçam dos filhos. Com a sacola às costas, tentem agora caminhar. É nesse momento que o auditório da palestra ri com a metáfora do palestrante. Ryan Bingham ri com o auditório e termina com a definição sacramental: "Nós não somos cisnes. Somos tubarões".
Que o mesmo é dizer: os seres humanos não foram feitos para parar. Não foram feitos para manterem ligações essenciais com coisas, pessoas, lugares. Os seres humanos foram feitos para avançar. Sempre e sempre e sempre.
E, no caso de Ryan, para voar: de cidade em cidade, milha após milha, com o propósito de demitir empregados que as próprias empresas já não têm coragem para mandar embora, olhos nos olhos. Ryan cumpre esse trabalho sujo e até dá um toque humano ao momento, como os matadores de arena na presença da sua presa.
Ryan Bingham é o personagem de George Clooney em "Up in the Air", terceiro filme de Jason Reitman e inacreditavelmente traduzido no Brasil por "Amor sem Escalas". Digo inacreditavelmente porque o título do filme é a chave para entender metade dele.
"Up in the Air", "lá em cima", "nas nuvens", não é apenas o espaço existencial onde Ryan Bingham gosta de estar: sempre em movimento, com o objetivo infantil de acumular dez milhões de milhas e ter direito a cartão e tratamento aéreo preferencial. "Nas nuvens" é a condição existencial de Ryan: acima do mundo, acima das preocupações do mundo, acima dos terráqueos que o habitam. E com a sacola vazia.
Pelo menos, assim será até o dia em que a sacola começa a ficar mais pesada. No bar de um hotel, Ryan encontra o seu clone. "Pense em mim como alguém igual a você, mas com uma vagina", diz-lhe Alex, um tubarão como ele. É o arranjo perfeito: uma bela mulher sem ilusões românticas de belas mulheres? Sem exigir presença ou compromisso?
É o arranjo perfeito, disse eu, ou diria ainda, se o amor, esse demônio ladino, não se introduzisse pelo meio, disposto a transformar o tubarão Ryan no cisne Bingham. Disposto a obrigar o homem das nuvens a descer à terra. E ele desce. Mas, pergunta fatal, pode alguém que vive de ilusões reconhecer ainda uma?
"Up in the Air" foi descrito nos textos promocionais como um filme sobre a crise econômica atual e o desemprego inevitável que, só nos Estados Unidos, ultrapassou a barreira impensável dos 10%. É uma forma de ver as coisas.
Outra é dizer que, na Hollywood infantil dos últimos anos, o filme de Jason Reitman é um produto estranho e assaz amargo.
Estranho, porque capaz de lidar com o tema mais complexo, e mais onipresente, e talvez por isso mais ignorado da nossa condição contemporânea: a solidão que a habita; ou, se preferirem, a solidão que habita as ilusões dos homens modernos: "homens sem qualidades" que mascaram o vazio abissal dos seus dias com a vertigem da impermanência.
Mas o filme é amargo ao mostrar, sem sentimentalismos ou redenções de qualquer espécie, como é doloroso o fim dessas ilusões. Verdade que nada disso seria possível sem a composição magistral de George Clooney. Já assisti a demasiado cinema e a demasiado teatro para me deixar impressionar pelos macaquinhos do "Método". A composição de Clooney, capaz de oscilar entre o ritmo da "screwball comedy" e o silêncio sutil do fracasso, é tão perfeita que a confundimos facilmente com a "leveza" ilusória das nuvens onde ele vive.
E, no final do filme, é a elas que regressamos. Um longo plano sobre um tapete branco e a voz de Ryan Bingham pairando sobre ele. E sobre nós. "Hoje à noite, quando olharem para as estrelas", diz-nos Ryan, "haverá uma luz ainda mais brilhante que estará por cima delas." É a luz do seu voo rumo a parte nenhuma, como se uma tal proclamação fosse motivo para triunfos.
Não é. Ele sabe disso. Nós sabemos disso. E, em dissonância perfeita com as palavras falsamente triunfais de Ryan, temos a evidência das nuvens à nossa frente. Só então percebemos, talvez pela primeira vez, como eram certos os versos de W. H. Auden sobre a lua. Sim, a lua é bela. Tal como as nuvens. Mas a lua são desertos.

jpcoutinho@...


#110219 De: john constantine <jjohnconstantine@...>
Data: Ter, 26 de Jan de 2010 3:26 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
john_constan...
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Bem, o cara não faz mal para ninguém. Que há para criticar, afinal?

Algo parecido acontece/eu com estrelas do cinema, música, etc. Até mesmo com alguns religiosos e místicos. Suas vidas podem ser vazias, mas produzem bons efeitos nas vidas dos outros. Não é um bom motivo para ser um tubarão?

Como dizem os juristas, não há nulidade sem prejuízo.

2010/1/26 Nivaldo Cordeiro <nivaldocordeiro@...>
 

 
JOÃO PEREIRA COUTINHO

O homem que vivia nas nuvens


Estar "nas nuvens" é a condição existencial de Ryan, que vive acima das preocupações do mundo


RYAN BINGHAM tem uma filosofia. Imaginem uma sacola. Vazia. Agora comecem a enchê-la. Com tudo aquilo que faz parte da vida. Primeiro, os objetos. Dos mais pequenos aos maiores, dos mais leves aos mais pesados. Depois, pessoas. Amigos, família.
Namoradas, mulheres. E filhos, não se esqueçam dos filhos. Com a sacola às costas, tentem agora caminhar. É nesse momento que o auditório da palestra ri com a metáfora do palestrante. Ryan Bingham ri com o auditório e termina com a definição sacramental: "Nós não somos cisnes. Somos tubarões".
Que o mesmo é dizer: os seres humanos não foram feitos para parar. Não foram feitos para manterem ligações essenciais com coisas, pessoas, lugares. Os seres humanos foram feitos para avançar. Sempre e sempre e sempre.
E, no caso de Ryan, para voar: de cidade em cidade, milha após milha, com o propósito de demitir empregados que as próprias empresas já não têm coragem para mandar embora, olhos nos olhos. Ryan cumpre esse trabalho sujo e até dá um toque humano ao momento, como os matadores de arena na presença da sua presa.
Ryan Bingham é o personagem de George Clooney em "Up in the Air", terceiro filme de Jason Reitman e inacreditavelmente traduzido no Brasil por "Amor sem Escalas". Digo inacreditavelmente porque o título do filme é a chave para entender metade dele.
"Up in the Air", "lá em cima", "nas nuvens", não é apenas o espaço existencial onde Ryan Bingham gosta de estar: sempre em movimento, com o objetivo infantil de acumular dez milhões de milhas e ter direito a cartão e tratamento aéreo preferencial. "Nas nuvens" é a condição existencial de Ryan: acima do mundo, acima das preocupações do mundo, acima dos terráqueos que o habitam. E com a sacola vazia.
Pelo menos, assim será até o dia em que a sacola começa a ficar mais pesada. No bar de um hotel, Ryan encontra o seu clone. "Pense em mim como alguém igual a você, mas com uma vagina", diz-lhe Alex, um tubarão como ele. É o arranjo perfeito: uma bela mulher sem ilusões românticas de belas mulheres? Sem exigir presença ou compromisso?
É o arranjo perfeito, disse eu, ou diria ainda, se o amor, esse demônio ladino, não se introduzisse pelo meio, disposto a transformar o tubarão Ryan no cisne Bingham. Disposto a obrigar o homem das nuvens a descer à terra. E ele desce. Mas, pergunta fatal, pode alguém que vive de ilusões reconhecer ainda uma?
"Up in the Air" foi descrito nos textos promocionais como um filme sobre a crise econômica atual e o desemprego inevitável que, só nos Estados Unidos, ultrapassou a barreira impensável dos 10%. É uma forma de ver as coisas.
Outra é dizer que, na Hollywood infantil dos últimos anos, o filme de Jason Reitman é um produto estranho e assaz amargo.
Estranho, porque capaz de lidar com o tema mais complexo, e mais onipresente, e talvez por isso mais ignorado da nossa condição contemporânea: a solidão que a habita; ou, se preferirem, a solidão que habita as ilusões dos homens modernos: "homens sem qualidades" que mascaram o vazio abissal dos seus dias com a vertigem da impermanência.
Mas o filme é amargo ao mostrar, sem sentimentalismos ou redenções de qualquer espécie, como é doloroso o fim dessas ilusões. Verdade que nada disso seria possível sem a composição magistral de George Clooney. Já assisti a demasiado cinema e a demasiado teatro para me deixar impressionar pelos macaquinhos do "Método". A composição de Clooney, capaz de oscilar entre o ritmo da "screwball comedy" e o silêncio sutil do fracasso, é tão perfeita que a confundimos facilmente com a "leveza" ilusória das nuvens onde ele vive.
E, no final do filme, é a elas que regressamos. Um longo plano sobre um tapete branco e a voz de Ryan Bingham pairando sobre ele. E sobre nós. "Hoje à noite, quando olharem para as estrelas", diz-nos Ryan, "haverá uma luz ainda mais brilhante que estará por cima delas." É a luz do seu voo rumo a parte nenhuma, como se uma tal proclamação fosse motivo para triunfos.
Não é. Ele sabe disso. Nós sabemos disso. E, em dissonância perfeita com as palavras falsamente triunfais de Ryan, temos a evidência das nuvens à nossa frente. Só então percebemos, talvez pela primeira vez, como eram certos os versos de W. H. Auden sobre a lua. Sim, a lua é bela. Tal como as nuvens. Mas a lua são desertos.

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#111337 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 16 de Fev de 2010 12:27 pm
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Matadouros


Empresa suíça que oferece suicídio assistido choca pela natureza industrial


SOU contra a pena de morte. Não interessa se a pessoa a merece. Ou se a solicita. Matar é matar. Excluindo casos de autodefesa, que não entram na categoria, penas capitais são homicídios voluntários. Ludwig Minelli discorda. Quem é Minelli? Segundo a última edição da revista americana "The Atlantic", que dedica ao homem artigo notável e arrepiante, é fundador da polêmica Dignitas, empresa suíça que permite uma morte eficaz a quem não tem uma vida plena. Ou, no mínimo, perspectivas de uma vida plena.
Até o momento, foram mil os clientes da Dignitas que entraram pelo próprio pé e saíram entre quatro tábuas, ou reduzidas a uma urna de cinzas. Existem 6.000 na lista para limpeza futura. E o sonho de Minelli, se "sonho" é a palavra certa para aspiração tão macabra, é poder um dia aplicar o tratamento a qualquer pessoa que o deseje, doente ou não. Nas palavras de Minelli, o suicídio é "o último direito humano".
Verdade que a Suíça não está isolada na lista dos países onde o suicídio assistido é legal. Na Holanda, na Bélgica, no Luxemburgo e em certos Estados americanos, como em Wa- shington ou Montana, doentes terminais podem apressar o fim. Mas a Suíça é mais "liberal" na prática; e a Dignitas é o símbolo dessa liberalidade, aceitando clientes de todo o mundo que viajam para Zurique em busca de uma saída. "Turismo suicida", eis o nome do fluxo. Que nome.
O artigo não tece nenhum julgamento sobre as práticas de Minelli. A lei permite. Cumpra-se a lei. Mas, lendo as descrições do negócio, é difícil não sentir um arrepio de horror pela espinha abaixo.
O horror começa na natureza "industrial" das matanças. O cliente chega. É instalado em quarto da empresa. No dia combinado, e na hora estabelecida, é levado para uma divisão apropriada, onde recebe uma mistura química que vai neutralizando os seus sinais vitais.
Finalmente morto, o corpo é removido. Conta Minelli que, antes da Dignitas ter instalações mais apropriadas, longe da vista comum, o cortejo de corpos provocava indignação entre as vizinhanças burguesas. Imagino.
Depois de removidos, os corpos são levados para os fornos crematórios. Onde eu já ouvi isso? Aliás, as ressonâncias do cenário não ficam pelos fornos. Também se aplicam ao método. Na Suíça, existem quatro grandes empresas que operam no negócio da morte. E todas elas usam pentobarbital sódico, uma combinação poderosa que permite uma morte "limpa" e "indolor". Infelizmente para Minelli, os médicos não são generosos na prescrição do pentobarbital, e a maioria desaprova os entusiasmos mórbidos da Dignitas. Minelli tem procurado outros meios para os mesmos fins.
Nos últimos tempos, tem gaseado os clientes. O espetáculo, admite o próprio, não é bonito de ver. Um corpo moribundo, perpassado por violentos espasmos, nunca é bonito de ver. Mas, garante Minelli, não há qualquer dor no processo.
Acredito. Mas a dor não é apenas uma questão física; também existe uma dor moral que parece ausente da consciência do homem. Minelli e seus cúmplices aproximam-se da morte, e da eliminação física de seres humanos, com a mesma naturalidade mecânica que podemos observar nos matadouros. A lei permite? Sem dúvida.
Mas essa espécie de positivismo ético não nos leva longe: uma história da legislação humana, ao longo dos tempos, seria sempre uma história de brutalidades abençoadas pelos códigos. O negócio de Minelli suplanta os códigos e lida com a pergunta última da nossa condição: seremos apenas meros animais para abate quando a doença nos visita?
P.S.: Defender a TV é arriscado. Existe sempre uma patrulha politicamente correta para quem a caixa que mudou o mundo é, sobretudo, a caixa que corrompe o mundo.
Duas semanas atrás, nesta coluna, escrevi artigo no qual procurava mostrar as virtudes da TV, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento ("Em defesa da televisão", 2/2/09). Dizia eu que a TV era um importante instrumento de literacia, liberdade individual e independência econômica.
Alguns zelotes não gostaram da tese e usaram o e-mail para acusações severas de "rebaixamento cultural"". Não respondo. Exceto para citar o final do texto: "Quando as "elites" criticam a televisão, o principal receio delas não são as "más influências" das novelas. São, ironicamente, as boas influências. Porque as "elites" sabem que, se o povo continua a imitá-las, um dia será como elas".

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#112185 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 23 de Fev de 2010 11:10 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Os filhos de Michael Haneke


Com pedagogia vulgar, "A Fita Branca" reduz o nazismo a um problema de autoestima alemão

COMO explicar o abismo de loucura, violência e desumanidade em que a Alemanha mergulhou a partir de 1933?
Existem explicações para todos os gostos. Históricas. Rácicas. Econômicas. Psicológicas. Até parapsicológicas.
Hitler era um produto da humilhação do Tratado de Versalhes e da falência da República de Weimar. Hitler alimentava um ódio aos judeus porque tivera experiências humilhantes com eles. Hitler era filho bastardo e transportou as suas inseguranças para a esfera pública. Hitler era impotente. Hitler era gay. Hitler era um extraterrestre. Ninguém sabe o que fazer com Hitler.
Michael Haneke pertence a essa longa galeria de exegetas e o seu último filme, "A Fita Branca", atualmente em exibição, é outra tentativa de resposta.
Ponto prévio: não sou um fã de Haneke. A sua visão negra da natureza humana deveria fazer as delícias de um pessimista antropológico como eu? Admito que sim. Mas o cinema de Haneke, de um rigor formal absoluto, não é feito por um ser humano; é feito pela cabeça geométrica de um robô. E eu não gosto de robôs.
"A Fita Branca" cumpre o programa na perfeição. Estamos na Alemanha, em vésperas da Primeira Guerra Mundial. Comunidade rural e protestante. Subitamente, começam a suceder crimes sem explicação óbvia.
O médico da aldeia cai do cavalo porque alguém colocara um fio de náilon no caminho. O filho do barão local é barbaramente espancado em dia festivo para a aldeia. Uma criança deficiente é amarrada a uma árvore e quase desfigurada. No final, a criança desaparece sem deixar nenhum rastro.
O filme de Haneke vai construindo essa sucessão de crimes, ao mesmo tempo que revela outros: crimes mais íntimos, mais privados. Mais, digamos, "familiares".
O médico, que começa como vítima, afinal revela-se um monstro moral na sua relação incestuosa com a filha e na forma humilhante como trata a sua amante clandestina. Sem falar do pastor da terra que, apesar de conservar a distinção básica entre o bem e o mal, é dotado de uma inflexibilidade ética, de uma ausência de compaixão genuína, que o leva a extremos de crueldade para com a própria descendência.
E no final dessa longa galeria de horrores, vem a pergunta policial: quem cometeu os crimes? Mais ainda: por que motivo esses crimes são cometidos?
A única pista que Haneke nos deixa aparece em bilhete manuscrito com evocação bíblica apropriada: "Porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração". Hipótese fatal: serão então as crianças, vítimas da brutalidade paterna, os carrascos da Alemanha e da Europa futuras?
Não nego que "A Fita Branca", premiado em Cannes, é esteticamente apelativo: filmado e narrado em tom de documentário, com um preto e branco granulado e "artesanal", a obra de Haneke tem ainda o talento supremo de oferecer personagens quase fantasmagóricas no seu anacronismo expressivo. Assistimos ao filme de Haneke e até acreditamos que cada fotograma foi fixado por August Sander, o fotógrafo germânico que deixou importante espólio retratista sobre o mundo que a Segunda Guerra Mundial enterrou de vez.
Mas o meu desconforto com o filme de Haneke não é formal. É, se quiserem, histórico e até filosófico. Haneke não procura apenas oferecer uma meditação sobre o mal: Haneke procura explicá-lo. Uma forma de arqueologia moral que remete a deriva criminosa do nazismo para a infância dos seus carrascos.
Aliás, na mundividência de Haneke, os nazistas não seriam propriamente carrascos. Seriam, primeiro que tudo, vítimas de outros carrascos. A ideia de um nazista como vítima da violência inata e orgânica da sociedade alemã pré-1914 é uma forma perversa, ainda que involuntária, de absolver qualquer criminoso de todos os seus atos mais nefandos.
Entre 1933 e 1945, o caminho trilhado pela Alemanha não estava inscrito nos pais dessa Alemanha. Estava inscrito na forma como a natureza humana se acomoda à "banalidade do mal": como segue ordens sem as questionar; como abdica da sua consciência última; como acredita na criação de um estado de perfeição rácico que implica, e justifica, e desculpa, todas as atrocidades.
Na sua pedagogia vulgar, "A Fita Branca" reduz o nazismo a um problema de autoestima. Não conheço maior insulto: à inteligência dos presentes e à memória dos ausentes.

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#112834 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 2 de Mar de 2010 10:59 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Santas e prostitutas


Proibir o comercial de Paris Hilton é, tão simplesmente, um insulto às mulheres


CENSURAR Paris Hilton é um gesto honroso e até higiênico: na sua vulgaridade plástica, Paris Hilton é um insulto à beleza natural das mulheres brasileiras. Fosse eu presidente da República e jamais Paris Hilton poderia estrelar em comercial televisivo. Seria como convidar um futebolista californiano para jogar na seleção canarinho.
Acontece que o governo brasileiro não censurou Paris por motivos patrióticos, ou até estéticos, o que seria compreensível. Censurou por motivos éticos. Eis a história: Paris foi convidada para fazer campanha publicitária de uma cerveja. O filme mostra Paris, em hotel carioca, colada à janela do quarto, passando a lata da bebida pelo corpo. Simula prazer.
Cá fora, o mundo simula delírio. Um rapaz, versão moderna e ridícula de James Stewart em "Janela Indiscreta", fotografa a lata, não Paris, com verdadeiro fervor alcoólico. Na praia, a multidão aplaude o espetáculo e bebe em homenagem. A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres não gostou. Eu também não gosto de uma secretaria com esse nome, mas divago. A juntar ao repúdio governamental, alguns consumidores também se sentiram chocados com a indecência de Paris. E o Conselho de Autorregulamentação Publicitária abriu três processos pela manifesta imoralidade do comercial.
Uma coisa é ter mulheres na praia, seminuas, bebendo vários barris de cerveja. Outra, bem diferente, é ter uma mulher de vestido negro, na janela de um quarto de hotel, com uma lata de cerveja na mão. Para os moralistas da cerveja, na praia vale tudo. No quarto, não vale nada. E quando surge uma imagem demoníaca dessas, a solução é proibir. Na cabeça deles, a imagem degrada as mulheres e, em especial, a mulher loira, universalmente considerada a versão feminina de Forrest Gump.
Não vale a pena perder tempo com a profunda contradição do raciocínio: a sexualização onipresente na cultura popular brasileira faz de Paris Hilton um hino à castidade. Mas vale a pena perder tempo com a natureza paternalista de um governo que ressuscita os piores clichês do feminismo rasteiro para defender a sua dama.
O que nos disse o movimento feminista que explodiu pelo mundo depois da Segunda Guerra? Não é possível resumir em poucas frases a multiplicidade de argumentos e até de movimentos que marcharam pela causa. Mas, simplificando, o feminismo apresentava-se às massas com o propósito de "libertar" a mulher, o que implicava enterrar os seus papéis clássicos de subjugação falocêntrica.
As grilhetas femininas não estavam apenas em casa: na humilhação de cozinhar para o homem, de criar os seus filhos e de suportar as suas "violações" regulares no leito conjugal (obrigado, Andrea Dworkin).
A libertação implicava também que a mulher deixasse de ser objeto sexual; deixasse de ser "coisa", "carne", "corpo" e passasse a ser "pessoa". A luta contra a indústria pornográfica, por exemplo, foi um "must" do movimento, sobretudo nos Estados Unidos, e muitas vezes uniu as "revolucionárias" do movimento feminista com a extrema direita religiosa mais reacionária. Ironias da história. Ironias que a notável escritora Camille Paglia sublinhou em textos críticos sobre a condição feminina.
Para Paglia, o movimento feminista, longe de defender a "libertação" das mulheres, apenas pretendia substituir uma forma de autoritarismo por outra. Paglia não nega as provações que as mulheres experimentaram durante grande parte da história. Mas Paglia, ao contrário de Dworkin e suas vestais, entendia que a verdadeira libertação não passava por um novo catálogo de proibições. Passava por dar às mulheres o que estas não tinham anteriormente: escolha e poder. Ou, em linguagem prosaica, se uma mulher deseja ser "coisa", "carne", "corpo", isso não a diminui enquanto "pessoa". Pelo contrário: é uma poderosa manifestação de autonomia e, no limite, de domínio sobre aquele que a deseja. Liberdade não é impor um único padrão de comportamento. Liberdade é, precisamente, não impor nenhum.
Proibir o comercial de Paris Hilton em nome da "dignidade das mulheres" é, tão simplesmente, um insulto às mulheres. Um insulto à capacidade destas para decidirem ser o que entenderem: santas, prostitutas, ou nenhuma delas. Para o insulto ser perfeito, só faltava que o governo brasileiro liberasse o comercial sob a condição de Paris Hilton usar burca da cabeça aos pés. Não riam. Brasília está longe de Teerã, sim. Mas o espírito é o mesmo.

jpcoutinho@...



#113435 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 9 de Mar de 2010 10:53 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

A culpa em 3D


"Avatar" pode ser um prodígio tecnológico. Pena repetir os piores clichês do século 20


ATENÇÃO: "Avatar", que levou três estatuetas no Oscar, provoca doenças. Li algures. Uma pessoa está várias horas na sala, com óculos 3D, acompanhando com entusiasmo as aventuras da raça humana em planeta azul e distante. E, quando a festa acaba, desce uma tristeza sem nome sobre a nossa alma. O confronto com a banal realidade pode ser, dizem, traumático.
Comigo, foi precisamente o contrário: deprimi durante o filme. Quando o filme terminou e eu mergulhei nessa "banal realidade", senti a alma a renascer. Será possível? Os médicos não têm resposta para a minha estranha condição. Eu talvez tenha uma: "Avatar" pode ser um prodígio tecnológico do século 21. Pena repetir os piores clichês narrativos e políticos do século 20.
Mas vamos à história, caso a desconheçam. "Avatar" é um filme de ficção científica sobre a relação entre a raça humana e o povo Na'vi, habitante do dito planeta. Nesse planeta, de nome Pandora, existem recursos naturais valiosíssimos que os humanos cobiçam. Os Na'vi não abrem mão dos ditos recursos.
Os humanos respondem ao desafio de forma dupla: militarmente, preparam ofensiva bélica contra os Na'vi, esperando ocupar o planeta e roubar o que podem; cientificamente, a via é outra: entrar em contato com os nativos através de clones deles. Esses clones, que dão nome ao filme ("avatares"), são controlados mentalmente pelos próprios humanos. Como se fossem marionetes de controle remoto.
Fatalmente, a ganância militar vence a pureza imaculada da ciência. Os Na'vi são atacados; o planeta Pandora parcialmente destruído; mas, redenção final, um dos cientistas, que começa como militar empedernido e traiçoeiro, termina como o Gandhi local, liderando a revolta e disposto a trocar de lado para defender os Na'vi da predação humana. Não nego que "Avatar" fascina os incréus com a utilização engenhosa do 3D. Mas a questão passa por saber se o 3D resiste à vulgaridade previsível da história. Não creio. Dez minutos bastam para experimentar a novidade visual de James Cameron. Ao décimo primeiro minuto, retiramos os óculos (com incômodo), bocejamos (com estridência) e sentimos que a novidade está vista e revista. Venha a história, por favor.
A história não vem. Vêm retalhos de histórias mil vezes contadas em que a denúncia é conhecida: nós, humanos, imperialistas e belicistas, não respeitamos a pureza das culturas locais. Exploramos elas para nosso ilegítimo ganho, esmagando a riqueza profunda, e profundamente espiritual, de povos que consideramos "primitivos" ou "inferiores".
Felizmente para esses povos, existe sempre um exemplar da espécie humana que, em ato de contrição, se converte ao nativismo, repudiando os valores "ocidentais" e combatendo-os em nome da causa tida por "inimiga". "Avatar" é isso: uma mistura de "Pocahontas", "Dança com Lobos" e "O Último Samurai", servido em formato 3D. E, sendo isso, não se distingue do primarismo que habita esse tipo de filme: o primarismo de olhar para culturas distintas como intrinsecamente superiores à cultura branca, ocidental e, de preferência, judaico-cristã.
"Avatar" é um filme sobre a culpa; o sentimento de culpa que assola as consciências progressistas; sobre "o fardo do homem branco" que ele, coitado, carrega há gerações para expiação dos seus pecados "imperialistas". E dos pecados dos seus pais, de seus avós, e bisavós, e trisavós... O que está ausente dessa visão é a ideia simplória de que a cultura branca, ocidental e judaico-cristã, apesar dos seus erros históricos (que os houve), também foi capaz de produzir uma civilização que garante ainda um espaço de liberdade, humanidade e decência que, muitas vezes, está ausente dessas culturas "intocadas". Culturas onde a arbitrariedade do poder tribal; a violência física sobre os mais fracos; o animismo pré-científico; e até a mera bruxaria terapêutica não deveriam inspirar respeito. Só repulsa.
Regresso ao início. "Avatar" provoca doenças? Dizem que sim. Um mundo azul de comunhões espirituais perfeitas pode alimentar sério desânimo para quem não gosta de se confrontar com o mundo imperfeito onde vivemos. No meu caso, a doença só se dissipou quando abandonei o sermão de James Cameron e o seu belo planeta de tédio. Dissipou-se, enfim, quando regressei à "banal realidade" das nossas vidas igualmente banais. A cidade. As sirenes, o trânsito, os rostos que passam. A chuva. A banca dos jornais. Os cafés. Os amigos que se encontram. A noite que cai.

jpcoutinho@...


#113441 De: john constantine <jjohnconstantine@...>
Data: Ter, 9 de Mar de 2010 1:13 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
john_constan...
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Numa edição passada da Rolling Stone um colunista disse que se morássemos em Pandora pegaríamos música plugando nossos pendrives em árvores. Disse ainda que tem gente que quer um mundo assim e tem gente que não, citou a xarope Malu Magalhães como do primeiro time e Bono como do segundo.

Putz, como é duro não saber economia. Não existe almoço grátis. Alguém está pagando os computadores que levam a música da Malu Camela a tantos outros computadores. E a música do Bono paga para usar alguns desses computadores, por isso, só por isso ele quer cobrar pelo que faz, porque é mais honesto, mais direto. Porque, no fim, ambos buscam o lucro, só que a cantorinha queridinha dos intelequituaizinhos gastou uma grana em estúdio e contou com a ajuda voluntária ou involuntária de milhares de computadores para lotar seus shows. Ok. Bono fez o mesmo, mas pagou pelo uso de uma parte desses computadores. Bono quer ser dono de si mesmo, Malu quer viver da caridade alheia pelo resto da vida. E quem vive de caridade nunca é dono de si mesmo.

Enfim, essa repetição toda significa o seguinte: cobrar é domar-se, dar e pegar sem pagar é entregar-se à sorte vislumbrada por quem pode fazer a caridade. 

E as bestas que falam tão mal do imperialismo deveriam lembrar que as relações humanas nunca são tão maniqueístas assim, sempre há vantagens e desvantagens. Equilibrar as coisas é que são elas, sem dúvida.

Em 9 de março de 2010 07:53, Nivaldo Cordeiro <nivaldocordeiro@...> escreveu:
 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

A culpa em 3D


"Avatar" pode ser um prodígio tecnológico. Pena repetir os piores clichês do século 20


ATENÇÃO: "Avatar", que levou três estatuetas no Oscar, provoca doenças. Li algures. Uma pessoa está várias horas na sala, com óculos 3D, acompanhando com entusiasmo as aventuras da raça humana em planeta azul e distante. E, quando a festa acaba, desce uma tristeza sem nome sobre a nossa alma. O confronto com a banal realidade pode ser, dizem, traumático.
Comigo, foi precisamente o contrário: deprimi durante o filme. Quando o filme terminou e eu mergulhei nessa "banal realidade", senti a alma a renascer. Será possível? Os médicos não têm resposta para a minha estranha condição. Eu talvez tenha uma: "Avatar" pode ser um prodígio tecnológico do século 21. Pena repetir os piores clichês narrativos e políticos do século 20.
Mas vamos à história, caso a desconheçam. "Avatar" é um filme de ficção científica sobre a relação entre a raça humana e o povo Na'vi, habitante do dito planeta. Nesse planeta, de nome Pandora, existem recursos naturais valiosíssimos que os humanos cobiçam. Os Na'vi não abrem mão dos ditos recursos.
Os humanos respondem ao desafio de forma dupla: militarmente, preparam ofensiva bélica contra os Na'vi, esperando ocupar o planeta e roubar o que podem; cientificamente, a via é outra: entrar em contato com os nativos através de clones deles. Esses clones, que dão nome ao filme ("avatares"), são controlados mentalmente pelos próprios humanos. Como se fossem marionetes de controle remoto.
Fatalmente, a ganância militar vence a pureza imaculada da ciência. Os Na'vi são atacados; o planeta Pandora parcialmente destruído; mas, redenção final, um dos cientistas, que começa como militar empedernido e traiçoeiro, termina como o Gandhi local, liderando a revolta e disposto a trocar de lado para defender os Na'vi da predação humana. Não nego que "Avatar" fascina os incréus com a utilização engenhosa do 3D. Mas a questão passa por saber se o 3D resiste à vulgaridade previsível da história. Não creio. Dez minutos bastam para experimentar a novidade visual de James Cameron. Ao décimo primeiro minuto, retiramos os óculos (com incômodo), bocejamos (com estridência) e sentimos que a novidade está vista e revista. Venha a história, por favor.
A história não vem. Vêm retalhos de histórias mil vezes contadas em que a denúncia é conhecida: nós, humanos, imperialistas e belicistas, não respeitamos a pureza das culturas locais. Exploramos elas para nosso ilegítimo ganho, esmagando a riqueza profunda, e profundamente espiritual, de povos que consideramos "primitivos" ou "inferiores".
Felizmente para esses povos, existe sempre um exemplar da espécie humana que, em ato de contrição, se converte ao nativismo, repudiando os valores "ocidentais" e combatendo-os em nome da causa tida por "inimiga". "Avatar" é isso: uma mistura de "Pocahontas", "Dança com Lobos" e "O Último Samurai", servido em formato 3D. E, sendo isso, não se distingue do primarismo que habita esse tipo de filme: o primarismo de olhar para culturas distintas como intrinsecamente superiores à cultura branca, ocidental e, de preferência, judaico-cristã.
"Avatar" é um filme sobre a culpa; o sentimento de culpa que assola as consciências progressistas; sobre "o fardo do homem branco" que ele, coitado, carrega há gerações para expiação dos seus pecados "imperialistas". E dos pecados dos seus pais, de seus avós, e bisavós, e trisavós... O que está ausente dessa visão é a ideia simplória de que a cultura branca, ocidental e judaico-cristã, apesar dos seus erros históricos (que os houve), também foi capaz de produzir uma civilização que garante ainda um espaço de liberdade, humanidade e decência que, muitas vezes, está ausente dessas culturas "intocadas". Culturas onde a arbitrariedade do poder tribal; a violência física sobre os mais fracos; o animismo pré-científico; e até a mera bruxaria terapêutica não deveriam inspirar respeito. Só repulsa.
Regresso ao início. "Avatar" provoca doenças? Dizem que sim. Um mundo azul de comunhões espirituais perfeitas pode alimentar sério desânimo para quem não gosta de se confrontar com o mundo imperfeito onde vivemos. No meu caso, a doença só se dissipou quando abandonei o sermão de James Cameron e o seu belo planeta de tédio. Dissipou-se, enfim, quando regressei à "banal realidade" das nossas vidas igualmente banais. A cidade. As sirenes, o trânsito, os rostos que passam. A chuva. A banca dos jornais. Os cafés. Os amigos que se encontram. A noite que cai.

jpcoutinho@...



#113555 De: "Eurico Ferreira de Souza Jr." <caodejah@...>
Data: Qua, 10 de Mar de 2010 12:57 pm
Assunto: Res: João Pereira Coutinho
caodejah
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[E]> Essa chorumela de "gastar uma fortuna em estúdio" não existe mais. hoje qualquer
um com um micro pode gravar e distribuir músicas.

Copiar não é pegar, copiar não é subtrair. Copiar é multiplicar!

Chegaremos ao fim dos intermédios. Sem traficantes, sem gravadoras,
sem advogados, sem deputados, sem sacerdotes ...
 
Malu (a criança folk ianque) e Bono (cover de si) que se fodam! são péssimos...
 
 
 
_\|/_



De: john constantine <jjohnconstantine@...>
Para: Acropolis_@...
Enviadas: Terça-feira, 9 de Março de 2010 10:13:41
Assunto: Re: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

Numa edição passada da Rolling Stone um colunista disse que se morássemos em Pandora pegaríamos música plugando nossos pendrives em árvores. Disse ainda que tem gente que quer um mundo assim e tem gente que não, citou a xarope Malu Magalhães como do primeiro time e Bono como do segundo.


Putz, como é duro não saber economia. Não existe almoço grátis. Alguém está pagando os computadores que levam a música da Malu Camela a tantos outros computadores. E a música do Bono paga para usar alguns desses computadores, por isso, só por isso ele quer cobrar pelo que faz, porque é mais honesto, mais direto. Porque, no fim, ambos buscam o lucro, só que a cantorinha queridinha dos intelequituaizinhos gastou uma grana em estúdio e contou com a ajuda voluntária ou involuntária de milhares de computadores para lotar seus shows. Ok. Bono fez o mesmo, mas pagou pelo uso de uma parte desses computadores. Bono quer ser dono de si mesmo, Malu quer viver da caridade alheia pelo resto da vida. E quem vive de caridade nunca é dono de si mesmo.

Enfim, essa repetição toda significa o seguinte: cobrar é domar-se, dar e pegar sem pagar é entregar-se à sorte vislumbrada por quem pode fazer a caridade. 

E as bestas que falam tão mal do imperialismo deveriam lembrar que as relações humanas nunca são tão maniqueístas assim, sempre há vantagens e desvantagens. Equilibrar as coisas é que são elas, sem dúvida.

Em 9 de março de 2010 07:53, Nivaldo Cordeiro <nivaldocordeiro@ terra.com. br> escreveu:
 



Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes

#113987 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 16 de Mar de 2010 10:09 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Crianças


Os brasileiros não gostaram desse fato: uma criança maldosa? A justiça também não


O MELHOR do mundo são as crianças, disse Fernando Pessoa, que curiosamente não teve nenhuma. A frase do poeta não se aplica ao momento presente, vivido pelos seus compatriotas. Dois casos ilustram o ponto.
Primeiro caso: duas semanas atrás, um rapaz de 12 anos, do interior de Portugal, saiu de casa, aproximou-se das margens do rio. E saltou para a morte. Alguns amigos explicaram depois que a vida dele era um inferno nas mãos de outros colegas, que o torturavam na escola de todas as formas possíveis. O rapaz, cansado de apanhar, comunicou à tia que não aguentava mais. A tia, provavelmente, não ligou. Só os amigos assistiram ao suicídio. Não conseguiram impedi-lo. O corpo ainda não foi resgatado.
Nos dias seguintes, Portugal debateu as causas da violência escolar. Um termo elegante ("bullying") entrou no linguajar dos patrícios. E, é claro, exércitos de psicólogos foram enviados para a escola do rapaz com o nobre propósito de prestar assistência terapêutica aos agressores.
Você leu bem: aos agressores. Na minha rudeza primitiva, eu julgava que os agressores mereciam expulsão, ou coisa pior. No mundo moderno, merecem terapia. Na semana passada, os jornais lusitanos contaram outro caso recente: um professor de meia-idade que, atormentado pela selvajaria da turma, deixou uma mensagem escrita.
Ele, em depressão há dois anos, não aguentava mais os insultos e as ameaças dos alunos. Decidiu desistir. E desistiu. Saltou da ponte 25 de Abril, em Lisboa, e mergulhou nas águas do Tejo.
Os dois casos são trágicos, mas não aconteceram por acaso: sucessivas reformas educativas em Portugal, ao destruírem a autoridade dos professores, apenas prepararam o terreno para que as escolas públicas do país se transformassem em faroestes grotescos, onde as crianças não conhecem lei. E não conhecem lei porque elas são o melhor do mundo. Ou não são?
Manoel Carlos, autor da novela "Viver a Vida", responde: nem sempre. Na história de Manoel Carlos, existe uma criança, Rafaela, interpretada pela atriz Klara Castanho, de 8 anos. Rafaela é um anjo, sim, mas um anjo perverso. A vilã, no fundo, é capaz de atos reprováveis, inomináveis. Atos só possíveis em adultos. Melhor: em psicopatas adultos.
Os brasileiros não gostaram desse desconfortável fato: uma criança maldosa? O Ministério Público do Trabalho (MTP) do Rio notificou o autor para que alterasse a personagem. Agora, segundo leio na imprensa, o MTP teve nova audiência com o departamento jurídico da Globo e ainda poderá afastar a criança da novela. Exceto se o autor transformar Rafaela na versão infantil da Madre Teresa de Calcutá. Como explicar a insanidade?
As razões são duplas. Para começar, os especialistas do Ministério Público afirmam que a atriz mirim não tem capacidade para separar a realidade da ficção e isso pode ter consequências nefastas no seu desenvolvimento psíquico e social.
Hoje, a atriz tem 8 anos; mas amanhã, com 18, pode imitar os comportamentos desviantes que formaram a sua cabeça de menor.
E, para acabar, os especialistas relembram uma possibilidade prática: a personagem Rafaela é tão odiosa que pode despertar hostilidade real do público, disposto a insultá-la ou agredi-la.
Evidentemente, nenhuma das razões esconde a explicação principal: os brasileiros não toleram a imagem de uma criança má porque Rousseau triunfou no espírito dos modernos.
Triunfou no Brasil, triunfou em Portugal, triunfou em qualquer parte do mundo onde a piedosa romantização da infância apresenta qualquer membro da espécie como o exemplo acabado da Pureza e do Bem (com maiúsculas). A Pureza e o Bem que, escusado será dizer, só a constituição da sociedade política acabou por corromper com seus arranjos violentos e hipócritas.
As crianças não podem ser más; maus são os adultos e o mundo de subjugação e poder que eles construíram para aprisionar os mais fracos. Quando muito, as crianças são vítimas; e mesmo quando precipitam as maiores tragédias, elas continuam sendo vítimas. Elas continuam a precisar de exércitos de psicólogos que as compreendam em suas dores profundas.
Acreditar no mito da bondade inata dos seres humanos pode descansar e consolar as nossas consciências progressistas: as consciências dos políticos portugueses ou dos juristas brasileiros. Infelizmente, não descansa nem consola os dois corpos que jazem mortos no fundo dos rios.

jpcoutinho@...


#114598 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 23 de Mar de 2010 12:00 pm
Assunto: João Pereira Coutinho
nivaldocordeiro
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Padres e pedófilos


O jornalismo preguiçoso deveria separar a histeria anticatólica da verdade criminal


ESTAMOS SEMPRE a aprender: vocês sabem como se diz "bastardo" em língua germânica? "Pfaffenkind." Ou, em tradução literal, "o filho do padre". As curiosidades não acabam aqui: ainda na Alemanha protestante, a expressão coloquial para designar a frequência de bordéis era "agir como um bispo".
É claro que não precisamos viajar até a Alemanha para encontrar esse glorioso imaginário em que membros do clero (católico) se entregam à lascívia. De Chaucer a Boccaccio, passando pelos textos centrais do Iluminismo continental (a "Religiosa", de Diderot; o "Émile", de Rousseau; as múltiplas mediocridades de Sade), o padre não é simplesmente o pastor espiritual em missão evangélica.
O padre é o "fornicador" incansável, sempre disposto a atacar donzelas virgens ou mulheres casadas. Sem falar do resto: o lesbianismo das freiras, a sodomia entre monges e a tortura física por que passa o seminarista casto, que se fustiga com prazer masoquista para compensar uma dolorosa ausência de fêmea (ou de macho).
Sejam sinceros: quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não são apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário e anticatólico do Ocidente.
O caso é agravado pela arcana questão do celibato. No mundo moderno e hipersexualizado em que vivemos, o celibato não é visto como uma opção pessoal (e espiritual) legítima e respeitável. O celibato só pode ser tara; só pode ser um convite ao desvio; só pode ser pedofilia. Esses saltos lógicos são tão comuns que já nem horrorizam ninguém.
Ou horrorizam? Philip Jenkins é uma exceção e o seu "Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis" (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990.
Jenkins não nega o óbvio: que existiram vários abusos; e, mais, que as autoridades eclesiásticas falharam na detecção ou denúncia dos mesmos.
Porém, Jenkins é rigoroso ao mostrar como os crimes foram amplificados de forma desproporcionada com o objetivo de cobrir toda a instituição com cores da infâmia.
Padres católicos cometem crimes sexuais? Fato. Mas esses crimes, explica Jenkins, existem em proporção idêntica nas outras denominações religiosas (e não celibatárias). A única diferença é que, sendo o número de padres católicos incomparavelmente superior ao número de pastores de outras igrejas; e estando os crimes de pedofilia disseminados pela população adulta, será inevitável que exista um maior número de casos entre o clérigo católico.
Como explicar, então, que as atenções mediáticas sejam constantemente voltadas para os suspeitos do costume?
Jenkins não é alheio à dimensão "literária" do anticatolicismo ocidental; muito menos à hipersexualização moderna, que vê na doutrina sexual da igreja um anacronismo e, em certos casos, uma ameaça.
Mas o autor vai mais longe e revela como a amplificação dos crimes é, muitas vezes, promovida por facções dissidentes dentro da própria Igreja Católica que esperam assim conseguir certas vitórias "culturais" (o fim do celibato, a ordenação de mulheres para o sacerdócio etc.) pela disseminação de uma imagem de corrupção endêmica. "A maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma", escreve Jenkins, citando as incontáveis reportagens que repetiam essa bovinidade.
Isso significa que os crimes das últimas semanas na Europa podem ser desculpados ou justificados? Pelo contrário: esses crimes não têm desculpa nem justificação. E é de saudar que o papa Bento 16, em atitude inédita, tenha escrito uma carta plena de coragem e dignidade ao clérigo irlandês, condenando os abusadores, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça faça o seu caminho.
Mas não é apenas a justiça que tem de fazer o seu caminho. O jornalismo preguiçoso também deveria trilhar o seu, separando a histeria anticatólica da verdade criminal.
Um contributo: para ficarmos no país de Ratzinger, existiram na Alemanha, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 lidaram com padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Será isso a maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma?

jpcoutinho@...


#114608 De: Dídimo Matos <didimo_george@...>
Data: Ter, 23 de Mar de 2010 4:17 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
didimo_george
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O que estão chamando de padres pedófilos é na verdade pedofilia homossexual. São homossexuais pedófilos, o que faz com que peguem os garotinhos não é o fato de serem padres é sucumbir ao homossexualismo.
 
Abraços,
Dídimo Matos
http://didimomatos.zip.net
http://twitter.com/didimogeorge
_______________________
"Nunca é possível apreender cognitivamente
o fato concreto senão subindo no grau de abstração
dos conceitos usados para descrevê-lo. "

Sent: Tuesday, March 23, 2010 9:00 AM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Padres e pedófilos


O jornalismo preguiçoso deveria separar a histeria anticatólica da verdade criminal


ESTAMOS SEMPRE a aprender: vocês sabem como se diz "bastardo" em língua germânica? "Pfaffenkind." Ou, em tradução literal, "o filho do padre". As curiosidades não acabam aqui: ainda na Alemanha protestante, a expressão coloquial para designar a frequência de bordéis era "agir como um bispo".
É claro que não precisamos viajar até a Alemanha para encontrar esse glorioso imaginário em que membros do clero (católico) se entregam à lascívia. De Chaucer a Boccaccio, passando pelos textos centrais do Iluminismo continental (a "Religiosa", de Diderot; o "Émile", de Rousseau; as múltiplas mediocridades de Sade), o padre não é simplesmente o pastor espiritual em missão evangélica.
O padre é o "fornicador" incansável, sempre disposto a atacar donzelas virgens ou mulheres casadas. Sem falar do resto: o lesbianismo das freiras, a sodomia entre monges e a tortura física por que passa o seminarista casto, que se fustiga com prazer masoquista para compensar uma dolorosa ausência de fêmea (ou de macho).
Sejam sinceros: quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não são apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário e anticatólico do Ocidente.
O caso é agravado pela arcana questão do celibato. No mundo moderno e hipersexualizado em que vivemos, o celibato não é visto como uma opção pessoal (e espiritual) legítima e respeitável. O celibato só pode ser tara; só pode ser um convite ao desvio; só pode ser pedofilia. Esses saltos lógicos são tão comuns que já nem horrorizam ninguém.
Ou horrorizam? Philip Jenkins é uma exceção e o seu "Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis" (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990.
Jenkins não nega o óbvio: que existiram vários abusos; e, mais, que as autoridades eclesiásticas falharam na detecção ou denúncia dos mesmos.
Porém, Jenkins é rigoroso ao mostrar como os crimes foram amplificados de forma desproporcionada com o objetivo de cobrir toda a instituição com cores da infâmia.
Padres católicos cometem crimes sexuais? Fato. Mas esses crimes, explica Jenkins, existem em proporção idêntica nas outras denominações religiosas (e não celibatárias). A única diferença é que, sendo o número de padres católicos incomparavelmente superior ao número de pastores de outras igrejas; e estando os crimes de pedofilia disseminados pela população adulta, será inevitável que exista um maior número de casos entre o clérigo católico.
Como explicar, então, que as atenções mediáticas sejam constantemente voltadas para os suspeitos do costume?
Jenkins não é alheio à dimensão "literária" do anticatolicismo ocidental; muito menos à hipersexualização moderna, que vê na doutrina sexual da igreja um anacronismo e, em certos casos, uma ameaça.
Mas o autor vai mais longe e revela como a amplificação dos crimes é, muitas vezes, promovida por facções dissidentes dentro da própria Igreja Católica que esperam assim conseguir certas vitórias "culturais" (o fim do celibato, a ordenação de mulheres para o sacerdócio etc.) pela disseminação de uma imagem de corrupção endêmica. "A maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma", escreve Jenkins, citando as incontáveis reportagens que repetiam essa bovinidade.
Isso significa que os crimes das últimas semanas na Europa podem ser desculpados ou justificados? Pelo contrário: esses crimes não têm desculpa nem justificação. E é de saudar que o papa Bento 16, em atitude inédita, tenha escrito uma carta plena de coragem e dignidade ao clérigo irlandês, condenando os abusadores, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça faça o seu caminho.
Mas não é apenas a justiça que tem de fazer o seu caminho. O jornalismo preguiçoso também deveria trilhar o seu, separando a histeria anticatólica da verdade criminal.
Um contributo: para ficarmos no país de Ratzinger, existiram na Alemanha, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 lidaram com padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Será isso a maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma?

jpcoutinho@folha.com.br


#114623 De: "Pesky Bee" <peskybee2@...>
Data: Ter, 23 de Mar de 2010 7:39 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
peskybee2
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Precisa falar para esse puto do JP Coutinho que não
deveria haver nenhum padre pedófilo. Zero, Zilch, Nada.
A existência dessa padrecaiada comedora de CÚs de
coroinhas é evidência de que os padrões morais da
igreja estão abaixo de CÚ de cobra de metrô. E não
importa nem o fato de comerem cú de homem, a
padrecaiada come o que quiser, só não pode comer
cú de criança. O lugar dessa putada pedófila é
um só, é a cadeia, e não a proteção sob as asinhas
do puto maior, o papófilo bentinho ratoranzinza
décimoterceiro.
 
*PB*
 
 

Sent: Tuesday, March 23, 2010 9:00 AM
Subject: [Acropolis_] João Pereira Coutinho

 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Padres e pedófilos


O jornalismo preguiçoso deveria separar a histeria anticatólica da verdade criminal


ESTAMOS SEMPRE a aprender: vocês sabem como se diz "bastardo" em língua germânica? "Pfaffenkind." Ou, em tradução literal, "o filho do padre". As curiosidades não acabam aqui: ainda na Alemanha protestante, a expressão coloquial para designar a frequência de bordéis era "agir como um bispo".
É claro que não precisamos viajar até a Alemanha para encontrar esse glorioso imaginário em que membros do clero (católico) se entregam à lascívia. De Chaucer a Boccaccio, passando pelos textos centrais do Iluminismo continental (a "Religiosa", de Diderot; o "Émile", de Rousseau; as múltiplas mediocridades de Sade), o padre não é simplesmente o pastor espiritual em missão evangélica.
O padre é o "fornicador" incansável, sempre disposto a atacar donzelas virgens ou mulheres casadas. Sem falar do resto: o lesbianismo das freiras, a sodomia entre monges e a tortura física por que passa o seminarista casto, que se fustiga com prazer masoquista para compensar uma dolorosa ausência de fêmea (ou de macho).
Sejam sinceros: quando existem escândalos sexuais na Igreja Católica, eles não são apenas escândalos sexuais pontuais e localizados. Esses escândalos, que existem em todo o lado (e em todas as denominações religiosas), bebem diretamente no patrimônio literário e anticatólico do Ocidente.
O caso é agravado pela arcana questão do celibato. No mundo moderno e hipersexualizado em que vivemos, o celibato não é visto como uma opção pessoal (e espiritual) legítima e respeitável. O celibato só pode ser tara; só pode ser um convite ao desvio; só pode ser pedofilia. Esses saltos lógicos são tão comuns que já nem horrorizam ninguém.
Ou horrorizam? Philip Jenkins é uma exceção e o seu "Pedophiles and Priests: Anatomy of a Contemporary Crisis" (Oxford, 214 págs.) é o mais exaustivo estudo sobre os escândalos sexuais que sacudiram a Igreja Católica nos Estados Unidos durante a década de 1990.
Jenkins não nega o óbvio: que existiram vários abusos; e, mais, que as autoridades eclesiásticas falharam na detecção ou denúncia dos mesmos.
Porém, Jenkins é rigoroso ao mostrar como os crimes foram amplificados de forma desproporcionada com o objetivo de cobrir toda a instituição com cores da infâmia.
Padres católicos cometem crimes sexuais? Fato. Mas esses crimes, explica Jenkins, existem em proporção idêntica nas outras denominações religiosas (e não celibatárias). A única diferença é que, sendo o número de padres católicos incomparavelmente superior ao número de pastores de outras igrejas; e estando os crimes de pedofilia disseminados pela população adulta, será inevitável que exista um maior número de casos entre o clérigo católico.
Como explicar, então, que as atenções mediáticas sejam constantemente voltadas para os suspeitos do costume?
Jenkins não é alheio à dimensão "literária" do anticatolicismo ocidental; muito menos à hipersexualização moderna, que vê na doutrina sexual da igreja um anacronismo e, em certos casos, uma ameaça.
Mas o autor vai mais longe e revela como a amplificação dos crimes é, muitas vezes, promovida por facções dissidentes dentro da própria Igreja Católica que esperam assim conseguir certas vitórias "culturais" (o fim do celibato, a ordenação de mulheres para o sacerdócio etc.) pela disseminação de uma imagem de corrupção endêmica. "A maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma", escreve Jenkins, citando as incontáveis reportagens que repetiam essa bovinidade.
Isso significa que os crimes das últimas semanas na Europa podem ser desculpados ou justificados? Pelo contrário: esses crimes não têm desculpa nem justificação. E é de saudar que o papa Bento 16, em atitude inédita, tenha escrito uma carta plena de coragem e dignidade ao clérigo irlandês, condenando os abusadores, pedindo perdão às vítimas e esperando que a justiça faça o seu caminho.
Mas não é apenas a justiça que tem de fazer o seu caminho. O jornalismo preguiçoso também deveria trilhar o seu, separando a histeria anticatólica da verdade criminal.
Um contributo: para ficarmos no país de Ratzinger, existiram na Alemanha, desde 1995, 210 mil denúncias de abusos a menores. Dessas 210 mil, 300 lidaram com padres católicos. Ou seja, menos de 0,2%. Será isso a maior ameaça à sobrevivência da igreja desde a Reforma?

jpcoutinho@folha.com.br


#115591 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 6 de Abr de 2010 12:17 pm
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

A descendência bastarda


Darwin não perturbou seus contemporâneos ao desautorizar cientificamente a Bíblia


OS BRASILEIROS são sábios. Pesquisa Datafolha, publicada na semana passada, revela que a maioria dos inquiridos (59%) aceita Darwin sem jogar Deus pela janela. Contra essa maioria, existem 8% que apostam tudo no macaco. E 25% que apostam tudo contra o macaco. A discussão é absurda. Para os dois extremos. É absurda hoje, nas lutas correntes entre "criacionistas" e "evolucionistas". Mas seria sobretudo absurda para a sociedade vitoriana, que recebeu a obra de Darwin com outro tipo de preocupações.
Começo pelo óbvio: quando Charles Darwin publicou a sua "Origem das Espécies", século e meio atrás, a ideia herética de que o mundo não havia sido criado nas vésperas não constituía propriamente uma novidade. A geologia, e em especial os estudos de Charles Lyell (que Darwin leu a bordo do Beagle), apontava já para mudanças lentas, graduais, ao longo de períodos de tempo imensamente longos, que acabariam por gerar alterações profundas no rosto da Terra. Para um fundamentalista, a Terra talvez fosse o resultado de uma criação recente, tal como a Bíblia estabelecia; não para um cavalheiro ilustrado na Londres do século 19.
E se assim era com a Terra, assim seria com as espécies que a habitavam. É um fato que Charles Lyell nunca deu esse passo: as alterações geológicas não autorizavam qualquer tipo de "transmutação" das espécies. Mas a "transmutação" era já corrente entre os círculos letrados. Antes de viajar pelo mundo, recolhendo fósseis com planos anatômicos semelhantes, mas não iguais, aos exemplares mais contemporâneos, Darwin conhecia o essencial da literatura evolucionista. Conhecia Lamarck. E conhecia o seu avô, Erasmus Darwin. A ideia simpática de que Deus criara tudo através de um único sopro; e que, a partir dele, as espécies se mantiveram constantes ao longo de milênios, não era mais que isso: uma ideia simpática.
Dito de outra forma: Darwin não perturbou os seus contemporâneos ao desautorizar cientificamente a Bíblia; a revelação de um mundo mais antigo e mais "instável" do que o Gênesis revelava era, digamos, a parte menor do seu tratado.
A parte maior residia na explicação do mecanismo responsável por essa "instabilidade". De fato, o que perturbou os vitorianos foi a dimensão moral, ou amoral, da teoria.
O mundo de Darwin não era mais o mundo relativamente "ordenado" de William Paley, para quem tudo o que existia cumpria um sentido que era anterior e superior à mera transitoriedade do tempo. A natureza e as suas criaturas eram peças de um "relógio"; e existiam porque o supremo "relojoeiro" as criara daquela forma, destinadas a cumprir aquele propósito.
Darwin desautoriza essa versão: a natureza não é um "relógio"; é um estado de guerra, dominado pela competição de organismos que lutam pela sua sobrevivência e reprodução. Ao negar o perfeito "mecanicismo" de Paley, Darwin regressava ao pessimismo de Thomas Malthus para quem a condição social dos homens já era esse perpétuo campo de batalha. Em obra inultrapassável sobre as consequências morais do darwinismo, "Darwin and the Darwinian Revolution", conta a historiadora Gertrude Himmelfarb que não foi difícil aos vitorianos, como não é difícil para os brasileiros, conciliar Darwin com a manutenção das suas crenças religiosas.
Mesmo a publicação posterior de "A Descendência do Homem" (1871) permitiu que as águas continuassem separadas: se o homem descendia do macaco, o macaco continuava a descender de Deus.
Aliás, não apenas o macaco; todas as leis de seleção natural que Darwin se limitara a revelar.
Porém, havia um outro desconforto que não abandonava os vitorianos: o desconforto da orfandade. De que valia um Deus criador se ele já não era a "mão invisível" que orientava a criação?
As lutas posteriores são filhas dessa pergunta. Muitos aceitaram-na, reformulado o preceito bíblico de dar a Deus o que é de Deus e à ciência o que é da ciência.
Muitos outros responderam à inquietação pela negação da teoria, uma espécie de retorno radical ao paraíso perdido.
Mas a verdadeira tragédia não veio com os "criacionistas" empedernidos. Veio com a descendência bastarda de Darwin, para quem a pergunta os autorizava a transformar a ciência em ideologia. Darwin retirara das mãos de Deus o mecanismo seletivo. A descendência bastarda retirava esse poder das mãos da natureza para o entregar ao poder político.
Foi a receita para o desastre. Um desastre evitável se a descendência bastarda tivesse a intuição dos brasileiros para colocar a ciência no seu lugar devido.

jpcoutinho@...


#116102 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 13 de Abr de 2010 12:24 pm
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Eternos retornos


As eleições europeias de 2009 revelaram de forma brutal uma sinistra tendência


ESTOU VELHO. Não é piada. Aos 33, o corpo diz o contrário.
Mas a idade é questão relativa. E o tempo é cavalo veloz. Ou será feroz? Sou o mais jovem professor de ciência política do meu departamento. Mas todos os dias leciono para turmas que nasceram depois da queda do Muro de Berlim, depois da falência da União Soviética, depois do aparecimento do senhor "engraçado" com uma mancha "engraçada" na cabeça (Gorbatchev, é claro). Semanas atrás, e com uma aluna búlgara na sala, resolvi partilhar impressões sobre a Bulgária pós-comunista que visitei em julho de 1992. Ela ouviu com interesse arqueológico.
Depois, disse: "Engraçado. Foi no mês e no ano em que eu nasci". A turma riu. Alarvemente. Eu repliquei uma piada de ocasião: "Bom, também só tinha cinco anos". Mentira. Tinha 16. Riram novamente.
Estou velho. Mas o mundo não está. Nem velho nem novo. O mundo não tem idade. Progresso é conversa ilusória. Moralmente falando. Vivemos mais. Vivemos melhor. O desenvolvimento técnico e científico é inegável. Mas o pensamento progressista vê progresso em todo lado, mesmo onde ele não é cumulativo.
Erro. A história humana nem sempre progride. Às vezes, regride.
Ou regressa ao lugar do crime.
A Europa é o melhor exemplo. Nas notícias dos últimos dias, a Polônia surgiu nos radares. Morte do presidente polonês Lech Kaczynski e sua comitiva de Estado. Em território russo. Macabra ironia: no momento em que russos e poloneses tencionavam relembrar as vítimas do massacre de Katyn (22 mil poloneses assassinados por Stálin em 1940), novo horror em acidente de aviação.
Lamento o sucedido. Mas lamento que a tragédia polonesa tenha ocultado a tragédia húngara ao lado.
Em eleições gerais, os socialistas da Hungria foram varridos do poder. Não apenas pela direita respeitável da legenda Fidesz, que conseguiu a maioria dos assentos no Parlamento. A extrema-direita do partido Jobbik regressa também à cena política com 26 vagas. É a primeira vez que tal acontece desde a Segunda Guerra Mundial. Mas quem é essa gente?
Segundo o "Daily Telegraph", o Jobbik, amparado pela Guarda Magiar, um grupo paramilitar até agora banido pelo estado húngaro, é um partido para o qual a única forma de combater a pior depressão econômica do país desde a década de 1930 passa por repetir a receita de 1930.
Protecionismo feroz. Nacionalismo agressivo. Combate à imigração. E trela curta para judeus e ciganos, vistos como minorias responsáveis pelo declínio da nação.
Pela boca do líder, Gabor Vona, que tenciona tomar o lugar no Parlamento com o traje proibido dos "magiares", uma das soluções para a decadência húngara pode ser a ressurreição da infame "Gendarmerie", o corpo policial militar que deportou 500 mil judeus húngaros para os campos de extermínio nazistas. Aos "gendarmes" de hoje estaria confiada a tarefa mais branda de "vigiarem" as referidas minorias. Enganam-se os que pensam que o caso húngaro é apenas um epifenômeno. Ele é a confirmação de uma sinistra tendência que as eleições europeias de 2009 revelaram de forma brutal. Com uma Europa economicamente estagnada, incapaz de gerar emprego e crescimento, e com a elite política de Bruxelas cada vez mais distante dos problemas reais que afligem as pessoas reais, os europeus são hoje presas fáceis para discursos populistas, nacionalistas e estridentemente xenófobos.
A extrema direita ressurge em todo o continente porque ressurge também o mesmo caldo de medo e ressentimento que produziu os desastres conhecidos.
Assim é na Hungria. Mas, como se viu nas últimas eleições europeias, também na Áustria, na Romênia, na Finlândia. Na Grécia. Na França. E até na tolerante Holanda.
Os meus alunos nasceram com o "fim da história". E olham para certas figuras da memória recente (Gorbatchev, Ceausescu, Thatcher ou Reagan) com a mesma estranheza com que se olha para os daguerreótipos da rainha Vitória.
Essa realidade faz de mim um professor precocemente velho. Mas faz também de mim um professor feliz: por saber que foram poupados das privações e dos horrores de seus pais ou avós. Por saber, enfim, que tiveram a sorte de nascer na altura certa.
Como, apesar de tudo, eu próprio.
Seria uma traição brutal, para mim e para eles, se os líderes europeus do momento esquecessem as lições da história, permitindo um regresso ao passado por cegueira ou inação.

jpcoutinho@...



#116135 De: john constantine <jjohnconstantine@...>
Data: Ter, 13 de Abr de 2010 2:24 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
john_constan...
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Como eu dizia agora há pouco, tem a ver com promessas não cumpridas.

O futuro é o mal do presente, compreende?

Em 13 de abril de 2010 09:24, Nivaldo Cordeiro <nivaldocordeiro@...> escreveu:
 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Eternos retornos


As eleições europeias de 2009 revelaram de forma brutal uma sinistra tendência


ESTOU VELHO. Não é piada. Aos 33, o corpo diz o contrário.
Mas a idade é questão relativa. E o tempo é cavalo veloz. Ou será feroz? Sou o mais jovem professor de ciência política do meu departamento. Mas todos os dias leciono para turmas que nasceram depois da queda do Muro de Berlim, depois da falência da União Soviética, depois do aparecimento do senhor "engraçado" com uma mancha "engraçada" na cabeça (Gorbatchev, é claro). Semanas atrás, e com uma aluna búlgara na sala, resolvi partilhar impressões sobre a Bulgária pós-comunista que visitei em julho de 1992. Ela ouviu com interesse arqueológico.
Depois, disse: "Engraçado. Foi no mês e no ano em que eu nasci". A turma riu. Alarvemente. Eu repliquei uma piada de ocasião: "Bom, também só tinha cinco anos". Mentira. Tinha 16. Riram novamente.
Estou velho. Mas o mundo não está. Nem velho nem novo. O mundo não tem idade. Progresso é conversa ilusória. Moralmente falando. Vivemos mais. Vivemos melhor. O desenvolvimento técnico e científico é inegável. Mas o pensamento progressista vê progresso em todo lado, mesmo onde ele não é cumulativo.
Erro. A história humana nem sempre progride. Às vezes, regride.
Ou regressa ao lugar do crime.
A Europa é o melhor exemplo. Nas notícias dos últimos dias, a Polônia surgiu nos radares. Morte do presidente polonês Lech Kaczynski e sua comitiva de Estado. Em território russo. Macabra ironia: no momento em que russos e poloneses tencionavam relembrar as vítimas do massacre de Katyn (22 mil poloneses assassinados por Stálin em 1940), novo horror em acidente de aviação.
Lamento o sucedido. Mas lamento que a tragédia polonesa tenha ocultado a tragédia húngara ao lado.
Em eleições gerais, os socialistas da Hungria foram varridos do poder. Não apenas pela direita respeitável da legenda Fidesz, que conseguiu a maioria dos assentos no Parlamento. A extrema-direita do partido Jobbik regressa também à cena política com 26 vagas. É a primeira vez que tal acontece desde a Segunda Guerra Mundial. Mas quem é essa gente?
Segundo o "Daily Telegraph", o Jobbik, amparado pela Guarda Magiar, um grupo paramilitar até agora banido pelo estado húngaro, é um partido para o qual a única forma de combater a pior depressão econômica do país desde a década de 1930 passa por repetir a receita de 1930.
Protecionismo feroz. Nacionalismo agressivo. Combate à imigração. E trela curta para judeus e ciganos, vistos como minorias responsáveis pelo declínio da nação.
Pela boca do líder, Gabor Vona, que tenciona tomar o lugar no Parlamento com o traje proibido dos "magiares", uma das soluções para a decadência húngara pode ser a ressurreição da infame "Gendarmerie", o corpo policial militar que deportou 500 mil judeus húngaros para os campos de extermínio nazistas. Aos "gendarmes" de hoje estaria confiada a tarefa mais branda de "vigiarem" as referidas minorias. Enganam-se os que pensam que o caso húngaro é apenas um epifenômeno. Ele é a confirmação de uma sinistra tendência que as eleições europeias de 2009 revelaram de forma brutal. Com uma Europa economicamente estagnada, incapaz de gerar emprego e crescimento, e com a elite política de Bruxelas cada vez mais distante dos problemas reais que afligem as pessoas reais, os europeus são hoje presas fáceis para discursos populistas, nacionalistas e estridentemente xenófobos.
A extrema direita ressurge em todo o continente porque ressurge também o mesmo caldo de medo e ressentimento que produziu os desastres conhecidos.
Assim é na Hungria. Mas, como se viu nas últimas eleições europeias, também na Áustria, na Romênia, na Finlândia. Na Grécia. Na França. E até na tolerante Holanda.
Os meus alunos nasceram com o "fim da história". E olham para certas figuras da memória recente (Gorbatchev, Ceausescu, Thatcher ou Reagan) com a mesma estranheza com que se olha para os daguerreótipos da rainha Vitória.
Essa realidade faz de mim um professor precocemente velho. Mas faz também de mim um professor feliz: por saber que foram poupados das privações e dos horrores de seus pais ou avós. Por saber, enfim, que tiveram a sorte de nascer na altura certa.
Como, apesar de tudo, eu próprio.
Seria uma traição brutal, para mim e para eles, se os líderes europeus do momento esquecessem as lições da história, permitindo um regresso ao passado por cegueira ou inação.

jpcoutinho@...




#116807 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 20 de Abr de 2010 10:46 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Vitrines de Amsterdã


É porque existe um espaço só nosso que há liberdade de pensarmos como entendemos


RECEBO CONVITES de amizade todos os dias. Por e-mail. Alguém deseja ser meu amigo e convida-me para integrar uma lista virtual em que existem dezenas ou centenas ou milhares de amigos virtuais. A pretensão encanta-me e remete-me para memórias de infância. No recreio da escola, alguém se aproximava, alguém perguntava: "Queres ser meu amigo?".
A comparação é talvez ofensiva para a infância: nesses tempos, havia pelo menos o contato real com um ser humano real. Hoje, nem isso: a palavra "amizade", usada na internet, é uma traição da sua natureza verdadeira. A amizade não é um convite. É um acaso. O melhor de todos os acasos.
E quem é amigo de dezenas, ou centenas, ou milhares de pessoas, obviamente não é amigo de uma só. A amizade implica tempo, disponibilidade. E, como no amor, existe na amizade uma dimensão de sacrifício e exclusividade que o ruído cibernauta contamina. Na minha vida profissional, conheço dezenas de pessoas. Mas os meus amigos são tão poucos que não excedem os dedos de uma mão.
Recebo convites de amizade todos os dias. Todos os dias nada respondo, uma forma educada de recusar perguntas que não se fazem. Mas sei que pertenço a uma espécie em vias de extinção.
Conta o "Courrier Internacional", na sua edição portuguesa, que o maior site social é o Facebook, com os seus 350 milhões de utilizadores. Se fosse um país, o Facebook seria o terceiro mais povoado, depois da China e da Índia.
Um admirável mundo novo? Será. Mas um mundo novo traz dilemas novos. E novas ameaças. Não falo da ameaça metafísica, ou existencial, de sermos incapazes de manter ligações significativas com alguém. As ameaças lidam também com a privacidade, ou com o valor que conferimos à privacidade num mundo onde nos expomos e espiamos.
Ainda segundo a revista, e só nos EUA, um adolescente em cada cinco e um jovem adulto em cada três já enviou fotografias ou vídeos seus onde estão nus ou seminus. Mas não é preciso entrar nessas doces pornografias para ver nas "redes sociais" o que os turistas encontram nas vitrines de Amsterdã: a revelação pública da intimidade. Em fotos ou palavras. Lamentos ou pensamentos.
Alguns especialistas discordam. E defendem que, no mundo moderno, não faz mais sentido defender a esfera privada. Porque tudo é privado; ou, inversamente, tudo é público, o que facilita a comunicação, a partilha e, em certos casos, a denúncia da violência e da arbitrariedade.
Não estou convencido. Creio, aliás, no oposto: a conquista da privacidade, só possível no Ocidente com a emergência do Cristianismo, não foi apenas importante ao garantir aos homens um refúgio último e pessoal em que a consciência, e não a pressão da turba, é soberana. A conquista da privacidade, conferindo a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, permitiu também o culto de outras liberdades.
Como relembra o escritor Jordi Soler no mesmo número da revista, é precisamente porque existe um espaço nosso, e só nosso, que existe também a liberdade de pensarmos como entendemos; de nos reunirmos com quem quisermos; e de nos expressarmos sem temer as interferências do poder político com a sua pata potencialmente censória.
Quando expomos voluntariamente a nossa privacidade, estamos voluntariamente a entregar a desconhecidos o que levou séculos a conquistar e preservar. Uma rendição da nossa identidade. Não será de espantar, por isso, que comecem a surgir vozes preocupadas. Como Alex Türk, presidente da Comissão Nacional de Informática e Liberdade, da França. Para Türk, todos os interessados deveriam poder solicitar às autoridades judiciais e aos servidores de internet o "direito ao esquecimento". O direito a podermos apagar do mundo virtual as pegadas que fomos deixando, e que outros foram copiando, sobre os nossos trajetos passados.
Num dos seus contos mais notáveis, "Funes el Memorioso", Jorge Luis Borges construiu uma parábola sobre um homem incapaz de esquecer. O conto de Borges não é apenas a descrição sardônica do infeliz e insone Funes, que após acidente juvenil passou a registrar, com precisão patológica, cada minuto, gesto, palavra ou imagem do mundo em volta. Uma coleção interminável que o impede de viver normalmente. O conto é uma elegia sobre a importância do esquecimento. Porque sem esquecimento não existe liberdade para continuarmos ainda e um pouco mais.

jpcoutinho@...


#116836 De: john constantine <jjohnconstantine@...>
Data: Ter, 20 de Abr de 2010 3:21 pm
Assunto: Re: João Pereira Coutinho
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Esse governo ianque é um verdadeiro filho da puta, fica mandando seus soldados cibernéticos, controlados por jogadores de videogames, à casa das pessoas e as obriga a mandar fotos suas de nu e semi-nu para os sites de relacionamento. Metranca na cara, tá entendendo? Metranca na cara, mermão.

Privacidade é algo de que se pode abrir mão ou defender. Se não há regra institucionalizada impedindo a privacidade, tudo vai bem.

Mas privacidade sem liberdade de expressão é uma máquina de monstros, pois a busca de iguais é coisa comum na humanidade, logo, falar o que se pensa é tão importante quanto se pensar. Se não se fala para se achar acolhida aqui e ali, torna-se cada vez mais pária e cada vez mais perigoso ao sistema de plantão. Razão pela qual nossos amados monarquistas também vão querer proibi-la :-)

Em 20 de abril de 2010 07:46, Nivaldo Cordeiro <nivaldocordeiro@...> escreveu:
 

JOÃO PEREIRA COUTINHO

Vitrines de Amsterdã


É porque existe um espaço só nosso que há liberdade de pensarmos como entendemos


RECEBO CONVITES de amizade todos os dias. Por e-mail. Alguém deseja ser meu amigo e convida-me para integrar uma lista virtual em que existem dezenas ou centenas ou milhares de amigos virtuais. A pretensão encanta-me e remete-me para memórias de infância. No recreio da escola, alguém se aproximava, alguém perguntava: "Queres ser meu amigo?".
A comparação é talvez ofensiva para a infância: nesses tempos, havia pelo menos o contato real com um ser humano real. Hoje, nem isso: a palavra "amizade", usada na internet, é uma traição da sua natureza verdadeira. A amizade não é um convite. É um acaso. O melhor de todos os acasos.
E quem é amigo de dezenas, ou centenas, ou milhares de pessoas, obviamente não é amigo de uma só. A amizade implica tempo, disponibilidade. E, como no amor, existe na amizade uma dimensão de sacrifício e exclusividade que o ruído cibernauta contamina. Na minha vida profissional, conheço dezenas de pessoas. Mas os meus amigos são tão poucos que não excedem os dedos de uma mão.
Recebo convites de amizade todos os dias. Todos os dias nada respondo, uma forma educada de recusar perguntas que não se fazem. Mas sei que pertenço a uma espécie em vias de extinção.
Conta o "Courrier Internacional", na sua edição portuguesa, que o maior site social é o Facebook, com os seus 350 milhões de utilizadores. Se fosse um país, o Facebook seria o terceiro mais povoado, depois da China e da Índia.
Um admirável mundo novo? Será. Mas um mundo novo traz dilemas novos. E novas ameaças. Não falo da ameaça metafísica, ou existencial, de sermos incapazes de manter ligações significativas com alguém. As ameaças lidam também com a privacidade, ou com o valor que conferimos à privacidade num mundo onde nos expomos e espiamos.
Ainda segundo a revista, e só nos EUA, um adolescente em cada cinco e um jovem adulto em cada três já enviou fotografias ou vídeos seus onde estão nus ou seminus. Mas não é preciso entrar nessas doces pornografias para ver nas "redes sociais" o que os turistas encontram nas vitrines de Amsterdã: a revelação pública da intimidade. Em fotos ou palavras. Lamentos ou pensamentos.
Alguns especialistas discordam. E defendem que, no mundo moderno, não faz mais sentido defender a esfera privada. Porque tudo é privado; ou, inversamente, tudo é público, o que facilita a comunicação, a partilha e, em certos casos, a denúncia da violência e da arbitrariedade.
Não estou convencido. Creio, aliás, no oposto: a conquista da privacidade, só possível no Ocidente com a emergência do Cristianismo, não foi apenas importante ao garantir aos homens um refúgio último e pessoal em que a consciência, e não a pressão da turba, é soberana. A conquista da privacidade, conferindo a Deus o que é de Deus e a César o que é de César, permitiu também o culto de outras liberdades.
Como relembra o escritor Jordi Soler no mesmo número da revista, é precisamente porque existe um espaço nosso, e só nosso, que existe também a liberdade de pensarmos como entendemos; de nos reunirmos com quem quisermos; e de nos expressarmos sem temer as interferências do poder político com a sua pata potencialmente censória.
Quando expomos voluntariamente a nossa privacidade, estamos voluntariamente a entregar a desconhecidos o que levou séculos a conquistar e preservar. Uma rendição da nossa identidade. Não será de espantar, por isso, que comecem a surgir vozes preocupadas. Como Alex Türk, presidente da Comissão Nacional de Informática e Liberdade, da França. Para Türk, todos os interessados deveriam poder solicitar às autoridades judiciais e aos servidores de internet o "direito ao esquecimento". O direito a podermos apagar do mundo virtual as pegadas que fomos deixando, e que outros foram copiando, sobre os nossos trajetos passados.
Num dos seus contos mais notáveis, "Funes el Memorioso", Jorge Luis Borges construiu uma parábola sobre um homem incapaz de esquecer. O conto de Borges não é apenas a descrição sardônica do infeliz e insone Funes, que após acidente juvenil passou a registrar, com precisão patológica, cada minuto, gesto, palavra ou imagem do mundo em volta. Uma coleção interminável que o impede de viver normalmente. O conto é uma elegia sobre a importância do esquecimento. Porque sem esquecimento não existe liberdade para continuarmos ainda e um pouco mais.

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#117648 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 27 de Abr de 2010 10:55 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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Caridades cristãs


As patrulhas não católicas, sem o papa, simplesmente não conseguiriam viver



EXISTE NESTE mundo um tema que é polêmica garantida: o papa. Na semana passada, num jantar, descobri o fenômeno e testemunhei uma violência inesperada. Alguém falou da visita de Bento 16 a Portugal no próximo mês. Houve indignações e desmaios à mesa. Como explicar estas reações hormonais que me espantam e divertem?
Bento 16 não é um papa qualquer, admito. Se tivesse nascido num país do Terceiro Mundo; se viesse da ala esquerda da igreja; se promovesse os temas progressistas do momento (preservativo, ordenação de mulheres, fim do celibato), talvez as reações não fossem tão extremas.
Acontece que Joseph Ratzinger é alemão. É um respeitado intelectual europeu, mesmo por pensadores seculares (como Habermas). E, em matéria de ortodoxia, foi o presidente da Congregação para a Doutrina da Fé, órgão máximo do Vaticano que defende e promove a doutrina da igreja, antes de chegar à cadeira pontifical. Será preciso dizer mais?
Alguns críticos lembram ainda os "abusos sexuais" que assolaram a instituição. Lamento desapontá-los.
A hostilidade a este papa já existia antes dos abusos. Sobreviverá a eles. Até porque os abusos existem em todas as denominações religiosas e ninguém fala do assunto. A hostilidade só tem um sentido. Um curioso sentido.
Digo "curioso" pelo motivo mais prosaico: a Igreja Católica fala para o seu rebanho. E, ao contrário de outros movimentos religiosos extremistas, não está interessada em submeter os infiéis pela força da espada. Roma evangeliza quem se deseja evangelizar.
E mesmo a sua doutrina sexual, que tanto encarniça os espíritos sofisticados, é um exemplo de modernidade e até de tolerância quando a comparamos com preceitos de outros credos. Condenar a camisinha é uma coisa. Outra, bem pior, é condenar a camisinha, apedrejar mulheres adúlteras ou enforcar homossexuais ladinos. Como sucede noutras latitudes.
Mas o circo não para. No Reino Unido, o Ministério de Relações Exteriores viu-se obrigado a pedir desculpas ao Vaticano. Conta o "Sunday Telegraph" que funcionários da instituição, instados a sugerir ideias para a visita do papa ao país (em setembro), propuseram em memorando interno uma linha de camisinhas com a marca Ratzinger; a abertura de uma clínica antiaborto; e, fatal como o destino, uma bênção papal de um casamento gay. O Vaticano pondera agora cancelar a visita.
E se assim foi na Grã-Bretanha, assim será em Portugal: informa a imprensa lusa que o papa não terá descanso quando aterrar em Lisboa. Por onde passar, existirão manifestações contra Bento 16, e grupos de jovens a distribuir preservativos e folhetins científicos sobre o perigo da AIDS.
Que dizer destes atos? Descontando a natureza infantil dessa gente, que estranhamente ainda não abandonou a idiotia própria da adolescência, o que existe nesses atos é uma paradoxal e assaz bizarra submissão à autoridade da igreja. Explico. Para um não católico, a igreja será apenas uma instituição entre várias, que legitimamente fala para quem a quiser ouvir. Um não católico não lhe reconhece autoridade especial; e não perde um minuto do seu precioso e laico tempo a tentar corrigir uma instituição a que não pertence.
E, em matéria sexual, estamos conversados: o que a igreja diz sobre a conduta privada dos seres humanos terá para um não católico a mesma importância que as recomendações da religião islâmica, ou judaica, ou hindu. Importância nenhuma.
É por isso paradoxal e bizarro o comportamento das patrulhas anticatólicas, que revelam ser o contrário daquilo que professam. Elas dizem-se "libertas" da influência apostólica romana. Mas, por palavras ou atos, limitam-se a manifestar uma obsessão com o papa que nem o mais católico dos católicos consegue exibir. Elas querem "resgatar" a sociedade da influência nociva da igreja. Mas são elas próprias que ainda se sentem "sequestradas" por uma instituição à qual reconhecem total ascendência sobre as suas vidas. As patrulhas, sem o papa, simplesmente não conseguiriam viver.
Por isso proponho: por cada camisinha distribuída durante as andanças de Bento 16, alguém deveria dar um abraço compassivo aos fanáticos, aliviando o sofrimento deles e deixando uma palavra de conforto. "Fica tranquilo, rapaz; é só o papa." A caridade cristã existe para estes momentos.

jpcoutinho@...


#118151 De: "Nivaldo Cordeiro" <nivaldocordeiro@...>
Data: Ter, 4 de Mai de 2010 11:46 am
Assunto: João Pereira Coutinho
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JOÃO PEREIRA COUTINHO

Da grandeza e da miséria


Como é possível estudar a miséria humana na Rússia quando ela existe na nossa alma?


SOU UM HOMEM , nada do que é humano me é alheio. Roubo a frase a Montaigne, que a roubou ao romano Terêncio. Não é fácil cultivar essa disposição: aceitar o que é humano é aceitar tudo, não apenas os aspectos solares da nossa existência. É fácil aceitar o amor, o altruísmo, a bondade. Mais difícil é aceitar o ódio, a mesquinhez, a maldade. Mas é impossível escolher. Ou somos tudo ou somos nada.
Orlando Figes que o diga. Uma apresentação do senhor: nos últimos anos, Figes tem sido um dos meus historiadores de eleição.
Descobri-o em "A People's Tragedy" (uma tragédia das pessoas; Penguin). É a melhor história da Revolução Russa que conheço. Ou, para usar a qualificação de Figes, é a melhor história das revoluções russas (várias) que começaram em plena Primeira Guerra Mundial e se estenderam até à morte de Lênin. Em 1924, a velha Rússia estava enterrada e Stálin dispunha dos recursos necessários para tiranizar um continente inteiro. Continuei leitor de Figes em "Natasha's Dance" (dança de Natasha; Picador), uma história cultural da Rússia. Da relação intensa, por vezes patológica, dos russos com a sua "identidade" e com os meios artísticos para a expressar. Antes de Figes, os estudos de Isaiah Berlin sobre o assunto em "Russian Thinkers" (pensadores russos) eram o Everest do gênero. Figes escalou a montanha e substituiu a bandeira no cume.
Finalizo o meu namoro com "The Whisperers" (os sussurradores; Metropolitan Books), provavelmente o melhor dos três: uma história da vida privada sob o regime de Stálin. O comunismo não promoveu apenas a ruína econômica conhecida. Promoveu uma ruína moral, ou existencial, convertendo um povo à delação, ao medo e, atenção ao título, ao contínuo sussurrar dos escravos.
Figes, um super-historiador. E um super-historiador que poucas semanas atrás se viu envolvido no mais bizarro escândalo editorial em Inglaterra. Tudo porque no site da Amazon surgiam críticas aos livros de Figes que não se limitavam a elogiar Figes ("um autor fascinante", "livros assombrosos" etc.).
As críticas partiam para o assalto e o insulto sistemáticos a colegas de profissão e respectivas obras (Robert Service, o conhecido biógrafo de Lênin, Trotsky e Stálin, foi um dos visados).
O "Times Literary Supplement" levantou a dúvida: seria Figes o autor das críticas? Figes, ou um advogado por ele, ameaçou processar o jornal por difamação.
Mas com o tempo, e com novas revelações (o e-mail usado no site da Amazon denunciava o nome de família do autor anônimo), Figes mudou o tom. As críticas, afinal, eram da sua mulher, disse Figes. Ou um advogado por ele.
Só que as críticas não eram da sra.
Figes. Eram do sr. Figes. O próprio, em comunicado, assumiu finalmente a paternidade e pediu desculpas aos visados.
Os visados não queriam acreditar.
Robert Service publicou texto no "The Guardian" em que expressou repulsa e estupefação. Não condeno Service. Mas nada que seja humano lhe deveria ser estranho. E o caso Figes é, sobretudo, um painel admirável sobre a grandeza e a miséria de um homem.
É um painel sobre um reconhecido intelectual que, apesar de tudo, e de tanto, ainda tem tempo e vagar para alimentar os bichos interiores da insegurança e da inveja. Cada livro de Figes é um monumento de erudição, estilo e, já agora, gramagem. Todos eles limparam os principais prêmios da academia britânica.
E, no entanto...
E, no entanto, imagino Figes, nas horas da madrugada, batendo umas linhas de autoelogio na internet e disparando sobre colegas rivais.
Há algo de infantil e mesquinho na empreitada. E há muito de covarde, também. Duplamente covarde.
Pelo ataque anônimo aos seus pares, assim privados de se defender; e pela deliciosa tentativa de desculpas, imputando as ditas à mulher. Não fui eu. Foi a minha senhora. Desculpem-na. Ela ama-me demais. Leio essa odisseia no jornal e depois olho para a estante onde estão os livros de Figes. Que continuarei a ler e a reler, sim, embora lamentando o desperdício de tempo. Não do meu.
Mas do tempo de Figes. Quando Michel de Montaigne mandou gravar a conhecida frase de Terêncio na sua biblioteca, a intenção era evidente: a fundamental investigação que nos deve ocupar e preocupar é a investigação de nós sobre nós.
Por isso pergunto: como é possível perder anos de vida a estudar a miséria da natureza humana na Rússia quando ela existe, em quantidades generosas, dentro da nossa alma?

jpcoutinho@...


 
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