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#14302 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Qua, 25 de Nov de 2009 11:11 am
Assunto: Amor e Sexo (Marcuse e Foucault)
o_filosofo_d...
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*Amor e Sexo*
http://ghiraldelli.pro.br

“Amor é isto, sexo é aquilo”. Rita Lee acerta em cheio quando canta esse
tipo de coisa. Amor é *isto aqui*, o que eu faço, mas o sexo é *aquilo lá*,
o que eles fazem. Mesmo os de conduta mais aberta, não raro, acabam por
utilizar de uma frase como esta. No entanto, na mesma música, Rita Lee diz
que “amor sem sexo é amizade”. Amor é o que eu faço, sexo é o que o outro
faz e, no entanto, se eu amar e não fizer sexo nunca poderei dizer que amei,
sempre terei de dizer que desenvolvi uma boa amizade. Abre-se aí, em nossa
sociedade, um canal para a infelicidade e para a perversa jocosidade. Os que
são só capazes de amizade, nunca de amor, são tidos como infelizes e, ao se
apresentarem como insatisfeitos sexuais ou mesmo frígidos, são objetos de
piada.

Diante disso, um marcusiano lembraria o quanto nossa “sociedade do trabalho”
criou mecanismos de repressão. Ao mesmo tempo, um foucaultiano diria que
qualquer discurso pretensamente “liberador”, envolvido com essa descrição
acima, estaria ele próprio desenvolvendo mecanismos de poder e controle.

Durante um bom tempo procurei em meus textos separar a tese marcusiana da
tese foucaultina. Distinguir repressão, na terminologia marcusiana, de poder
e controle, na terminologia foucaultiana. Elas aparecem ligadas na esquerda
americana dos últimos anos e, por conta disso, sempre me mantive atento para
não induzir a erros os mais jovens. Mas, não é verdade que elas sejam teses
incompatíveis. Com Marcuse, ficamos sabendo que vivemos um mundo
deserotizado. Com Foucault, aprendemos que um mundo deserotizado não é um
mundo que não fala de sexo mas, inversamente, fala muito de sexo.

Quando caminhamos com Marcuse, começamos a sonhar com uma sociedade em que
vários elementos do hedonismo helênico deveriam ter sido valorizados pelo
materialismo moderno e, no entanto, não foram. Assim, até mesmo as correntes
menos tendentes a separar amor de sexo, acabaram por separá-lo e, assim,
entraram pela via do enaltecimento do primeiro como um valor em si, e a
recomendação do segundo como um valor médico, dado que o valor meramente
procriativo foi perdendo crédito. Foucault, por sua vez, nos leva para
campos nada utópicos. Para ele, a separação entre amor e sexo pode ser feita
por um esquecimento do hedonismo que era inerente ao materialismo, mas isso
importa menos do que ver que a separação, ao se colocar, nos joga todos não
como cultivadores do amor, e sim como usuários de uma rede de discursos
sobre o sexo que, em nossa sociedade ocidental, desde os gregos, foi se
tornando o lugar da nossa verdade. Sendo necessário “conhecer-se a si
mesmo”, como expôs o dístico do Templo de Apolo, então que se conheça o que
fazemos com o sexo. Esse campo da trama na qual se encontra a verdade é,
também, o lugar onde o poder, não como mera repressão, mas como força
positiva, estabelece os seus micro-tentáculos de controle.

Não podemos viver só de amizade, e então temos de ter amor com sexo. Mas,
nós sabemos bem (ou melhor, pressentimos) que estamos deserotizados.
Deixados sem estímulo, ficaríamos passivos. Uma passividade excessiva
criaria um tédio maior do que aquele que Nietzsche acreditou que era o que
realmente vivíamos. Para nos tirar desse tédio e voltarmos a conviver com
algum estímulo, uma avalanche de mecanismos – mais caricaturescos do que
eficazes – nos surge por todos os lados: revistas de pornografia,
sex-shoppings, filmes e programas eróticos ou pornô-eróticos na TV e, é
claro, mil e uma possibilidades abertas pela Internet. Quando vozes do senso
comum conservador tendem a surgir para vociferar contra isso, os próprios
meios conservadores tratam logo de lhes dar uma explicação, para que o
movimento de estímulo não pare. Por isso, uma revista *Veja*, altamente
conservadora, estampa em sua capa, mais de duas ou três vezes em um ano,
reportagens sobre a necessidade do sexo como elemento de uma felicidade
indicada por médicos – as autoridades atuais a respeito não só do corpo, mas
do espírito e tudo o mais.

Entrando no movimento de anti-deserotização promovido por essa indústria,
não ficamos mais liberados. Somos apenas capazes de romper com algumas falas
da repressão em seu estado mais audível para, então, nos ver presos em uma
teia de mini-controles. Somos redescritos pela indústria da cultura
erótico-pornográfica, que vai do sexo ao vivo em boate de terceira categoria
ao consultório do psicanalista, e nisso ganhamos uma função em uma trama nem
um pouco favorável à nossa liberdade. É o preço que pagamos para deixarmos
para traz “amor é isto, sexo é aquilo” e adotar um posição que visa mostrar
o quanto não queremos como imperativo viver o “amor sem sexo”, pois isto é *
apenas* amizade.

Utilizando Marcuse e Foucault segundo a minha leitura e intenção, pode-se
compreender de um maneira talvez útil os casos como o da professora baiana
que dançou o “Todo Enfiado” e perdeu o emprego em sua escola (meu
texto aqui<http://ghiraldelli.pro.br/2009/09/etica/>),
ou de situações como a da aluna da Uniban que foi hostilizada por colegas
que a chamaram de “pu-ta, pu-ta, pu-ta” (e, depois, expulsa da universidade)
(meu texto e vídeos aqui<http://ghiraldelli.pro.br/2009/11/uniban-fascista/>).
Nos dois casos, o *comportamento erótico* foi tão enfatizado pelos analistas
e pela mídia, em um sentido de reiteração do senso comum, que toda e
qualquer análise que não reduzisse o episódio a um problema ligado ao sexo,
em determinados momentos não mais atingia os ouvidos da maior parte de nossa
sociedade. Claro! Marcuse poder estar certo: a deserotização é a regra e,
quando o erótico sai das capas de revistas ou da internet para ocupar outro
espaço, ele é convidado a voltar para trás, recolher ao lugar de onde veio.
Mas Foucault também pode estar certo: não se quer fazer o erótico voltar e
ficar lá de onde veio, assim, sem mais, o importante é levá-lo para um
passeio antes de devolvê-lo em casa. Assim, há um convite para que ele caia
na trama de um novo controle, os discursos de compreensão científica do
erótico.

Quando adicionamos Marcuse a Foucault, entendemos o texto de Renato Janine
Ribeiro
(aqui<http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&co\
dnot=943003>),
falando da garota da Uniban (na Folha de S. Paulo), como a reiteração do
senso comum. Exatamente quando a mídia começou a dar passos no sentido de
tratar do caso como um caso de desrespeito a direitos humanos, tentando
vê-lo para além da trama das explicações sobre desejos, pulsões etc., Janine
veio, não à toa tardiamente, dizer que se tratava, sim, de um problema de
saber sobre a não disciplina de impulsos dos alunos da Uniban, que, então,
teriam feito o que fizeram por uma “tesão” não explícita pela moça. Ou seja,
Janine, sabendo ou não, cumpriu aí o papel da revista *Veja*: vamos falar de
sexo, vamos nos liberar e falar de sexo, mas que ele não saia do campo do
falar de sexo, que ele não se mostre como algo que pode, talvez, escapar do
senso comum e escapar dos discursos científicos que já o aprisionaram. Eu
diria que, nisso, Janine cumpriu aí a função clara de “ideólogo”, no sentido
tradicional do termo – o que antes mascara que esclarece um episódio.

Uma visão bem melhor que a de Janine, quanto ao caso da “moça da Uniban”,
foi a do psicanalista Contardo Caligaris, exposta também na Folha de S.
Paulo
(aqui<http://contardocalligaris.blogspot.com/2009/11/turba-da-uniban.html>).
Ele não circunscreveu o problema ao erotismo, mas jogou-o no campo das
relações de poder. Todavia, ele rapidamente limitou o campo, ao falar de
“machismo”. Assim, também ele ficou aquém de escapar de uma crítica
marcusiana-foucaultiana. O machismo, a dominação da mulher pelo homem,
situação que vai do conflito real até chegar às caricaturas que conhecemos,
ainda é um discurso da ciência. Ou melhor, agora, mais do que nunca, é um
discurso da ciência – da antropologia à biologia. Assim, o problema é
abordado por vários lados, mas o campo da deserotização continua valendo e o
campo do controle do discurso científico sobre o erotismo e sobre o
deserotismo também se mantém. Nenhum mecanismo de controle é ameaçado. No
frigir dos ovos podemos dizer que tudo como antes: uma Geisy ou uma
professora baiana não ganham nenhuma ajuda, apenas novas prisões.

O discurso asséptico das entidades de direitos humanos e políticos é, nesse
caso, o mais libertador. Quando a questão vai para o âmbito do liberalismo
instituído no Ocidente e, então, surgem as cobranças em favor da garantia da
liberdade individual, aparentemente estamos deserotizando a situação, mas,
na prática, estamos fazendo a única coisa correta: com tais atitudes
promovemos o respeito ao campo das opções privadas – no caso de Geisy, o de
se maquiar, se vestir,  no caso do da professora baiana, o direito ao lazer
etc. –, e isso é o favorecimento da vida livre. Não forjamos mais
deserotização. No máximo, a ficamos no mesmo nível. Mas, é certo, não
colocamos um discurso científico que irá dizer “a verdade” do que ocorreu,
criando então os controles ramificados em teia em mais forte posição.

Essa guinada para o campo da ação social pode ser assumida como uma saída
filosófica: deixa a filosofia tradicional de lado, que se aproxima do senso
comum neste caso, e opta-se pelo pragmatismo, pelo campo das tomadas de
decisões políticas – em favor da democracia. De certo modo, isso faz parte
da “filosofia como política cultural”, desejada por Richard Rorty.

Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo.


--
Blog: http://ghiraldelli.pro.br
Twitter: http://twitter.com/ghiraldelli
Rede: http://ghiraldelli.ning.com
Portal: http://filosofia.pro.br


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14301 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Ter, 24 de Nov de 2009 5:08 pm
Assunto: Amor e sexo
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*Amor e Sexo*

http://ghiraldelli.pro.br
**

“Amor é isto, sexo é aquilo”. Rita Lee acerta em cheio quando canta esse
tipo de coisa. Amor é *isto aqui*, o que eu faço, mas o sexo é *aquilo lá*,
o que eles fazem. Mesmo os de conduta mais aberta, não raro, acabam por
utilizar de uma frase como esta. No entanto, na mesma música, Rita Lee diz
que “amor sem sexo é amizade”. Amor é o que eu faço, sexo é o que o outro
faz e, no entanto, se eu amar e não fizer sexo nunca poderei dizer que amei,
sempre terei de dizer que desenvolvi uma boa amizade. Abre-se aí, em nossa
sociedade, um canal para a infelicidade e para a perversa jocosidade. Os que
são só capazes de amizade, nunca de amor, são tidos como infelizes e, ao se
apresentarem como insatisfeitos sexuais ou mesmo frígidos, são objetos de
piada.

Diante disso, um marcusiano lembraria o quanto nossa “sociedade do trabalho”
criou mecanismos de repreossão. Ao mesmo tempo, um foucaultiano diria que
qualquer discurso pretensamente “liberador”, envolvido com essa descrição
acima, estaria ele próprio desenvolvendo mecanismos de poder e controle.

Durante um bom tempo procurei em meus textos separar a tese marcusiana da
tese foucaultina. Elas aparecem ligadas na esquerda americana dos últimos
anos e, por conta disso, sempre me mantive atento para não induzir a erros
os mais jovens. Mas, não é verdade que elas sejam teses incompatíveis. Com
Marcuse, ficamos sabendo que vivemos um mundo deserotizado. Com Foucault,
aprendemos que um mundo deserotizado não é um mundo que não fala de sexo,
mas que fala muito de sexo.

Quando caminhamos com Marcuse, começamos a sonhar com uma sociedade em que
vários elementos do hedonismo helênico deveriam ter sido valorizados pelo
materialismo moderno e, no entanto, não foram. Assim, até mesmo as correntes
menos tendentes a separar amor de sexo, acabaram por separá-lo e, assim,
entraram pela via do enaltecimento do primeiro como um valor em si, e a
recomendação do segundo como um valor médico, dado que o valor meramente
procriativo foi perdendo crédito. Foucault, por sua vez, nos leva para
campos nada utópicos. Para ele, a separação entre amor e sexo pode ser feita
por um esquecimento do hedonismo que era inerente ao materialismo, mas isso
importa menos do que ver que a separação, ao se colocar, nos joga todos não
como cultivadores do amor, e sim como usuários de uma rede de discursos
sobre o sexo que, em nossa sociedade ocidental, desde os gregos, foi se
tornando o lugar da nossa verdade. Sendo necessário “conhecer-se a si
mesmo”, como expôs o dístico do Templo de Apolo, então que se conheça o que
fazemos com o sexo. Esse campo da trama na qual se encontra a verdade é,
também, o lugar onde o poder, não como mera repressão, mas como força
positiva, estabelece os seus micro-tentáculos de controle.

Não podemos viver só de amizade, e então temos de ter amor com sexo. Mas,
nós sabemos bem (ou melhor, pressentimos) que estamos deserotizados.
Deixados sem estímulo, ficaríamos passivos. Uma passividade excessiva
criaria um tédio maior do que aquele que Nietzsche acreditou que era o que
realmente vivíamos. Para nos tirar desse tédio e voltarmos a conviver com
algum estímulo, uma avalanche de mecanismos – mais caricaturescos do que
eficazes – nos surge por todos os lados: revistas de pornografia,
sex-shoppings, filmes e programas eróticos ou pornô-eróticos na TV e, é
claro, mil e uma possibilidades abertas pela Internet. Quando vozes do senso
comum conservador tendem a surgir para vociferar contra isso, os próprios
meios conservadores tratam logo de lhes dar uma explicação, para que o
movimento de estímulo não pare. Por isso, uma revista *Veja*, altamente
conservadora, estampa em sua capa, mais de duas ou três vezes em um ano,
reportagens sobre a necessidade do sexo como elemento de uma felicidade
indicada por médicos – as autoridades atuais a respeito não só do corpo, mas
do espírito e tudo o mais.

Entrando no movimento de anti-deserotização promovido por essa indústria,
não ficamos mais liberados. Somos apenas capazes de romper com a fala da
repressão maior para, então, nos ver presos em uma teia de mini-controles.
Somos redescritos pela indústria da cultura erótico-pornográfica, que vai do
sexo ao vivo em boate de terceira categoria ao consultório do psicanalista,
e nisso ganhamos uma função em uma trama nem um pouco favorável à nossa
liberdade. É o preço que pagamos para deixarmos para traz “amor é isto, sexo
é aquilo” e adotar o quanto não queremos como imperativo viver o “amor sem
sexo”, pois ele é *apenas* amizade.

Aproveitando de Marcuse e Foucault nos moldes que faço, pode-se compreender
de um maneira talvez útil os casos como o da professora baiana que dançou o
“Todo Enfiado” e perdeu o emprego em sua escola, ou de situações como a da
aluna da Uniban que foi hostilizada por colegas que a chamaram de “pu-ta,
pu-ta, pu-ta” por conta de uma postura talvez ousada (e, depois, expulsa da
universidade). Nos dois casos, o *comportamento erótico* foi tão enfatizado
pelos analistas e pela mídia, em um sentido de reiterar o senso comum, que
toda e qualquer análise que não reduzisse o episódio a um problema ligado ao
sexo não penetrou os ouvidos da maior parte de nossa sociedade. Claro!
Marcuse poder estar certo: a deserotização é a regra e, quando o erótico sai
das capas de revistas ou da internet para ocupar outro espaço, ele é
convidado a voltar para onde veio. Mas Foucault também pode estar certo: não
se quer fazer o erótico voltar para onde veio, assim, sem mais, o importante
é levá-lo para um passeio antes de devolvê-lo em casa. Assim, vamos
convidá-lo a cair na trama de um novo controle, os discursos de compreensão
científica do erótico.

Quando adicionamos Marcuse a Foucault, entendemos o texto de Renato Janine
Ribeiro, falando da garota da Uniban, como a reiteração do senso comum.
Exatamente quando a mídia começou a dar passos no sentido de tratar do caso
como um caso de desrespeito a direitos humanos, tentando vê-lo para além da
trama das explicações sobre desejos, pulsões etc., Janine veio, não à toa
tardiamente, dizer que se tratava, sim, de um problema de saber sobre a não
disciplina de impulsos dos alunos da Uniban, que, então, teriam feito o que
fizeram por uma “tesão” não explícita pela moça. Ou seja, Janine, sabendo ou
não, cumpriu aí o papel da revista *Veja*: vamos falar de sexo, vamos nos
liberar e falar de sexo, mas que ele não saia do campo do falar de sexo, que
ele não se mostre como algo que pode, talvez, escapar do senso comum e
escapar dos discursos científicos que já o aprisionaram. Eu diria que,
nisso, Janine cumpriu aí a função clara de “ideólogo”, no sentido
tradicional do termo – o que antes mascara que esclarece um episódio.

Uma visão bem melhor que a de Janine, quanto ao caso da “moça da Uniban”,
foi a do psicanalista Contardo Caligaris. Ele não circunscreveu o problema
ao erotismo, mas jogou-o no campo das relações de poder. Todavia, ele
rapidamente limitou o campo, ao falar de “machismo”. Assim, também ele ficou
aquém de escapar de uma crítica marcusiana-foucaultiana. O machismo, a
dominação da mulher pelo homem, situação que vai do conflito real até chegar
às caricaturas que conhecemos, ainda é um discurso da ciência. Assim, o
problema é abordado por vários lados, mas o campo da deserotização continua
valendo e o campo do controle do discurso científico sobre o erotismo e
sobre o deserotismo também se mantém. Nenhum mecanismo de controle é
ameaçado. No frigir dos ovos, é como se qualquer Geisy ou qualquer
professora baiana não ganhassem nenhuma ajuda, apenas novas prisões.

O discurso asséptico das entidades de direitos humanos e políticos é, nesse
caso, o mais libertador. Quando a questão vai para o âmbito do liberalismo
instituído no Ocidente e, então, as cobranças quanto a casos desse tipo se
transformam em questões preservação da liberdade individual, aparentemente
estamos deserotizando a situação, mas, na prática, estamos fazendo a única
coisa correta: com tais atitudes promovemos o respeito ao campo das opções
privadas – no caso de Geisy, o de se maquiar, se vestir, o da professora
baiana o direito ao lazer etc. –, e isso é o favorecimento da vida livre.
Não forjamos mais deserotização e, ao mesmo tempo, não colocamos um discurso
científico que irá dizer “a verdade” do que ocorreu, criando então os
controles ramificados em teia. Essa guinada para o campo da ação política e
uma saída filosófica: deixa a filosofia tradicional de lado, que se aproxima
do senso comum neste caso, e opta-se pelo pragmatismo, pelo campo das
tomadas de decisões políticas – em favor da democracia. De certo modo, isso
faz parte da “filosofia como política cultural”, desejada por Rorty.

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#14300 De: Marcelo Freitas <marcelofreitas@...>
Data: Ter, 24 de Nov de 2009 5:05 pm
Assunto: Jornada Educacional
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ESPECIAL PARA AS ESCOLAS CONFESSIONAIS
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PALESTRANTE
Marcelo Freitas
Administrador, especialista em gestão estratégica de instituições
educacionais; Pós-graduado em Recursos Humanos /Fundação João Pinheiro; MBA
em Gestão Empresarial/FGV; Diretor da Corporate Gestão Empresarial;
Coordenador do Movimento Escola Responsável; Consultor, palestrante e
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#14299 De: Marcelo Freitas <marcelofreitas@...>
Data: Seg, 23 de Nov de 2009 5:29 pm
Assunto: Jornada Educacional
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gestão, baseada em valores éticos, alicerçada em instrumentos eficientes e
indicadores eficazes.
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relevantes que levarão educadores e gestores educacionais a refletirem sobre as
possibilidades de melhoria de desempenho e inovação em suas atividades.
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·   Indicadores de Responsabilidade Social na Escola.
·   Gestão Social: por onde começar?
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#14298 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Seg, 23 de Nov de 2009 2:11 pm
Assunto: O Apagão do Ensino Público Médio
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*O Apagão do Ensino Público Médio*

Já não chamam mais o professor da escola média de professor. No Brasil,
quando a imprensa fala de professor, já se pressupõe no texto o professor
universitário. A semântica cria o mundo, é certo, mas a semântica do
dinheiro cria as terminologias em alta ou baixa, e também isso é algo que
certamente acontece. Falta salário digno para os professores e essa situação
não se resolveu nos últimos 15 anos, com os presidentes Fernando Henrique e
com Lula. Ao contrário, é uma situação que só piora.

O quadro dos números, segundo o INEP, é dramático. A rede tem uma falta de
235 mil professores. Na prática, isso significa dizer que a maior parte das
escolas não tem suas aulas em continuidade regular. Só isso já coloca o
sistema de ensino em situação de perigo. Mas há mais, o contingente de
professores existente é mal formado e faz do magistério um bico. O resultado
é um só: estamos caminhando há mais de 30 anos em direção ao precipício de
termos uma juventude com diploma, até diploma de curso superior, mas sem
qualquer aprendizado que possa ser equiparado com o das juventudes de outros
países, inclusive com os economicamente piores do que o nosso.

Paulo Renato, ministro da Educação do governo FHC, concorda que os
professores são mal pagos e aceita a idéia de que é isso que produz o número
deficitário acima. O atual ministro, o jovem Fernando Haddad, também
concorda com isso. Todavia, tal concordância não os faz não desviar do
assunto. Pois, quando começam a conversar sobre o tema, percebe-se que ambos
fogem das soluções que implicam em priorizar os investimentos efetivos no
salário do professor.

Paulo Renato centra sua atenção na questão da qualidade do ensino por si só,
e culpa as faculdades de educação e cursos de pedagogia por isso. Às vezes,
quanto ao ensino médio, também termina por culpar as licenciaturas. Sua
idéia é a do PTE, o que eu chamo de “Partido dos Tecnocratas em Educação” (o
que faço no livro *Filosofia e história da educação brasileira*,
Manole<http://www.manole.com.br/cgi/supercart.exe/idSearch?ok=detalhes.htm&nothi\
ng=nada.htm&b=221&prod_id=861&store_friend=&depto=>).
Trata-se da defesa de uma ideologia político-pedagógica que tende a ver o
campo educacional brasileiro como falho por estar ideologicamente
comprometido. Para o PTE, o que é feito pelos seus membros não é ideologia,
é ciência, e a ideologia sobra para todo tipo de ensino que tenha alguma
conotação política liberal ou de esquerda – que eles dizem que é o que
“domina nas faculdades de educação”.

Na verdade, essa posição é um tanto obscurantista, pois Paulo Renato e todo
o PTE tendem a ver a leitura de Platão ou Rousseau, nos cursos de pedagogia
e licenciaturas, como ideologia. Aboliram a noção do que é leitura dos
clássicos da pedagogia e reduzem toda discussão em filosofia da educação,
sociologia da educação e história da educação como “propaganda da esquerda”.
Alguns do PTE chegam até a falar em “lavagem cerebral”, utilizando um
vocabulário do anti-comunismo tolo, igual ao do pessoal mais reacionário
ligado à Ditadura Militar (1964-1985). Seria cômico se não fosse trágico,
pois, na verdade, os cursos de licenciatura e de pedagogia atuais, quando
são falhos, o são por falta de leitura dos clássicos, não por excesso.

Fernando Haddad tende a não culpar “ideologia” e parece mais preocupado com
o salário. Todavia, sua idéia de “piso salarial” unificado (sem notar
disparidades regionais) foi um desastre, mais atrapalhou do que ajudou o
sistema como um todo e, enfim, não está vigorando. Quando ele sai do campo
do diagnóstico e vai para o campo das ações, propõe uma massificação do
ensino, através de educação a distância, algo pouco confiável em se tratando
de formação de professores, no quadro atual de nossas carências (1). Além
disso, propõe a “capacitação em serviço”, o que, de fato, não capacita nada,
pois os professores cansados do trabalho diário não conseguem evoluir nos
fins de semana sofridos, com cursos desgraçadamente desmotivadores. Além
disso, as transformações que o MEC fez com os cursos de licenciatura não os
melhoraram em nada. Ao contrário, acoplados ao sistema do PROUNI (que retira
o vestibular), reduzidos a três anos e inchados com disciplinas inúteis e
desnecessárias, as licenciaturas ficaram completamente descaracterizadas. As
primeiras avaliações a respeito desse sistema já estão aparecendo, e são
desanimadoras.

Toda essa situação de falta de professores não foi diagnosticada por
sindicatos ou por oposicionistas dos governos FHC ou Lula, e sim por
técnicos desses mesmos governos, ou por pareceres técnicos que surgiram
mesmo antes do governo FHC. Recentemente, em 2007, a Câmara de Educação
Básica do Conselho Nacional de Educação colocou em ação uma comissão
especial para estudar o déficit de professores no ensino médio. Antônio
Ibañez Ruiz, Mozart Neves Ramos e Murílio de Avellar Hingel, pertencentes à
comissão, escreveram um relatório que mostrava diagnósticos e indicava
algumas medidas. O texto veio a público com o título "Escassez de
professores no Ensino Médio: Propostas estruturais e emergenciais". Agora,
em 2009, dois anos depois, as ações do MEC na direção do proposto no
documento não foram eficazes. Além de tímidas e desviantes em relação ao
problema salarial, que é a fonte de desprestígio da carreira do magistério,
as ações do MEC, até agora, serviram apenas para a pulverização de recursos.
Isso porque a prática de Fernando Haddad, no MEC, é a de não ter prioridades
– isso é dito explicitamente por ele – e, assim, o que ele faz é começar
ações em diversas áreas, sem que qualquer uma delas possa ter cálculo para
seu término.

A falta de ação política federal provoca um marasmo nos Estados. Os governos
estaduais, que se responsabilizam pela educação básica pública e particular,
acabam colocando o assunto em terceiro ou quarto planos. Assim, no Estado de
S. Paulo, o estado mais rico da federação, cuja vida e renda não se
diferencia de nenhum país europeu, paga 7 reais a hora-aula do professor.
Levando em conta a escolaridade necessária, não há qualquer outro emprego de
mais baixa remuneração que este. No Estado do Pará, a hora-aula é de 5
reais. Os programas sexuais rápidos (oral), de prostituição de rua, nesses
estados que, afinal, não são regiões turísticas, giram em torno de 20 reais.
Os parlamentares, em boa medida, nem sabem disso. Em conversa com o Senador
Demóstenes, de Goiás, pude notar, por exemplo, que ele não só nunca fez
qualquer projeto de lei para o magistério como desconhecida o salário do
professor de seu estado. Outros políticos estão até em situação pior quanto
ao conhecimento do assunto.

Um professor do ensino médio alemão recebe por ano, em média, 85 mil reais.
Um professor no Brasil, com uma carga horária maior, não chega a 35 mil
reais de renda anual.  O resultado dessa política ou, melhor dizendo, dessa
falta de política educacional correta, que se arrasta desde os anos oitenta,
é que até temos professores formados em boa quantidade, mas não os temos em
sala de aula. O salário não atrativo colocou muitos professores, nos anos
oitenta e noventa, no caminho de outras profissões, das quais eles não
saíram mais. Em relação aos jovens que buscam o ensino universitário,
atualmente, é claro que a profissão de professor, quando é seguida, não o é
no sentido de uma opção verdadeira. O jovem, quando opta por uma
licenciatura, espera apenas obter um diploma para subir na carreira de um
outro emprego que não o magistério, ou então tem a idéia de escapar do
ensino básico, fazendo carreira no ensino superior.

As áreas que mais carecem de professor no ensino médio são as de física e
química. Mas, isso não quer dizer que as outras áreas estejam cobertas. Há,
inclusive, não raro, um mascaramento nos dados. Nem sempre as pesquisas
governamentais discriminam corretamente a falta de professores em
Humanidades. Em muitas escolas não é computada a falta de professor de
filosofia, isso porque há alguém ministrando as aulas, mas este professor
não é formado na área. Mais uma vez, devemos insistir no ponto: há professor
formado (ou até pouco tempo, havia), mas falta qualquer motivação para que
volte ao ensino ou ingresse nele. A motivação financeira caiu tanto que
nenhuma outra motivação consegue competir com ela e salvar o sistema.

Junto disso tudo, aparecem soluções que são antes punições aos professores
que ajuda ou incentivo. Este é o caso da proposta do governo José Serra,
feita sem a discussão prometida com os professores, para a modificação da
carreira do magistério
(PLC<http://ghiraldelli.pro.br/2009/11/serra-educacao/>).
Serra criou um sistema de exames que mais hierarquiza a carreira, em favor
da divisão da categoria, do que traz ganho real. O resultado, é possível de
se prever (até por conta da informação dos sindicatos para a sociedade),
será o colapso do sistema de ensino paulista antes mesmo do apagão geral da
escola pública de ensino médio no Brasil, que é o que se configura no
horizonte não para amanhã, mas para daqui a pouco. E isso pode vir mesmo,
uma vez que Serra é candidato à presidência e ele insiste em manter o grupo
de Paulo Renato, ligado à ideologia conservadora da revista *Veja*, à frente
do seu setor educacional. Assim, esse fracasso estadual poderá se
transportar para o âmbito federal. No campo federal, não há como atingir os
estados e o ensino médio diretamente, mas a força indireta do MEC, via Plano
Nacional de Desenvolvimento da Educação (PDE), não é desprezível.

No campo governamental, a candidata da situação, Dilma Roussef, não mostrou
nenhum conhecimento sobre o assunto. Aliás, ela não tem qualquer preocupação
mais específica quanto à educação. Assim, tudo indica que, sendo ela a
presidente, o MEC ficará novamente ao sabor da política. Será mantido,
então, o mesmo comportamento de Lula, que deixou o MEC nas mãos de Haddad
mais por falta de opção (em meio à crise do PT com o “mensalão”) do que por
uma ação planejada.

Não há ações em favor de se reverter o apagão do ensino médio no momento. E
o futuro político, considerando essas duas candidaturas já postas para a
presidência, não mostram nenhum céu azul. Podemos chegar a ser uma grande
nação do ponto de vista econômico, como ingleses e astrólogos dizem, mas,
certamente, com diminuta capacidade de administração dos nossos ganhos.
Talvez, por conta disso, nossa juventude atual venha a não saber o que fazer
com o “país do futuro”, e opte por torná-lo rico, com todos tendo
bolsa-celular, mas bárbaro, violento e com uma mão de obra tosca e
incompetente.

“Não ao apagão do ensino médio” seria uma boa bandeira atualmente, mas temo
ficar carregando tal coisa meio que sozinho, pois a sociedade brasileira,
igual aos governos, não está nem um pouco interessada em educação.

(1) EAD é algo bom, mas na formação de professores, como vem sendo feita
pela UAB e segundo os parâmetros facilitadores do MEC para as universidades
particulares, é algo desastroso.


--
Blog: http://ghiraldelli.pro.br
Twitter: http://twitter.com/ghiraldelli
Rede: http://ghiraldelli.ning.com
Portal: http://filosofia.pro.br


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14297 De: Carlos Nascimento <carlos.eduardon@...>
Data: Seg, 23 de Nov de 2009 1:18 pm
Assunto: Microsoft paga para tirar conteúdo de jornais do Google
carlos.eduardon@...
Enviar e-mail Enviar e-mail
 
começou a briga. A MS está sentindo o perigo por perto...

--
Carlos Eduardo Nascimento

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Microsoft paga para tirar conteúdo de jornais do Google
23/11/09




A polêmica quanto à cobrança ou não do conteúdo de jornais na internet
ganhou mais um capítulo neste domingo. Matéria produzida pelo jornal
inglês Financial Times informa que a Microsoft iniciou um movimento
que pretende pagar ao grupo News Corporation para que retire da busca
do Google seus conteúdos.

O grupo é liderado por Rupert Murdoch, magnata de 78 anos, avesso às
novas tecnologias e incentivador da cobrança por conteúdo jornalístico
na web.

O próprio Murdoch já havia sinalizado a intenção de retirar o conteúdo
produzido por seus veículos do maior buscador da internet. Entretanto,
ainda não o fez. O texto publicado pelo FT cita fonte próxima das
negociações e afirma que a Microsoft abordou ainda outros editores
online com a proposta de remoção de seus conteúdos.

A proposta da Microsoft “adiciona enorme valor aos conteúdos, se os
motores de busca estiverem preparados para pagarem aos jornais”,
afirmou um editor, que preferiu não se identificar, ao Financial
Times.

Conteúdo no Brasil
No Brasil, grandes veículos de comunicação como os grupos Estado,
Folha e O Globo afirmaram que vão aderir à Declaração de Hamburgo, que
trata do reconhecimento dos direitos de propriedade intelectual em
textos jornalísticos produzidos em sites. Folha e o Estado
disponibilizaram seu conteúdo na internet, em uma versão digital.
Inicialmente, o serviço era gratuito, mas agora o acesso só é
permitido para assinantes.

Para saber a opinião dos leitores, o Adnews está com uma enquete sobre
o assunto no site: "Quem deve bancar o conteúdo jornalístico na web?".
Até o momento, mais da metade dos leitores (53,7%) acredita que os
anunciantes devem ser responsáveis pelos custos da publicação do
conteúdo, 35,8% acha que a responsabilidade é dos jornais e somente
10,5% afirma que os leitores devem arcar com os custos.

Com informações do IDG Now!

Redação Adnews

#14296 De: "Ivan" <ivan@...>
Data: Seg, 23 de Nov de 2009 9:19 am
Assunto: Atualizações: Quadrinhos e Fábulas Animadas
ivantavscot
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Olá colegas, Atualizei os softwares "Quadrinhos Animados" e Fábulas Animadas".
Entre as alterações, posso citar a mudança no sistema de instalação, acionamento
mais rápido das animações, melhoria em alguns scripts e correção da visualização
das animações em monitores grandes. Façam o download pelo endereço:
 http://www.professorinterativo.com.br/paginter/ Um
abraço. Ivan.



[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14295 De: "Antonio Morales" <antonio_morales@...>
Data: Dom, 22 de Nov de 2009 3:12 pm
Assunto: O mundo ideal e o real
amecamargo
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Folha de São Paulo, 22 de novembro de 2009


TOSTÃO

O mundo ideal e o real

Sempre falam que no esporte aprendem-se valores éticos. Isso não é
verdade no esporte de competição e de alto nível

EXISTE um mundo real, muitas vezes violento, injusto, ganancioso e
preconceituoso, e outro ideal, que sonhamos viver, embora façamos
pouco para isso.

A melhor maneira de fazer algo não é ser bonzinho no Natal nem
praticar alguns atos generosos para reparar a culpa real e/ou
imaginária. É, principalmente, ser, todos os dias, um bom cidadão.
Não é fácil. São muitas as tentações.

Quanto maior a distância entre o mundo real e o mundo ideal, maior é o
desamparo. É a mesma relação individual entre ego e ego ideal. "Sou o
que penso, mas penso ser tantas coisas." (Fernando Pessoa)

Escuto, desde criança, que o esporte é o lugar ideal para as pessoas
aprenderem e desenvolverem os valores éticos. Isso nunca foi verdade
no esporte de competição e de alto nível.

O gol, com a ajuda da mão, que classificou a França para a Copa é mais
um de dezenas de exemplos. Nesses lances especiais e decisivos, em que
não há dúvidas, o quarto árbitro, com a ajuda da TV, deveria anular o
gol. Na emoção de uma partida, os atletas, na busca por glória e
dinheiro, pressionados para vencer, demonstram, em gestos automáticos,
como o de Henry, ou conscientes, toda a desmedida ambição e toda a
esperteza humana.

Um dos motivos relatados para o recente suicídio do goleiro Robert
Enke, da seleção alemã, foi o medo que tinha do fracasso. Isso
contribuiu para piorar sua crônica depressão. Perder é morrer.

No mundo ideal, os atletas entrariam em campo só para jogar futebol,
com alegria, e respeitariam companheiros, adversários, árbitros e
auxiliares, além de tentar dar bons espetáculos.

No mundo real, os jogos, em todo o planeta, principalmente na América
do Sul, estão cada dia mais tensos, tumultuados e violentos. Durante a
semana, houve pancadaria em dois jogos no Brasil, um no Uruguai e
outro na África.

Muitos treinadores e dirigentes, mesmo sem intenção, estimulam a
violência com os discursos de ganhar a batalha, perder a guerra, jogar
com muita pegada, além das ofensas aos árbitros.

O que houve com Obina e Maurício e também com Hugo e André Dias (estes
não trocaram socos) já aconteceu várias vezes com outros jogadores. Os
atletas não suportam a pressão de ter de vencer. Agridem antes de
serem agredidos. Quando o time vence, técnicos e dirigentes adoram
passar a mão na cabeça de jogador violento.

Se Obina e Maurício tivessem agredido os adversários, e o Palmeiras
tivesse vencido, provavelmente os dois não seriam punidos pelo clube.
Talvez recebessem até elogios por suas bravuras.

No mundo ideal, a imprensa cobraria, com ênfase, mais qualidade
técnica e menos violência. No real, parte da mídia incorporou o
discurso dos técnicos de que o importante é o resultado e que, no
futebol moderno e de muita marcação, não há mais lugar para futebol
bonito e com poucas faltas.

No meu mundo ideal, queria assistir aos jogos somente com o olhar de
um poeta e de um apreciador das coisas belas de um espetáculo. No meu
mundo real, preciso ser também pragmático e um analista técnico e
tático. Eu tento unir os dois mundos. Nem sempre consigo. Os dois se
estranham.

#14294 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Sáb, 21 de Nov de 2009 5:42 pm
Assunto: O caso Geisy-Janine no ar
o_filosofo_d...
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*O caso Geisy-Janine no ar*

Todos nós sabemos que o ensino da Uniban deixa a desejar em várias de suas
unidades, e que é bem ruim em outras. Caso não soubéssemos isso, os RHs de
todas as empresas estariam procurando formados vindos de lá. Mas, não é o
caso, a ordem velada ou mesmo escancarada sempre foi a de não pegar
profissionais ali formados.

Todos nós sabemos que Geisy não estava com um “micro-vestido” no dia da
agressão. Sabemos bem por uma coisa simples: mesmo sentada, nas fotos que
apareceu, o vestido não passava muito dos joelhos. E mais: Geisy tirou
várias fotos, que saíram em capas de revistas, com o mesmo vestido, e
realmente nem chegava a ser uma mini-saia.

O artigo de Renato Janine
Ribeiro<http://www.linearclipping.com.br/cnte/detalhe_noticia.asp?cd_sistema=93&\
codnot=943003>acerta
num ponto: tratar o caso Geisy pela ótica exclusiva de que houve um
caso de quebra de direitos humanos é pouco. Todavia, o artigo comete dois
pecados que, a meu ver, são imperdoáveis. É que Janine Ribeiro põe panos
quentes na questão da má qualidade da Uniban. Diz frases amenas em relação à
pós-graduação e isenta de avaliação a graduação, fingindo desconhecimento.
Ora, viveria Janine em Marte? E tendo sido membro da direção da CAPES e
professor durante tantos anos, não saberia ele que José Arthur Giannotti,
que seu ex-professor, foi para a televisão tentar barrar o nascimento da
Uniban, como universidade, exatamente porque ela era um lixo?

O segundo pecado de Janine é também devido ao olhar: ele não sabe reconhecer
o que é um “micro-vestido”? Ou ele, para preparar o conteúdo central do
artigo, procurou mentir logo no início? Sim, pois no decorrer do texto
Janine joga as coisas para o campo do “problema sexual” e, para tal,
elaborou de início a idéia de denominar o vestido de “micro” para, então,
embarcar por um artigo mais palatável ao que correu na própria imprensa.

A verdade é que Janine reduz tudo a um falso problema: sexo. Geisy teria, de
fato, sido um agente de provocação. Portanto, no limite, ainda que não da
maneira grosseira levada adiante pelo advogado da Uniban, também ele
terminou por dar uma carga de responsabilidade ao acontecido à vítima. O
problema todo teria sido de tesão – ele insiste. Os moços que a atacaram
teria tido tesão por ela e, não sabendo lidar com aquilo, fizeram o que
fizeram. Há verdade nisso? Só superficialmente.

Duas coisas pesam contra o argumento de Janine: 1) Geisy já havia
freqüentado a escola com aquela roupa e nada ocorreu; 2) Geisy veio de
ônibus (lotado) com aquela roupa e não foi motivo nem mesmo de um assobio.
Tudo indica, portanto, que naquele dia o movimento ocorreu porque uma turba
de arruaceiros estava disposta a fazer o que se faz, em geral, às sextas
feiras, em escolas fajutas: mata-se aula e, para que outros não entrem na
sala, cria-se alguma algazarra.

O problema do sexo é secundário no caso. Como sempre, o que está envolvido
ali é um elemento que, não raro, vem junto com o sexo: poder. Na lógica dos
agressores, Geisy deveria ter abaixado a cabeça, tirado a maquiagem e
começado a chorar logo no primeiro momento da gritaria, mas ela não fez
isso, ela se manteve digna e foi para a classe. Uma mulher não abaixou a
cabeça no momento que 700 pessoas a chamavam de “puta puta puta”. Ei aí o
elemento central: o que é o diferente, o que é anômalo – a mulher maquiada e
de rosa, pronta para a balada –, pode ser tomado com bem mais diferente – a
mulher que se coloca como mulher, sem abaixar a cabeça para um irmão
conservador – e, então, ser colocado diante da máquina de moer do senso
comum, para voltar à condição de igual. Nisso, os donos do espaço e os
condutores do senso comum, os 700 que gritaram ali, fizeram o papel já posto
pela própria direção da Uniban, o de cumprir esta regra: aqui, nas sextas
feiras, o comportamento é este, o que nós dizemos, não o que cada um quer.

Essa minha forma de ver o problema me parece ficar mais sustentável à medida
que, ao final, a Uniban aprovou o comportamento de agressão, ao expulsar a
moça da escola. Voltou atrás por pressão popular, num ato isolado da
reitoria.

A imprensa só conseguiu sair do senso comum no momento em que foi para o
lado não do moralismo, e sim para o campo dos direitos humanos. Fez isso de
modo reduzido, é claro, porque deveria, sim, ter estudado o problema pelo
seu lado sexual. Todavia, o sexo, a tesão, ali, também não foram o elemento
central. O elemento central foi o problema do diferente, mas do diferente em
um sentido específico: o que não pode erguer os olhos, um belo dia, ergueu.
Geisy começou a ser punida pelo que foi avaliado como a sua petulância – os
alunos disseram isso e o advogado da reitoria confirmou. Não mentiram. Na
simplicidade de bárbaros, falaram a verdade.

Tudo isso poderia mostrar apenas um erro a mais de Janine. Mas mostra mais
que isso, mostra que, novamente, como no caso do garoto arrastado, o
professor de ética prefere resvalar por caminhos que torna secundário a
questão dos direitos humanos. E pior ainda: o professor de ética, que foi de
um órgão de governo do PT,  um órgão de avaliação do ensino, não quer se
queimar com a Uniban e, assim, caiu fora de avaliar aquela escola do ponto
de vista do tipo de educação que ali ocorre.

Não ocorreria algo do mesmo tipo que ocorreu com Geisy em uma boa
universidade, esta é a verdade. Caso houvesse algo próximo, seria difícil
não acontecer uma punição aos bagunceiros, não à vítima. Mas Janine parece
mais propenso a jogar o problema para a “tesão” recolhida de garotos e,
assim, se manter em boas relações com donos de escolas – poderosos políticos
que ele teme enfrentar.

Paulo Ghiraldelli Jr.


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14293 De: "Maria Luiza Kraemer" <mlk@...>
Data: Sáb, 21 de Nov de 2009 3:34 pm
Assunto: Re: Problemas com a tecnologia
mlk@...
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Sr. Eduardo Chaves!

Por gentileza, gostaria de ser excluída de todas as listas.

Obrigada,

Maria Luiza

   ----- Original Message -----
   From: Eduardo Chaves
   To: edutecnet@... ; 4pilares@...
   Cc: eduardo@...
   Sent: Saturday, November 21, 2009 10:05 AM
   Subject: [4pilares] Problemas com a tecnologia



   Texto de interessante de Drauzio Varella na Folha de hoje..

   --Eduardo

   =========================

   Eduardo Chaves

   eduardo@...

   edu@...

   http://chaves.com.br

   http://ec.spaces.live.com

   =========================

   Folha de S. Paulo

   21 de Novembro de 2009

   DRAUZIO VARELLA

   Armadilhas cibernéticas

   _____

   Em matéria de irritação, nada se compara à incapacidade de realizar uma
   tarefa na internet

   _____

   ÀS VEZES me desentendo com a tecnologia que me obriga a conversar com
   máquinas. Não que eu a renegue ou sinta saudade dos tempos sem internet;
   longe de mim, pasmo diante da disponibilidade de informações acessíveis em
   meu teclado.

   Confesso, no entanto, que fico um pouco irritado quando me obrigam a ouvir
   um menu com 18 itens, até que me seja concedido o direito de falar com a
   telefonista depois de dez minutos com aquela maldita musiquinha. Neurótico
   da cidade grande, confesso ainda que gostaria de esganar o infeliz que
   ensinou as meninas dos "call centers" a substituir o presente, o passado e o
   futuro pelos famigerados gerúndios verbais.

   Em matéria de irritação, no entanto, nada se compara à incapacidade de
   realizar uma tarefa rotineira pela internet. Existe frustração maior do que
   dar um "Enter" que a tela do computador ignora?

   Nos meses de dezembro, assisto a um congresso sobre câncer de mama, no
   Texas. Neste ano, resolvi aproveitar a oportunidade para passar um fim de
   semana com minha mulher num país latino-americano que não vem ao caso
   mencionar.

   Para obter o visto de entrada, havia necessidade de agendar pela internet
   uma entrevista no consulado.

   Coisa mais civilizada, pensei eu.

   Fui ao Google e abri a página do site do consulado. Surgiu uma tela com
   inúmeras informações gerais. Depois pediram meus dados pessoais, o CPF, o
   número do passaporte e a data de expiração. Quando dei um clique em cima do
   ano em que o passaporte expiraria, verifiquei que as datas começavam em
   1900. Alguém pretenderia viajar com um passaporte sem validade desde 1905?
   Rolei os números até chegar em 2011 e cliquei em "Registrar".

   Abriu uma tela em que constavam o usuário e a senha.

   "Usuário: 431c6091-32d8-4b5b-89a5-abe697f2060c"
   "Password: "2e6713fc-a6b6-4fd8-9f9f-253800954ce4"

   Idiota! Fiz alguma coisa errada, conclui humildemente, e retornei à página
   inicial. Preenchi tudo de novo, rolei a data de expiração a partir de 1900 e
   cliquei em "Registrar". Veio outro número de usuário e uma senha diferente
   da anterior, porém com igual número de algarismos, letras e hífens.

   Na tela seguinte, pediam que eu confirmasse esses dados. Voltei para
   copiá-los, mas o cursor não selecionava os dígitos. Só me restou anotá-los
   num papel e copiá-los na tela que me pedia a confirmação deles, tarefa
   realizada com o máximo de atenção. O número do usuário entrou, mas o da
   senha bloqueava quando ainda faltavam cinco dígitos para completá-la. Repeti
   a operação. Mesmo problema.

   Quem sabe se é preciso retirar os hífens, deixar apenas os caracteres?
   Bloqueou da mesma forma.

   Fiquei desolado. Fazia tempo que não empacava diante de um mata-burro
   cibernético como aquele. Liguei para um amigo 30 anos mais jovem: "Copie os
   números e cole no espaço da tela seguinte", sugeriu ele com desdém, operação
   que eu havia tentado diversas vezes.

   Inconformado com o tempo perdido, já com vontade de agredir o computador,
   cliquei freneticamente em cima dos números do usuário e da senha. De
   repente, não sei por que, selecionou. Copiei, colei no espaço certo, e fui
   para a tela seguinte.

   Pediam uma montanha de dados que incluíam minha religião, o endereço, o
   telefone e o CEP do hotel em que me hospedaria no país, exigência que me
   obrigou a acessar o Google rapidamente para fazer uma reserva, mesmo sem
   saber se conseguiria o visto.

   Tudo preenchido, perguntavam se eu desejava adicionar outra pessoa. Anexei
   os dados de minha mulher e cliquei para enviá-los. Surgiu uma janela
   pequena: "CPF Ya existe". Cliquei "OK", voltou para a anterior, cliquei de
   novo: "CPF Ya existe". Beco sem saída.

   Como assim? Como já conhecem o CPF de minha mulher, que nunca esteve lá?
   Verifiquei todas as possibilidades de erros de preenchimento, lamentei minha
   incompetência senil, não existirem computadores quando eu era criança e a
   infelicidade de possuir uma inteligência limítrofe. Com a autoestima assim
   rebaixada, o próprio corvo da desconfiança ousou bater as asas sobre mim:
   terá ela visitado o país sem me contar?

   Olhei para o relógio: havia perdido duas horas e meia na malfadada operação,
   uma eternidade para quem ergue as mãos para o céu quando consegue um tempo
   livre.

   Uma sede irresistível de vingança brotou de minhas entranhas. Cancelei a
   reserva feita às pressas, desliguei o computador e fui jantar.

   [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]





[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14292 De: "Eduardo Chaves" <eduardo@...>
Data: Sáb, 21 de Nov de 2009 12:05 pm
Assunto: Problemas com a tecnologia
edwardkeys
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Texto de interessante de Drauzio Varella na Folha de hoje..



--Eduardo

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Eduardo Chaves

eduardo@...

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http://ec.spaces.live.com

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Folha de S. Paulo

21 de Novembro de 2009



DRAUZIO VARELLA

Armadilhas cibernéticas


   _____

Em matéria de irritação, nada se compara à incapacidade de realizar uma
tarefa na internet

   _____

ÀS VEZES me desentendo com a tecnologia que me obriga a conversar com
máquinas. Não que eu a renegue ou sinta saudade dos tempos sem internet;
longe de mim, pasmo diante da disponibilidade de informações acessíveis em
meu teclado.

Confesso, no entanto, que fico um pouco irritado quando me obrigam a ouvir
um menu com 18 itens, até que me seja concedido o direito de falar com a
telefonista depois de dez minutos com aquela maldita musiquinha. Neurótico
da cidade grande, confesso ainda que gostaria de esganar o infeliz que
ensinou as meninas dos "call centers" a substituir o presente, o passado e o
futuro pelos famigerados gerúndios verbais.

Em matéria de irritação, no entanto, nada se compara à incapacidade de
realizar uma tarefa rotineira pela internet. Existe frustração maior do que
dar um "Enter" que a tela do computador ignora?

Nos meses de dezembro, assisto a um congresso sobre câncer de mama, no
Texas. Neste ano, resolvi aproveitar a oportunidade para passar um fim de
semana com minha mulher num país latino-americano que não vem ao caso
mencionar.

Para obter o visto de entrada, havia necessidade de agendar pela internet
uma entrevista no consulado.

Coisa mais civilizada, pensei eu.

Fui ao Google e abri a página do site do consulado. Surgiu uma tela com
inúmeras informações gerais. Depois pediram meus dados pessoais, o CPF, o
número do passaporte e a data de expiração. Quando dei um clique em cima do
ano em que o passaporte expiraria, verifiquei que as datas começavam em
1900. Alguém pretenderia viajar com um passaporte sem validade desde 1905?
Rolei os números até chegar em 2011 e cliquei em "Registrar".

Abriu uma tela em que constavam o usuário e a senha.

"Usuário: 431c6091-32d8-4b5b-89a5-abe697f2060c"
"Password: "2e6713fc-a6b6-4fd8-9f9f-253800954ce4"

Idiota! Fiz alguma coisa errada, conclui humildemente, e retornei à página
inicial. Preenchi tudo de novo, rolei a data de expiração a partir de 1900 e
cliquei em "Registrar". Veio outro número de usuário e uma senha diferente
da anterior, porém com igual número de algarismos, letras e hífens.

Na tela seguinte, pediam que eu confirmasse esses dados. Voltei para
copiá-los, mas o cursor não selecionava os dígitos. Só me restou anotá-los
num papel e copiá-los na tela que me pedia a confirmação deles, tarefa
realizada com o máximo de atenção. O número do usuário entrou, mas o da
senha bloqueava quando ainda faltavam cinco dígitos para completá-la. Repeti
a operação. Mesmo problema.

Quem sabe se é preciso retirar os hífens, deixar apenas os caracteres?
Bloqueou da mesma forma.

Fiquei desolado. Fazia tempo que não empacava diante de um mata-burro
cibernético como aquele. Liguei para um amigo 30 anos mais jovem: "Copie os
números e cole no espaço da tela seguinte", sugeriu ele com desdém, operação
que eu havia tentado diversas vezes.

Inconformado com o tempo perdido, já com vontade de agredir o computador,
cliquei freneticamente em cima dos números do usuário e da senha. De
repente, não sei por que, selecionou. Copiei, colei no espaço certo, e fui
para a tela seguinte.

Pediam uma montanha de dados que incluíam minha religião, o endereço, o
telefone e o CEP do hotel em que me hospedaria no país, exigência que me
obrigou a acessar o Google rapidamente para fazer uma reserva, mesmo sem
saber se conseguiria o visto.

Tudo preenchido, perguntavam se eu desejava adicionar outra pessoa. Anexei
os dados de minha mulher e cliquei para enviá-los. Surgiu uma janela
pequena: "CPF Ya existe". Cliquei "OK", voltou para a anterior, cliquei de
novo: "CPF Ya existe". Beco sem saída.

Como assim? Como já conhecem o CPF de minha mulher, que nunca esteve lá?
Verifiquei todas as possibilidades de erros de preenchimento, lamentei minha
incompetência senil, não existirem computadores quando eu era criança e a
infelicidade de possuir uma inteligência limítrofe. Com a autoestima assim
rebaixada, o próprio corvo da desconfiança ousou bater as asas sobre mim:
terá ela visitado o país sem me contar?

Olhei para o relógio: havia perdido duas horas e meia na malfadada operação,
uma eternidade para quem ergue as mãos para o céu quando consegue um tempo
livre.

Uma sede irresistível de vingança brotou de minhas entranhas. Cancelei a
reserva feita às pressas, desliguei o computador e fui jantar.





[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14291 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Sex, 20 de Nov de 2009 9:16 pm
Assunto: O caso Geisy-Janine no ar
o_filosofo_d...
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Todos nós sabemos que o ensino da Uniban deixa a desejar em várias de suas
unidades, e que é bem ruim em outras. Caso não soubéssemos isso, os RHs de
todas as empresas estariam procurando formados vindos de lá. Mas, não é o
caso, a ordem velada ou mesmo escancarada sempre foi a de não pegar
profissionais ali formados.

Todos nós sabemos que Geisy não estava com um “micro-vestido” no dia da
agressão. Sabemos bem por uma coisa simples: mesmo sentada, nas fotos que
apareceu, o vestido não passava muito dos joelhos. E mais: Geisy tirou
várias fotos, que saíram em capas de revistas, com o mesmo vestido, e
realmente nem chegava a ser uma mini-saia.

O artigo de Renato Janine Ribeiro acerta num ponto: tratar o caso Geisy pela
ótica exclusiva de que houve um caso de quebra de direitos humanos é pouco.
Todavia, o artigo comete dois pecados que, a meu ver, são imperdoáveis. É
que Janine Ribeiro põe panos quentes na questão da má qualidade da Uniban.
Diz frases amenas em relação à pós-graduação e isenta de avaliação a
graduação, fingindo desconhecimento. Ora, viveria Janine em Marte? E tendo
sido membro da direção da CAPES e professor durante tantos anos, não saberia
ele que José Arthur Giannotti, que seu ex-professor, foi para a televisão
tentar barrar o nascimento da Uniban, como universidade, exatamente porque
ela era um lixo?

O segundo pecado de Janine é também devido ao olhar: ele não sabe reconhecer
o que é um “micro-vestido”? Ou ele, para preparar o conteúdo central do
artigo, procurou mentir logo no início? Sim, pois no decorrer do texto
Janine joga as coisas para o campo do “problema sexual” e, para tal,
elaborou de início a idéia de denominar o vestido de “micro” para, então,
embarcar por um artigo mais palatável ao que correu na própria imprensa.

A verdade é que Janine reduz tudo a um falso problema: sexo. Geisy teria, de
fato, sido um agente de provocação. Portanto, no limite, ainda que não da
maneira grosseira levada adiante pelo advogado da Uniban, também ele
terminou por dar uma carga de responsabilidade ao acontecido à vítima. O
problema todo teria sido de tesão – ele insiste. Os moços que a atacaram
teria tido tesão por ela e, não sabendo lidar com aquilo, fizeram o que
fizeram. Há verdade nisso? Só superficialmente.

Duas coisas pesam contra o argumento de Janine: 1) Geisy já havia
freqüentado a escola com aquela roupa e nada ocorreu; 2) Geisy veio de
ônibus (lotado) com aquela roupa e não foi motivo nem mesmo de um assobio.
Tudo indica, portanto, que naquele dia o movimento ocorreu porque uma turba
de arruaceiros estava disposta a fazer o que se faz, em geral, às sextas
feiras, em escolas fajutas: mata-se aula e, para que outros não entrem na
sala, cria-se alguma algazarra.

O problema do sexo é secundário no caso. Como sempre, o que está envolvido
ali é um elemento que, não raro, vem junto com o sexo: poder. Na lógica dos
agressores, Geisy deveria ter abaixado a cabeça, tirado a maquiagem e
começado a chorar logo no primeiro momento da gritaria, mas ela não fez
isso, ela se manteve digna e foi para a classe. Uma mulher não abaixou a
cabeça no momento que 700 pessoas a chamavam de “puta puta puta”. Ei aí o
elemento central: o que é o diferente, o que é anômalo – a mulher maquiada e
de rosa, pronta para a balada –, pode ser tomado com bem mais diferente – a
mulher que se coloca como mulher, sem abaixar a cabeça para um irmão
conservador – e, então, ser colocado diante da máquina de moer do senso
comum, para voltar à condição de igual. Nisso, os donos do espaço e os
condutores do senso comum, os 700 que gritaram ali, fizeram o papel já posto
pela própria direção da Uniban, o de cumprir esta regra: aqui, nas sextas
feiras, o comportamento é este, o que nós dizemos, não o que cada um quer.

Essa minha forma de ver o problema me parece ficar mais sustentável à medida
que, ao final, a Uniban aprovou o comportamento de agressão, ao expulsar a
moça da escola. Voltou atrás por pressão popular, num ato isolado da
reitoria.

A imprensa só conseguiu sair do senso comum no momento em que foi para o
lado não do moralismo, e sim para o campo dos direitos humanos. Fez isso de
modo reduzido, é claro, porque deveria, sim, ter estudado o problema pelo
seu lado sexual. Todavia, o sexo, a tesão, ali, também não foram o elemento
central. O elemento central foi o problema do diferente, mas do diferente em
um sentido específico: o que não pode erguer os olhos, um belo dia, ergueu.
Geisy começou a ser punida pelo que foi avaliado como a sua petulância – os
alunos disseram isso e o advogado da reitoria confirmou. Não mentiram. Na
simplicidade de bárbaros, falaram a verdade.

Tudo isso poderia mostrar apenas um erro a mais de Janine. Mas mostra mais
que isso, mostra que, novamente, como no caso do garoto arrastado, o
professor de ética prefere resvalar por caminhos que torna secundário a
questão dos direitos humanos. E pior ainda: o professor de ética, que foi de
um órgão de governo do PT, um órgão de avaliação do ensino, não quer se
queimar com a Uniban e, assim, caiu fora de avaliar aquela escola do ponto
de vista do tipo de educação que ali ocorre.

Não ocorreria algo do mesmo tipo que ocorreu com Geisy em uma boa
universidade, esta é a verdade. Caso houvesse algo próximo, seria difícil
não acontecer uma punição aos bagunceiros, não à vítima. Mas Janine parece
mais propenso a jogar o problema para a “tesão” recolhida de garotos e,
assim, se manter em boas relações com donos de escolas – poderosos políticos
que ele teme enfrentar.

Paulo Ghiraldelli Jr.


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Blog: http://ghiraldelli.pro.br
Twitter: http://twitter.com/ghiraldelli
Rede: http://ghiraldelli.ning.com
Portal: http://filosofia.pro.br


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14290 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Qui, 19 de Nov de 2009 5:42 pm
Assunto: Loucuras Filosóficas hoje, na TV, 19 horas: no Dia Mundial da Filosofia
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Veja hoje o Loucuras Filosóficas. Liga na Just TV, 19 horas:
http://justtv.com.br .Aproveita, é hoje o Dia Mundial da Filosofia
Prepare-se para participar do programa!
"Para que serve a filosofia?"

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#14289 De: "Marisa Lucena" <mwlucena@...>
Data: Qua, 18 de Nov de 2009 7:52 pm
Assunto: Re: Penguim Club - Algumas Dúvidas
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Maravilhoso!
   ----- Original Message -----
   From: Nilton Bahlis dos Santos (UOL)
   To: 4pilares@...
   Sent: Wednesday, November 18, 2009 3:58 PM
   Subject: Re: [4pilares] Penguim Club - Algumas Dúvidas



   Eu conheço. Minha filha de 10 anos é assinante.

   abraços,

   Nilton Bahlis dos Santos
   Coordenador do Núcleo de Experimentação de Tecnologia Interativa (Next)
   www.next.icict.fiocruz.br

   2009/11/18 Hélio Oliveira "Gandhi" Ferrari <gandhiferrari@...>

   > Turma,
   >
   > Alguém conhece o Peguim Club da Disney (http://www.clubpenguin.com/pt/)?
   > Gostaria de ouvir a opiniao de vocês sobre esta Comunidade Virtual pra
   > crianças...
   >
   > Hélio Oliveira "Gandhi" Ferrari
   > Faça CON-TATO
   > http://gandhiferrari.com
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   > ------------------------------------
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   > ================================================================
   > Para sair do grupo, envie mensagem em branco, a partir do
   > e-mail no qual você recebe as mensagens, para:
   >
   > 4pilares-unsubscribe@...
   >
   > Leia e pesquise as mensagens deste Grupo em:
   >
   > http://br.groups.yahoo.com/group/4pilares/messages
   > ================================================================Links do
   > Yahoo! Grupos
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   [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]





[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14288 De: "Nilton Bahlis dos Santos (UOL)" <nilton-santos@...>
Data: Qua, 18 de Nov de 2009 5:58 pm
Assunto: Re: Penguim Club - Algumas Dúvidas
nilton_santo...
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Eu conheço. Minha filha de 10 anos é assinante.

abraços,

Nilton Bahlis dos Santos
Coordenador do Núcleo de Experimentação de Tecnologia Interativa (Next)
www.next.icict.fiocruz.br


2009/11/18 Hélio Oliveira "Gandhi" Ferrari <gandhiferrari@...>

> Turma,
>
> Alguém conhece o Peguim Club da Disney (http://www.clubpenguin.com/pt/)?
> Gostaria de ouvir a opiniao de vocês sobre esta Comunidade Virtual pra
> crianças...
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> Hélio Oliveira "Gandhi" Ferrari
> Faça CON-TATO
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> e-mail no qual você recebe as mensagens, para:
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#14287 De: Carlos Nascimento <carlos.eduardon@...>
Data: Qua, 18 de Nov de 2009 4:37 pm
Assunto: Re: Clip protesto...
carlos.eduardon@...
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Marcelo

muito bom. estou divulgando entre meus contatos

2009/11/18 Marcelo Freitas <marcelofreitas@...>

>
>
> Oi pessoal,
> convido vocês a verem o clip do Michael Jackson, censurado nos EUA.
> O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido: a
> ecológica "Earth Song", de 1996.
>
> Assista e convide os amigos a assitirem tb. Está no meu blog:
> www.viadefatos.blogspot.com
>
> Marcelo Freitas
> Corporate Gestão Empresarial
>
> www.corporateconsultoria.com
> www.viadefatos.blogspot.com
> www.escolaresponsavel.com
>
>
> __________________________________________________
> Fale com seus amigos de graça com o novo Yahoo! Messenger
> http://br.messenger.yahoo.com/
>
> [As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]
>
>
>



--
Carlos Eduardo Nascimento

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14286 De: Hélio Oliveira "Gandhi" Ferrari <gandhiferrari@...>
Data: Qua, 18 de Nov de 2009 4:31 pm
Assunto: Penguim Club - Algumas Dúvidas
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Turma,

Alguém conhece o Peguim Club da Disney (http://www.clubpenguin.com/pt/)?
Gostaria de ouvir a opiniao de vocês sobre esta Comunidade Virtual pra
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Hélio Oliveira "Gandhi" Ferrari
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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14285 De: Marcelo Freitas <marcelofreitas@...>
Data: Qua, 18 de Nov de 2009 4:25 pm
Assunto: Clip protesto...
marcelofreitas
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Oi pessoal,
convido vocês a verem o clip do Michael Jackson, censurado nos EUA.
O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido: a
ecológica "Earth Song", de 1996.

Assista e convide os amigos a assitirem tb. Está no meu blog:
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Marcelo Freitas
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www.corporateconsultoria.com  
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#14284 De: Carlos Nascimento <carlos.eduardon@...>
Data: Ter, 17 de Nov de 2009 4:59 pm
Assunto: Especial privacidade: ela acabou. E agora?
carlos.eduardon@...
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assunto preocupante sobre redes sociais
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---------------------------------

Especial privacidade: ela acabou. E agora?

por [Tagil Oliveira Ramos | especial para IT Web]

Informações online podem ser usadas contra você. O que faria se seu
concorrente tivesse acesso a dados pessoais e a arquivos
confidenciais?

Ao se preparar para curtir o feriadão de 12 de outubro, a jornalista
Rosana Hermann não tinha a mínima ideia da tragédia que lhe
aconteceria. Junto com a família viajou sem preocupações para
balneário de Águas de São Pedro, a 180 quilômetros de São Paulo. No
sábado, dois dias antes da data comemorativa da padroeira do Brasil,
ela curtia a casa e os cachorros. Foi quando aconteceu algo que tirou
a paz de seu fim de semana.

Twitteira incansável, Rosana é daquelas que fotografa o prato do
almoço e publica para todo mundo ver. Naquele dia, não foi diferente.
Filmou a cadela Lilly nos braços e tentou enviar para o arquivo para o
Twitcam, um serviço que mostra vídeos ao vivo na internet. Não
funcionou. De repente, ela foi desconectada do Twitter. Em seguida,
descobriu que seu nome de usuário (username) havia sido mudado para
Brunomalhaes.
Rosana sentiu um aperto no coração. Alguém havia roubado sua senha e
controlava seu perfil. "Fiquei muito preocupada", confessa. "Primeiro
porque tive medo que o hacker postasse coisas horríveis em meu nome."
O que estava em jogo era a própria credibilidade da profissional, caso
o intruso começasse a teclar por ela.

Além disso, se não fossem recuperados os registros, Rosana perderia,
num só dia, sua audiência no Twitter, cerca de 40 mil pessoas que
acompanham suas mensagens. Além disso, os quatro mil perfis que ela
segue e mais de vinte mil mensagens postadas, registradas ao longo de
mais de 2,5 anos de atividade "tuiteira".

O que Rosana passou qualquer pessoa pode um dia viver. Num mundo em
que se envia uma quantidade enorme de informações pessoais em arquivos
digitais, algumas informações que precisam ficar sigilosas podem cair
em mãos perversas. A privacidade online passa então a ser um bem de
valor fugaz e inestimável. O ruim disso é que, geralmente, só damos
valor a ela, quando a perdemos. E a pior notícia: parte da culpa é do
próprio usuário, por causa de hábitos descuidados e por não adotar
recursos de segurança.

"As pessoas se expõem muito no ambiente online, achando tudo muito
natural", alerta André Carrareto, gerente de engenharia da Symantec.
"É preciso refletir que algumas informações inseridas em sites de
relacionamento podem ser usadas para prejudicar o próprio autor."
Segundo ele, ainda estamos todos aprendendo a lidar com o ambiente de
liberdade digital oferecido pelas redes sociais.

O grande desafio é saber onde termina o público e começa o privado.
Pouquíssima gente, por exemplo, lê os enunciados da política de
privacidade de um site. Ninguém tem paciência para isso. Clica-se o
botão de "aceito", respira-se fundo e se começa a usar os serviços
oferecidos. Este inocente hábito pode ser o início de uma tremenda dor
de cabeça.

"A quebra de privacidade pode gerar problemas graves e levar à
abertura de processos criminais", expõe o advogado Renato Opice Blum,
especializado em crimes digitais. De acordo com ele, sempre que existe
a "expectativa de privacidade" e ela é violada,  é possível a vítima
exigir reparação por perdas e danos. "Já existe jurisprudência sobre o
assunto, mas ainda há 5% dos casos em que não existe nenhuma
cobertura."

Quer um exemplo? Se um cracker invade o computador de alguém e
bisbilhota todos os seus segredos, sem praticar outros atos, a
legislação brasileira não tem como enquadrar sua ação como crime. No
entanto, geralmente, o invasor não fica somente na "xeretagem". É
quando começa a praticar atos puníveis pela lei.

No caso da jornalista Rosana Hermann, por exemplo, caso fosse
descoberta a identidade do invasor, ele poderia responder a um
processo criminal por falsa identidade. Além disso, uma causa cível de
perdas e danos poderia ser aberta. É claro que Rosana se sente
vitimada. A comunicadora reclama: "É um transtorno sem sentido, como
se você recebesse uma multa por infração de trânsito sem nem ao menos
ter um carro. Pagar uma pena sem ter feito nada de errado é muito
injusto."

Seu caso teve um final "quase" feliz. A equipe do Twitter a ajudou a
recuperar a maioria dos registros. Voltaram seus seguidores e
seguidos. A felicidade só não foi completa porque o hacker apagou mais
de 20 mil postagens. Elas foram parcialmente recuperadas. Mas o
prejuízo foi perpetrado. "Perdi muito tempo da minha vida pesquisando
no Google, pegando posts em memória cache, colocando os favoritos ou
repostando-os", diz Rosana.

Depois do acontecido, a jornalista não mudou muito seu comportamento.
"Apenas troquei de senha, tornando-a bastante complexa", revela.
Rosana, apesar de comentar praticamente tudo que lhe acontece no dia a
dia, não sente sua privacidade invadida. "Nunca conto intimidades",
explica. "Não falo sobre minha família, só sobre mim."

É perfeitamente possível, por exemplo, saber onde Rosana está durante
seu cotidiano. Ela já foi prejudicada por isso, quando viajou ao
México e teve seu cartão clonado no hotel. Segundo ela, o fraudador
gastou milhares de dólares sem sua autorização. "Acho a localização o
menor dos problemas", opina. "A vida real é totalmente interligada com
o mundo online, não há diferença em termos de segurança."

Rosana parece conformada com a perda da privacidade. "Na minha
opinião, ela só vai existir num círculo de raio muito pequeno, numa
parte da sua casa. Neste momento, por exemplo, se seu celular estiver
ligado, sua operadora saberá onde você está. A privacidade acabou."

Será mesmo que é assim tão simples? Acompanhe nas próprias reportagens
da série o que você pode fazer para zelar por sua intimidade. Aprenda
também como proteger informações confidenciais pessoais e de sua
empresa.

Leia mais
Esta é a primeira matéria de uma série de reportagens que o IT Web
publica sobre privacidade e direitos digitais. Acompanhe!




--
Carlos Eduardo Nascimento

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#14283 De: "Antonio Morales" <antonio_morales@...>
Data: Ter, 17 de Nov de 2009 4:48 pm
Assunto: DIPLOMAS FALSOS: Pós-graduação sob a mira da Justiça Um dia após denúncia do Correio
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DIPLOMAS FALSOS »  Pós-graduação sob a mira da Justiça Um
dia após denúncia do Correio, Ministério da Educação abre fogo
contra onda

Guilherme Goulart

16/11/2009

O Ministério da Educação (MEC) vai recorrer à Justiça contra as
instituições do Distrito Federal especializadas em cursos de
pós-graduação a distância. Por meio da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior (Capes), fundação responsável pela
avaliação de mestrados, doutorados, especializações e graduações no
Brasil, o órgão encaminha hoje à assessoria jurídica denúncia
publicada com exclusividade pelo Correio Braziliense. Como a
reportagem mostrou ontem, escolas oferecem cursos no exterior,
mas os alunos nem saem de casa para receber diplomas estrangeiros.

O esquema é ilegal. Segundo a Capes, pós-graduação stricto sensu
(mestrado e doutorado) exige dedicação exclusiva. Outro problema
encontrado diz respeito ao passo seguinte à formatura dos estudantes.
Uma vez pós-graduados com documentos não reconhecidos, eles arriscam a
revalidação no Brasil. A reportagem revelou que tentativas na Região
Centro-Oeste ocorrem na Universidade de Brasília (UnB), Universidade
Católica de Brasília (UCB) e Universidade Federal de Goiás (UFG). As
três, porém, rejeitam automaticamente trabalhos acadêmicos de
faculdades já marcadas no mercado.

No domingo, o Correio publicou o caso do Centro de Estudos
Contemporâneos (Cescon), com sede em Taguatinga. Ele oferece mestrados
na Universidad de los Pueblos (UPE), instituição espalhada por vários
países da Europa. As aulas, no entanto, ocorrem aos fins de semana, em
Taguatinga, e têm duração de 24 meses —18 deles dedicados a seminários
e outros seis para orientação da dissertação. O aluno pode cursar
educação ou administração e deve escolher um fim de semana por mês
para frequentar as aulas previstas para sábados e domingos, das 8h às
17h. O valor: R$ 500.

A reportagem ligou para uma atendente do Cescon, sem se identificar,
na última sexta-feira. A conversa deixou evidente a tentativa dela em
convencer o interessado a investir no curso sem credenciais. A
funcionária contou, por exemplo, que os certificados de conclusão de
pós-graduação da UPE costumam ser convalidados na UnB. Reforçou que o
aluno não precisa sair do Brasil. E ainda confirmou a ilegalidade do
serviço. “Seu diploma não chega se você fez curso a distância, até
porque isso não é legalmente viável”, explicou.

Em nota encaminhada por e-mail ao jornal, o diretor do Cescon, Adelino
Upale Rocha Matos, argumentou que a escola “não oferece cursos de
pós-graduação a distância, embora ceda as salas para os cursos
oferecidos pela UPE” — Adelino se identificou como representante da
UPE no Brasil. Mesmo assim, admitiu a falta de reconhecimento do
mestrado em território brasileiro. Reconheceu “a necessidade de vir a
UPE (a) se adequar às exigências do Ministério da Educação do Brasil”.
Adelino mandou a nota da Espanha.

*Clandestinidade*

O presidente da Capes, professor Jorge Almeida Guimarães, classificou
a Cescon como “clandestina”. “Vamos encaminhar a denúncia à nossa
assessoria jurídica na segunda-feira (hoje). Não existe no Brasil
pós-graduação a distância, apenas especialização e graduação”,
afirmou.

A possibilidade de se adotar tal modalidade no país está apenas em
estudo. Por enquanto, universidades de todas as regiões brasileiras
sofrem assédio de estudantes que nunca saíram do Brasil, mas
apresentam documentos de instituições portuguesas, espanholas,
cubanas, paraguaias e uruguaias para revalidação.

A UnB, por exemplo, rejeitou 25 pedidos em 2009. Só a Faculdade de
Educação da UnB recebeu 300 tentativas de convalidação de
pós-graduação em 2007. Todas acabaram negadas. Desde então, a
universidade brasiliense tornou o processo mais rígido. Os pedidos
estão limitados a 20 anuais por curso. Além das dissertações e das
teses, devem vir acompanhados de comprovantes da passagem do
estudante pelo país de onde saiu o certificado de conclusão de
mestrado ou doutorado. Podem ser passaportes, contratos de aluguel,
contas de luz ou de telefone e recibos.

Além das fraudes contra o ensino superior, a capital do país tem
sofrido a presença de escolas envolvidas em esquema de emissão de
certificados de conclusão de ensino médio sem validade. Há 11 dias, o
Correio vem publicando uma série de reportagens com denúncias de venda
e emissão desses documentos pelo Instituto Latino-Americano de Línguas
(Ilal).

Na última sexta-feira, três órgãos de fiscalização notificaram a
instituição por propaganda enganosa. A Delegacia de Defraudação e
Falsificação (DEF) abriu inquérito e aprofunda os indícios de
estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documentos.

#14282 De: Carlos Nascimento <carlos.eduardon@...>
Data: Ter, 17 de Nov de 2009 1:21 pm
Assunto: Re: José Serra vai à casa do dono da editora Abril
carlos.eduardon@...
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absurdo.

provavelmente estavam fechando o CP

2009/11/17 Antonio Morales <antonio_morales@...>

>
>
> José Serra vai à casa do dono da editora Abril
>
>
http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/11/serra-vai-casa-do-dono-da-editora-a\
bril.html
>
> O jornal O Estado de SP relatou que o Serra visitou a casa de um dos
> donos da Editora Abril, Roberto Civita.
>
> Os dois são amigos. *Um apóia o outro.*
>
> A população do Brasil *perde* com esta amizade.
>
> Aliás, será que a festinha foi realizada para comemorar as constantes
> compras SEM CONCORRÊNCIA de produtos da editora Abril?
>
> São compras que ajudam a editora Abril, ajuda com dinheiro e
> divulgação dos produtos da empresa.
>
> Não há concorrência, sequer escolhem o que há de melhor.
>
> O importante é o Serra mostrar que será sempre *serviçal* dos
> interesses econômicos e políticos dos donos da editora Abril
> (grande parte destes donos são sul-africanos).
>
> E as compras não param ...
>
> O Blog NaMaria News denuncia MAIS UMA compras ABSURDAS.
>
> "DIÁRIO OFICIAL- 1/setembro/2009
>
> Contrato: 15/0528/09/04- Empresa: Editora Abril S/A - Objeto:
> Aquisição pela FDE de 2.259 assinaturas da Revista RECREIO destinada
> as escolas e Diretorias de Ensino, sendo 01 exemplar por classe da 1ª
> série - CEI - Programa Ler e Escrever - Prazo: 486 dias - Data de
> Assinatura: 28/08/2009. - Valor: R$ 891.220,68"
>
>
> http://namarianews.blogspot.com/2009/10/pequena-atualizacao-das-compras.html
>
> Observe agora a *porcaria* que o Serra está comprando para as escolas
> só para ajudar os NEGÓCIOS dos donos da Abril (e atrapalhar a educação
> das crianças com maus exemplos e futilidades)
> Os temas da revista Recreio de Novembro de 2009:
>
> "Mário e Luigi vão parar dentro do Bowser"
>
> "Grátis um boneco CircoMix"
>
> "Tudo sobre os fantásmas de Scrooge, um filme cheio de sustos"
>
> Estas são as chamadas da capa.
>
> Como você pode observar são matérias NADA pedagógicas,
> que apenas falam de futilidades e de consumismo.
>
> Existem revistas infantis muito mais úteis e didáticas.
>
> Mas, o apoio político dos donos da editora Abril é mais importante
> para a sede de poder do Serra.
>
> Mesmo que as crianças sejam prejudicadas.
>
> --
> BLOG DO CHICÃO
> http://chicaodoispassos.blogspot.com/
>
>
>



--
Carlos Eduardo Nascimento

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14281 De: "Antonio Morales" <antonio_morales@...>
Data: Ter, 17 de Nov de 2009 12:51 pm
Assunto: José Serra vai à casa do dono da editora Abril
amecamargo
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José Serra vai à casa do dono da editora Abril
http://chicaodoispassos.blogspot.com/2009/11/serra-vai-casa-do-dono-da-editora-a\
bril.html

O jornal O Estado de SP relatou que o Serra visitou a casa de um dos
donos da Editora Abril, Roberto Civita.

Os dois são amigos. *Um apóia o outro.*

A população do Brasil *perde* com esta amizade.

Aliás, será que a festinha foi realizada para comemorar as constantes
compras SEM CONCORRÊNCIA de produtos da editora Abril?

São compras que ajudam a editora Abril, ajuda com dinheiro e
divulgação dos produtos da empresa.

Não há concorrência, sequer escolhem o que há de melhor.

O importante é o Serra mostrar que será sempre *serviçal* dos
interesses econômicos e políticos dos donos da editora Abril
(grande parte destes donos são sul-africanos).

E as compras não param ...

O Blog NaMaria News denuncia MAIS UMA compras ABSURDAS.

"DIÁRIO OFICIAL- 1/setembro/2009

Contrato: 15/0528/09/04- Empresa: Editora Abril S/A - Objeto:
Aquisição pela FDE de 2.259 assinaturas da Revista RECREIO destinada
as escolas e Diretorias de Ensino, sendo 01 exemplar por classe da 1ª
série - CEI - Programa Ler e Escrever - Prazo: 486 dias - Data de
Assinatura: 28/08/2009. - Valor: R$ 891.220,68"

http://namarianews.blogspot.com/2009/10/pequena-atualizacao-das-compras.html

Observe agora a *porcaria* que o Serra está comprando para as escolas
só para ajudar os NEGÓCIOS dos donos da Abril (e atrapalhar a educação
das crianças com maus exemplos e futilidades)
Os temas da revista Recreio de Novembro de 2009:

"Mário e Luigi vão parar dentro do Bowser"

"Grátis um boneco CircoMix"

"Tudo sobre os fantásmas de Scrooge, um filme cheio de sustos"

Estas são as chamadas da capa.

Como você pode observar são matérias NADA pedagógicas,
que apenas falam de futilidades e de consumismo.

Existem revistas infantis muito mais úteis e didáticas.

Mas, o apoio político dos donos da editora Abril é mais importante
para a sede de poder do Serra.

Mesmo que as crianças sejam prejudicadas.

--
BLOG DO CHICÃO
http://chicaodoispassos.blogspot.com/

#14280 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Ter, 17 de Nov de 2009 7:52 am
Assunto: A crueldade
o_filosofo_d...
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*Dia Mundial da Filosofia - 19 de novembro, assista na Just TV um Loucuras
Filosóficas especial sobre este dia: 19hs http://justtv.com.br Para começar
a refletir, eis aí abaixo!
*

*DA CRUELDADE*

http://ghiraldelli.pro.br

Foi descoberta água na Lua. Falta menos que um passo para a cura do câncer.
Essas duas notícias são esperadas há muitos anos. Como sempre vem fazendo,
principalmente a partir do século XVII, a ciência traz os milagres que, para
muitos, nunca sairiam do plano das utopias. Todavia, a ciência parece não
poder lidar com situações como esta: “cão cego abandonado na rua de São
Paulo pelo dono”. Pois aí entra a questão da crueldade, que parece não poder
ser equacionada pela ciência e, enfim, de nem mais ser tema da religião.

Por que o exemplo do cão e não da criança abandonada em lata de lixo ou de
pessoas que atacaram velhinhos que lhes deram de comer? Por que o exemplo do
cão e não dos jovens ricos que atearam fogo ao índio ou os que fizeram o
mesmo com a empregada doméstica? Por que o cão e não as muitas estudantes de
uma Uniban que são diariamente perseguidas por turbas nazistas?

Pego o exemplo do cão porque ele implica naquele tipo de crueldade que está
na raiz de todas as outras. É a crueldade que é praticada sem que exista
qualquer explicação ou, melhor dizendo, qualquer elemento que se possa
apontar, de modo complexo, de bom ou de ruim sobre o praticante. No caso da
mãe que joga o bebê no lixo, pode-se dizer que ela estava abalada
psicologicamente, sem rumo ou até mesmo drogada. No caso dos que atacaram os
velhinhos que os serviram, pode-se dizer que vieram ali para tal, eram de
fato bandidos profissionais. Quanto aos jovens que atacaram o índio e a
doméstica, pode-se afirmar que foram guiados por uma educação bárbara. No
caso de uma estudante perseguida, há mil e uma hipóteses sobre o
comportamento nazista. Agora, sobre o cão cego abandonado, não se pode dizer
nada, pois qual o incômodo de se ter a simples tarefa de colocar um prato de
resto de comida para um cão paradinho no lugar, todos os dias? Inúmeros
mendigos fazem isso todos os dias no centro de São Paulo.

A crueldade do abandono do cão cego é aquela na qual não há doutrina, não há
discussão teórica envolvida. Em todos os outros episódios, a nossa
condenação dos agressores é imediata. No entanto, sabemos bem, que ainda que
eles devam ser punidos pelo que fizeram, teremos de ouvir argumentos de
explicação que, enfim, poderão até servir para o advogado de defesa. Não é
errado pensar que em todos os casos, exceto o do cão, agressores e vítimas
estiveram em posições de confronto, como quem está em uma guerra. Pois, é
claro, podemos bem lançar mão de uma série de dados para dizer que, por
exemplo, um agressor viu em sua vítima alguém que ele aprendeu a odiar ou a
alguém que ele viu como uma ameaça ou alguma coisa em relação a qual ele
desenvolveu um tipo de amor-ódio. Agora, no caso do cão, tendo sido ele, até
ontem, um animal de estimação de uma pessoa de classe média e, uma vez cego,
é então descartado em favor da rua, nada há para se dizer. Neste caso, temos
aquele tipo de ação que somente a palavra “crueldade” associada à palavra
“covardia” podem descrever. Descrever, não explicar – nada aquém e nada
além.

Em todos os exemplos acima, exceto o do cão, há um “antes” e um “depois”, há
uma possível história a ser contada a respeito de como que o agressor se
tornou o algoz daquele tipo de pessoa que, então, veio a ser a sua vítima.
Ou seja, são exemplos que, de uma forma ou de outra, dão espaço para certa
teorização. Mas, no caso do cão, o que se pode contar de relevante? Qualquer
coisa que dissermos, não soará convincente. No caso do cão, parece que não
temos como sair do plano puramente descritivo – trata-se de crueldade, e
nada mais.

Essa crueldade que não é notada ou que é considerada secundária é a *crueldade
banal*. É aí que a filosofia tem de atuar.

É este tipo de crueldade que penetra os poros de uma sociedade já cruel para
vê-la se tornar ainda mais endurecida. Este tipo de ato cruel, que jamais é
condenado com veemência, uma vez que há conjunto significativo de vozes
achando que há “tantas outras maldades mais graves”, é o vírus que se
desenvolveu em uma sociedade que jamais irá cuidar de suas grandes maldades.

A filosofia pode falar e, enfim, fala mesmo, da estudante perseguida na
Uniban, da doméstica, dos velhinhos e do índio atacados. A filosofia pode
falar e, de fato, fala mesmo, de uma mãe que joga o bebê no lixo. Mas isso
também os não-filósofos falam. O que os não-filósofos não falam é sobre o
cachorro cego abandonado no meio da cidade de São Paulo por alguém que, até
meia hora antes, o tomava como animal de estimação. Todos os outros
agressores recebem alguma acusação de estarem infringindo o nosso *ethos*, e
talvez possam ser tomados como pessoas que estão sob estado patológico. O
dono do cão não! Ele volta para sua casa tranqüilo. Nenhum jornal o acusará
ou o entrevistará. Caso o faça, irá aparecer como um caso de “maldade”
tomada folcloricamente, um tipo de assunto para passar na TV mais ou menos
no horário conjunto da Sessão da Tarde.

Todos os casos de agressão, exceto o do cão, ocuparão lugares de destaque no
cinema, teatro, jornais e artigos filosóficos. O caso do cão abandonado,
não. No máximo irá para uma historieta infantil para apontar o “homem mau”
que, ao final, será castigado – pelo destino, não por nós. Apesar de Disney
ter cultivado esse romantismo hiper-tardio, este seu grande feito não calou
o suficiente em nós para que pudéssemos tomar a sério a crueldade desse
tipo. Essa é a crueldade pura, que se torna banal. É a crueldade que a
filosofia focaliza. Isto se por filosofia entendemos algo que vale a pena de
se fazer em um mundo como o nosso.

Quando largado na rua à sua própria sorte, um cão cego irá morrer no escuro,
com medo e com frio. Tremerá todo o seu corpo, será atropelado e, enfim,
quebrado. Vai ser mordido por ratos e virará uma carniça ambulante pelas
ruas de São Paulo. Mas poucas horas antes ele era tido, pelo seu dono, como
um companheiro. E ele *sabia* disso. Veio então a pior das traições. Ele não
tinha noção de que o seu dono era um monstro. Isso é bem pior que não saber
que seu marido é um monstro ou que seu pai ou filho é um monstro. Pois nós,
humanos, mesmo com dificuldades, aprendemos que os monstros existem e podem
estar na nossa cama! Todavia, um cão só sabe disso após ter sido abandonado.
A grande covardia é que se o dono aparecer, ele, cão, voltará ao dono, sem
qualquer tipo de acusação.  É exatamente este fato que faz com que o dono
seja um monstro. Sua crueldade é a crueldade da covardia. Ele conta com o
silêncio do cão. Ele, o agressor, conta não somente com a impunidade, ele
conta com o fato de não ter o que o faça se sentir culpado, uma vez que o
cão jamais o tomará com desaprovação.

No caso, a filosofia tem de intervir para levantar algo do senso comum, e
que às vezes fica amortecido: o grau de inocência de uma vítima, uma vez
ampliado, também faz crescer em muito o tamanho da punição merecida pelo
agressor. Não se trata de adotar o enunciado “olho por olho e dente por
dente”. Não, estou longe dessa regra pré-cristã. Pois não falei em tamanho
do dano para mensurar tamanho da punição. Apontei, sim, para o tamanho da
inocência da vítima. Para que essa crueldade que tende a ser banal ganhe o
rumo da *desbanalização*, a filosofia não precisa nada além de procurar no
próprio vocabulário do senso comum os elementos para trazer tudo que precisa
à tona. Afinal, somos conscientes de uma regra que diz o seguinte: quanto
mais inocente e sem defesa é a vítima, mais hedionda se torna a crueldade
contra ela.

A ciência não quer saber de males banais. A religião não quer mais saber de
nada. Que a filosofia não se acovarde diante do *mal banal*. Este é, sim, um
caso central para a sua intervenção.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo - siga aqui: http://twitter.com/ghiraldelli


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14279 De: Carlos Nascimento <carlos.eduardon@...>
Data: Ter, 17 de Nov de 2009 1:22 am
Assunto: leitura imperdível sobre Lula e caetano
carlos.eduardon@...
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Vale a pena ler!



  O Estado de S. Paulo-10 de novembro de 2009

*Tropicália, sob o signo de escorpião *

José Celso Martinez Corrêa



No mesmo dia em que Caetano fazia sua entrevista de capa, muito bela como
sempre, no Caderno 2 do Estadão, o Ministro Ecologista Juca Ferreira
publicava uma matéria na Folha na seção Debates. Um texto
extraordinariamente bem escrito em torno da cultura, como estratégia,
iniciada no 1º Governo de Lula ao nomear corajosa e muito sabiamente
Gilberto Gil como Ministro da Cultura e hoje consolidada na gestão atual do
Ministro Juca. Hoje temos pela primeira vez na nossa história um corpo
concreto de potencialização da cultura brazyleira: o Ministério da Cultura,
e isso seu atual Ministro soube muito bem fazer, um CQD em seu texto. *


*
Por outro lado, meu adorado Poeta Caetano, como sempre, me surpreendeu na
sua interpretação de Lula como analfabeto, de fala cafajeste, abrindo seu
voto para Marina Silva.

Nós temos muitas vezes interpretações até gêmeas, mas acho caetanamente
bonito nestes tempos de invenção da democracia brazyleira, que surjam
perspectivas opostas, mesmo dentro deste movimento que acredito que pulsa
mais forte que nunca no mundo todo, a Tropicália.

Percebi isso ao prefaciar a tradução em português crioulo = brazyleiro do
melhor livro, na minha perspectiva, claro, escrito sobre a Tropicália:
Brutality Garden, Jardim Brutalidade, de Chris Dunn, professor de literatura
Brazyleira, na Tulane University de New Orleans.

Acho, diferentemente de Caetano, que temos em Lula o primeiro presidente
antropófago brazyleiro, aliás Lula é nascido em Caetés, nas regiões onde foi
devorado por índios analfabetos o Bispo Sardinha que, segundo o poeta maior
da Tropicália, Oswald de Andrade, é a gênese da história do Brazil. Não é o
quadro de Pedro Américo com a 1ª Missa a imagem fundadora de nossa nação,
mas a da devoração que ninguém ainda conseguiu pintar.

Lula começou por surpreender a todos quando, passando por cima das pressões
da política cultural da esquerda ressentida, prometeica, nomeou o
Antropófago Gilberto Gil para Ministro da Cultura e Celso Amorim, que era
macaca de Emilinha Borba, para o Ministério das Relações Exteriores, Marina
Silva para o Meio Ambiente e tanta gente que tem conquistado vitórias,
avanços para o Brasil, pelo exercício de seu poder-phoder humano, mais que
humano.

Phoderes que têm de sambar pra driblar a máquina perversa oligárquica,
podre, do Estado brasileiro. Um estado oligárquico de fato, dentro de um
Estado Republicano ainda não conquistado para a "res pública". Tudo dentro
de um futebol democrático admirável de cintura. Lula não pára de
carnavalizar, de antropofagiar, pro País não parar de sambar, usando as
próprias oligarquias.

Lula tem phala e sabedoria carnavalesca nas artérias, tem dado entrevistas
maravilhosas, onde inverte, carnavaliza totalmente o senso comum do rebanho.
Por exemplo, quando convoca os jornalistas da Folha de S. Paulo a
desobedecer seus editores e ouvir, transmitindo ao vivo a phala do povo. A
interpretação da editoria é a do jornal e não a da liberdade do jornalista.
Aí , quando liberta o jornalista da submissão ao dono do jornal, é acusado
de ser contra a liberdade de expressão. Brilha Maquiavel, quando aceita
aliança com Judas, como Dionísios que casa-se com a própria responsável por
seu assassinato como Minotauro, Ariadne. É realmente um transformador do
Tabu em Totem e de uma eloquência amor-humor tão bela quanto a do próprio
Caetano.

Essa sabedoria filosófica reflete-se na revolução cultural internacional que
Lula criou com Celso Amorim e Gil, para a política internacional. O Brasil
inaugurou uma política de solidariedade internacional. Não aceita a lógica
da vendetta, da ameaça, da retaliação. Propõe o diálogo com todos os diabos,
santos, mortais, tendo certa ojeriza pelos filisteus como ele mesmo diz.
Adoro ouvir Lula falar, principalmente em direto com o público como num
teatro grego. É um de nossos maiores atores. Mais que alfabetizado na
batucada da vida, lula é um intérprete dela: a vida, o que é muito mais
importante que o letrismo. Quantos eruditos analfabetos não sabem ler os
fenômenos da escrita viva do mundo diante de seus olhos?

Eu abro meu voto para a linha que vem de Getúlio, de Brizola, de Lula:
Dilma, apesar de achar que está marcando em não enxergar, nisto se parece
com Caetano, a importância do Ministério da Cultura no Governo Lula. Nos 5
dedos da mão em que aponta suas metas, precisa saber mais das coisas, e
incluir o binômio Cultura & Educação.

Quanto a Marina Silva, quando eu soube que se diz criacionista, portanto
contra a descriminalização do aborto e da pesquisa com células-tronco, pobre
de mim, chumbado por um enfarte grave, sonhando com um coração novo, deixei
de sequer imaginar votar nela. Fiz até uma cena na Estrela Brasyleira a
Vagar - Cacilda!! para uma personagem, de uma atriz jovem contemporânea que
quer encarnar Cacilda Becker hoje, defendendo este programa tétrico.

Gosto muito de Dilma, como de Caetano, onde vou além do amar, vou pra
Adoração, a Santa adorada dos deuses. Acho a afetividade a categoria
política mais importante desta era de mudanças. "Amor Ordem e Progresso." O
amor guilhotinado de nossa bandeira virou um lema Carandiru: Ordem e
Progresso, só.

Apreendi no livro de Chris Dunn que os americanos chamam esta categoria de
laços homossociais, sem conotação direta com o homoerotismo, e sim com o
amor a coisas comuns a todos, como a sagração da natureza, a liberdade e a
paixão pelo amor energia, santíssima eletricidade. Sinto que nessas duas
pessoas de que gosto muito, Caetano e Dilma, as fichas da importância
cultural estratégica, concreta, da Arte e da Cultura, do governo Lula, ainda
não caíram.

A própria pessoa de Lula é culta, apesar de não gostar, ainda, de ler. Acho
que quando tiver férias da Presidência vai dedicar-se a estudar e apreender
mais do que já sabe em muitas línguas. Até hoje ele não pisou no Oficina.
Desejo muito ter este maravilhoso ator vendo nossos espetáculos. Lula chega
à hierarquia máxima do teatro, a que corresponde ao papa no catolicismo: o
palhaço. Tem a extrema sabedoria de saber rir de si mesmo. Lula é um
escândalo permanente para a mente moralista do rebanho. Um cultivador da
vida, muito sabido, esperto. Não é à toa que Obama o considera o político
mais popular do mundo.

Caetano vai de Marina, eu vou de Dilma. Sei que como Lula ela também sente a
poesia de Caetano, como todos nós, pois vem tocada pelo valor da criação
divina dos brazyleiros. Essa "estasia", Amor-Humor, na Arte, que resulta em
sabedoria de viver do brasileiro: Vida de Artista. Não há melhor coisa que
exista!

Lula faz política culta e com arte. Sabe que a cultura de sobrevivência do
povo brasileiro não é super, é infra estrutura. Caetano sabe disso, é uma
imensa raiz antenada no rizoma da cultura atual brazyleira renascente de
novo, dentro de nós todos mestiços brazyleiros. Fico grato a Caetano ter me
proporcionado expor assim tudo que eu sinto do que estamos vivendo aqui
agora no Brasil, que hoje é um país de poesia de exportação como sonhava
Oswald de Andrade, que no Pau Brasil, o livro mais sofisticado, sem igual
brazyleiro canta:



"Vício na fala
Pra dizerem milho dizem mio
Pra melhor, dizem mió
Para telha, dizem teia
Para telhado, dizem teiado
E vão fazendo telhado"


SamPã, 6 de novembro, sob o signo de escorpião, sexo da cabeça aos pés,
minha Lua de Ariano, evoéros!


--
Carlos Eduardo Nascimento

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[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14278 De: Carlos Nascimento <carlos.eduardon@...>
Data: Seg, 16 de Nov de 2009 8:26 pm
Assunto: Cobrar pelo conteúdo na web não vai vingar, diz especialista
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concordo com o autor

--
Carlos Eduardo Nascimento

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Cobrar pelo conteúdo na web não vai vingar, diz especialista
16/11/09




Desde o surgimento dos primeiros portais de notícia na internet, a
cobrança ou não pelo conteúdo disponibilizado sempre gerou polêmica.
Ao longo do tempo, os internautas se acostumaram com a disponibilidade
de acesso a serviços gratuitos, mas o cenário pode mudar em breve.
(Participe da enquete sobre o tema)

Nesta semana, o presidente da News Corporation, Rupert Murdoch,
anunciou que pretende bloquear o conteúdo de seus jornais, entre eles
o Wall Street Journal, dos resultados de buscas do Google.  Ele
considera essa prática "parasitária", pois o Google obtém receita sem
arcar com os custos.

O Brasil se inclui no debate. Grandes veículos de mídia como os grupos
Estado, Folha e O Globo divulgaram que vão aderir à Declaração de
Hamburgo, que trata do reconhecimento dos direitos de propriedade
intelectual em textos jornalísticos produzidos em sites. Inclusive, a
Folha e o Estado disponibilizaram na web seus jornais na integra em
versão digital. Inicialmente, o conteúdo era gratuito, mas agora quem
quiser acessá-lo terá que pagar por isso.

Roberto Civita, presidente do conselho de administração e diretor
editorial do Grupo Abril, também saiu em defesa da cobrança pelo
conteúdo jornalístico na internet. “Se conseguiram fazer com que as
pessoas paguem por água engarrafada, porque nós não vamos conseguir
que paguem por nosso conteúdo online?”, afirmou Civita em evento da
Associação Nacional de Editores de Revistas.

Entretanto, a divergência é ponto a ser considerado. Para a consultora
de mídia digital e professora de jornalismo da PUC, Pollyana Ferrari,
esse tipo de serviço deve ser gratuito. “A decisão vai totalmente
contra a razão da internet. Isso não vai dar certo, o público não vai
querer gastar dinheiro com o conteúdo disponível atualmente na web”.

Além dos motivos financeiros, os conglomerados de mídia alegam que
jornalismo de qualidade custa caro e que a publicidade não é fonte de
renda suficiente para manter uma boa equipe de profissionais. Contudo,
Pollyana afirma que há outras soluções para a crise: “Eles decidiram
tomar a decisão mais fácil. Pegaram o conteúdo impresso, jogaram na
internet e querem cobrar por isso. Mas, o que eles deveriam fazer é
investir em conteúdos exclusivos para web e celular. O público quer
novidade.”

Uma pesquisa realizada pela Boston Consulting Group revelou que 48%
dos internautas norte-americanos consultados pagariam por notícias
on-line. A porcentagem chega a 60% em países da Europa Ocidental.

Por Suzana Leite

#14277 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Seg, 16 de Nov de 2009 7:46 am
Assunto: Dia Mundial da Filosofia - sabe quando? Viu aqui a novidade?
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Dia 19 às 19 horas não perca o especial do Loucuras Filosóficas na Just TV:
http://justtv.com.br Tema: PARA QUE SERVE A FILOSOFIA. É o Dia Mundial da
Filosofia, sabia? Participe de nosso programa! É ao vivo. Você entra no chat
com a Fran e faz sua pergunta! Ou você manda seu vídeo.
Paulo Ghiraldelli Jr.
Ah, não esqueça de entrar lá agora, no site da Just TV e votar no nosso
programa, OK?

--
Blog: http://ghiraldelli.pro.br
Twitter: http://twitter.com/ghiraldelli
Rede: http://ghiraldelli.ning.com
Portal: http://filosofia.pro.br


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14276 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Dom, 15 de Nov de 2009 10:32 pm
Assunto: Faça algo positivo para melhorar a TV
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Entre no http://justtv.com.br e vote no Loucuras Filosóficas. Caso não
conheça, aproveite para conhecer e começar a assistir e participar!
Você vota e garante melhor conteúdo na TV, e aí não tem que só ficar
reclamando das porcarias da Globo e similares. Não é bom?

Paulo Ghiraldelli Jr e Francielle Maria Chies


[As partes desta mensagem que não continham texto foram removidas]

#14275 De: Paulo Ghiraldelli Jr <pgjr23@...>
Data: Dom, 15 de Nov de 2009 8:12 pm
Assunto: A crueldade diante de seus olhos
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*A crueldade diante de seus olhos*

Foi descoberta água na Lua. Falta menos que um passo para a cura do câncer.
Essas duas notícias são esperadas há muitos anos. Como sempre vem fazendo,
principalmente a partir do século XVII, a ciência traz os milagres que, para
muitos, nunca sairiam do plano das utopias. Todavia, o que a ciência parece
não poder lidar e, quando diz que pode, temos medo de tentar as soluções que
proporia, diz respeito a notícias como esta: “cão cego abandonado na rua de
São Paulo pelo dono”. É a questão da crueldade, geralmente associada à
covardia, que parece não poder ser equacionada pela ciência e, pior, não ser
mais tema da religião.

Por que o exemplo do cão e não da criança abandonada em lata de lixo ou de
pessoas que atacaram velhinhos que lhes deram de comer? Por que o exemplo do
cão e não dos jovens ricos que atearam fogo ao índio ou os que fizeram o
mesmo com a empregada doméstica? Por que o cão e não as muitas Geisas que
são diariamente perseguidas por turbas nazistas?

Pego o exemplo do cão porque ele implica naquilo tipo de crueldade que está
na raiz de todas as outras. É a crueldade que é praticada sem que exista
qualquer explicação ou, melhor dizendo, qualquer elemento que se possa dizer
de bom ou de ruim sobre o praticante. No caso da mãe que joga o bebê no
lixo, pode-se dizer que ela estava abalada psicologicamente, sem rumo ou até
mesmo drogada. No caso dos que atacaram os velhinhos que os serviram,
pode-se dizer que vieram ali para tal, eram de fato bandidos profissionais.
No caso dos jovens que atacaram o índio e a doméstica pode-se afirmar que
foram guiados por uma educação bárbara. No caso das Geisas há mil e uma
hipóteses sobre o comportamento nazista. Agora, sobre o cão cego abandonado,
não se pode dizer nada, pois qual o incômodo pode trazer a alguém colocar um
prato de resto de comida para um cão paradinho no lugar, todos os dias?
Inúmeros mendigos fazem isso todos os dias no centro de São Paulo.

A crueldade do abandono do cão cego é aquela na qual não há doutrina, não há
discussão envolvida. Em todos os outros episódios, a nossa condenação dos
agressores é imediata. No entanto, sabemos bem, que ainda que eles devam ser
punidos pelo que fizeram, teremos de ouvir argumentos de explicação que,
enfim, poderão até servir para o advogado de defesa. Não é errado pensar que
em todos os casos, exceto o do cão, agressores e vítimas estiveram em
posições de confronto, como quem está em uma guerra. Pois, é claro, podemos
bem lançar mão de uma série de dados para dizer que, por exemplo, um
agressor da Geisa viu nela uma figura que ele aprendeu a odiar ou a
desenvolver mesmo um tipo de amor-ódio. Agora, no caso do cão, tendo sido
ele, até ontem, um animal de estimação e, uma vez cego, é descartado em
favor da rua, nada há para se dizer. Neste caso, temos aquele tipo de ação
que somente a palavra “crueldade” associada à palavra “covardia” podem
descrever. Descrever, não explicar - nada aquém e nada além.

Essa crueldade que não é notada ou que é considerada secundária é a *crueldade
banal*. É aí que a filosofia tem de atuar.  Pois é este tipo de crueldade
que penetra os poros de uma sociedade cruel e que se tornará mais cruel.
Este tipo de ato cruel, que jamais é condenado com veemência, uma vez que há
uma sociedade inteira achando que há “tantas outras maldades mais graves”, é
o vírus de uma sociedade que jamais irá cuidar de suas grandes maldades. A
filosofia pode falar e, enfim, fala mesmo, da Geisa, da doméstica, dos
velhinhos e do índio atacados. A filosofia pode fazer e, de fato, fala
mesmo, de uma mãe que joga o bebê no lixo. Mas isso também os não filósofos
falam. O que os não filósofos não falam é sobre o cachorro cego colocado no
meio da cidade de São Paulo por alguém que, até meia hora antes, o tomava
como animal de estimação. Todos os outros agressores recebem alguma acusação
de estarem infringindo o nosso *ethos*, e talvez possam ser tomados como
quem está sob estado patológico. O dono do cão não! Ele volta para sua casa
tranqüilo. Nenhum jornal o acusará ou o entrevistará. Caso o faça, irá
aparecer como um caso de “maldade” tomada folcloricamente.

Todos os casos de agressão, exceto o do cão, ocuparão lugares no cinema,
teatro, jornais e artigos filosóficos. O caso do cão abandonado, não. No
máximo irá para uma historieta infantil para apontar o “homem mau” que, ao
final, será castigado – pelo destino, não por nós. Apesar de Disney ter
cultivado esse “pós-pós” romantismo em nós, este seu grande feito não calou
o suficiente em nós para que pudéssemos tomar a sério a crueldade desse
tipo. Essa é a crueldade pura, que se torna banal. É a crueldade que a
filosofia focaliza. Isto se por filosofia entendemos algo que vale a pena de
se fazer em um mundo como o nosso.

Quando solto na rua, um cão cego irá morrer no escuro, com medo e com frio.
Tremerá todo o seu corpo, será atropelado e, enfim, quebrado. Vai ser
mordido por ratos e virará uma carniça ambulante pelas ruas de São Paulo.
Mas poucas horas antes ele era tido, pelo seu dono, como um companheiro. E
ele *sabia* disso. Veio então a pior das traições. Ele não tinha noção de
que o seu dono era um monstro. Isso é bem pior que não saber que seu marido
é um monstro ou que seu pai ou filho é um monstro. Pois nós, humanos, mesmo
com dificuldades, aprendemos que os monstros existem e podem estar na nossa
cama! Todavia, um cão só sabe disso após ter sido abandonado. A grande
covardia é que se o dono aparecer, ele, cão, voltará ao dono, sem qualquer
tipo de acusação.  É exatamente este fato que faz com que o dono seja um
monstro. Sua crueldade é a crueldade da covardia. Ele conta com o silêncio
do cão. Ele conta com o fato de não poder se sentir culpado, uma vez que o
cão jamais o tomará com desaprovação.

No caso, a filosofia tem de intervir para levantar algo do senso comum, e
que às vezes fica amortecido: o grau de inocência de uma vítima, uma vez
ampliado, também faz crescer em muito o tamanho da punição merecida pelo
agressor. Não se trata de “olho por olho e dente por dente”. Não, estou
longe disso. Pois não falei em tamanho do dano para mensurar tamanho da
punição, falei em tamanho da inocência da vítima. Para que essa crueldade
que tende a ser banal ganhe o rumo da *desbanalização*, a filosofia não
precisa nada além de procurar no próprio senso comum os elementos para
trazer tudo que precisa à tona. Somos conscientes dessa regra: quanto mais
inocente e sem defesa é a vítima, mais hedionda se torna a crueldade contra
ela.

A ciência não quer saber de males banais. A religião não quer mais saber de
nada. Que a filosofia não se acovarde diante do mal banal. É, sim, caso
dela.

Paulo Ghiraldelli Jr., filósofo






--
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#14274 De: "Antonio Morales" <antonio_morales@...>
Data: Sex, 13 de Nov de 2009 2:12 pm
Assunto: O nazismo na universidade
amecamargo
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Bom dia Bauru
13/11/2009

O nazismo na universidade

Não se trata de nenhum plano educacional de Hitler para os jovens
alemães. Trata-se, como vocês já devem ter intuído - de tão mal que
pegou essa história -, da Uniban e da estudante do vestido.

Quanto mais a diretoria da universidade tenta consertar a burrice que
foi expulsar a menina - ou seja, condenar a vítima -, mais a coisa
fede e prejudica a própria universidade.

Na terça-feira, os jornais exibiram um dos diretores da instituição
dizendo que "se a Uniban voltou atrás, não significa que a Uniban
errou, só significa que mudou de postura".

Mas significa sim. As duas coisas. A Uniban errou e (o pior!) "mudou
de postura" por estar se sentindo ameaçada pela péssima repercussão
que o episódio provocou no Brasil todo.

E mudou só por isso, pelo número de alunos e pela soma homérica que
ela, inevitavelmente, já vai perder.

Segunda-feira, no programa CQC, depois de uma matéria em que um dos
apresentadores foi preso em Assis por causa de uma lei contra a
vadiagem - tão estúpida quanto a atitude da malta anti-vestido
mostrada na TV -, o Marcelo Tass disse que aquilo era coisa para ser
ensinada na faculdade de nazismo da Uniban. Depois desta - e de todas
as charges e ridicularizações dos jornais do país inteiro -, se eu
fosse prestar vestibular, a última instituição que eu escolheria seria
a Uniban.

Na verdade, eu jamais escolheria a Uniban, mesmo antes de tudo isso
acontecer.

A farra que se tornou o processo de abertura de instituições de ensino
superior no Brasil só poderia dar nisso. Tem faculdade que parece
clube, faculdade que parece circo, arena de rodeio... menos faculdade.

Os próprios censores de araque que são personagens no vídeo da Uniban
provam isso. - Vamo (sic) estuprá!!!, diziam eles. Você tem alguma
dúvida de que isso seja o retrato da baixa escolaridade de uma
instituição? Dá pra ser outra coisa além disso?

Como disse meu chefe, foi uma daquelas atitudes dos machistas mais
chauvinistas, aqueles que pensam que a mulher só existe para servir ao
homem e que ela não pode ter prazer, não pode ter desejo. A maior
expressão de vitória e de castigo que essa súcia poderia ter concebido
contra a estudante do vestido seria cortar-lhe o hímen, como fazem
ainda os mais atrasados dos mais atrasados povos do oriente médio.

O pior é que muitos estudantes da Uniban apareceram na TV dizendo que
ela mereceu, que ela provocou aquilo. É uma boa desculpa para um
estuprador:

- Ô Dotor, ela tava co'essas pernas de fora aí... toda gostosa... se
achando... eu estuprei! Ela tava querendo isso! Eu só dei o que ela
quis!  A culpa foi dela.

E isso é mais comum do que parece. Ou do que deveria ser.

Mas eu tenho que concordar com os estudantes que disseram para os
repórteres que o episódio estava denegrindo a imagem da instituição. É
claro que está. E são eles mesmos que denigrem. Os estudantes e a
diretoria "queimaram completamente o filme" da casa. Quem vai querer
contratar um ginecologista formado lá?

No século 19, Oscar Wilde foi julgado e condenado por depravação. No
entanto, sua defesa no julgamento, feita por ele mesmo, é digna de uma
obra prima sobre a liberdade e a autenticidade do ser ante a
hipocrisia e a coerção das instituições.

Após sair da prisão, completamente falido, Wilde morreu num hotel
miserável em total esquecimento. Décadas depois, sua obra foi
redescoberta pelos próprios ingleses, e ele é considerado um gênio, um
dos orgulhos do Reino Unido, reconhecido até pela rainha Elizabeth.

Isso nos faz refletir sobre como o preconceito e a arrogância são,
cedo ou tarde, condenados pela História.

Luís Paulo Domingues é jornalista e escritor. E-mail:
luip88@...

#14273 De: "Antonio Morales" <antonio_morales@...>
Data: Sex, 13 de Nov de 2009 12:41 am
Assunto: Garota da Uniban, educação, e barbárie
amecamargo
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Garota da Uniban, educação, e barbárie

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antonio morales

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