Eduardo, tudo ali é muito bonito e muito bem arrumado, no seu artigo, e,
quanto ao diagnóstico, é o que eu também faço, talvez com pouca diferença.
Agora, uma coisa que não consigo entender é a sua birra contra o fato do
ensino superior ser gratuito, como se fosse o caso de resolver o problema
colocando mensalidade. Por todo cálculo honesto que conheço, qualquer
cobrança que se faça, não melhora em nada o problema que você aponta. Então,
quase como sempre, você, na direita, faz um pouco o que nós, na esquerda,
estamos cansados de fazer: para diagnosticar, usamos da prática científica,
mas, logo nos esquecemos dela, e ficamos com nossa ideologia, ao falar em
soluções. Ora, pelo que vejo, a sua tara por cobrar mensalidade é a tara da
direita mesmo, pois não há um argumento razoável para convencimento. O que
você defende é igual à tara da esquerda, com sinal trocado. Tarado por
tarado, sou mais eu, sou mais a esquerda. Ao menos, neste ponto, ainda que o
crivo seja ideológico, ele não está sozinho, pois a ponta do lápis mostra
que se você cobrasse mensalidade de aluno da escola pública superior, esse
dinheiro não pagaria os custos do ensino. Por tudo que li até hoje, e pelo
que vivi, aconteceria aqui o que aconteceu na Nova Zelândia, quando lá
trabalhei: o governo tirou a gratuidade da universidade pública e, depois,
teve de colocar novamente o dinheiro estatal naquilo, pois logo nos
primeiros meses a mensalidade não cobriu os custos. Tentou-se uma
racionalização, e o ensino piorou. Quando, então, o governo decidiu que
colocaria dinheiro, apesar da mensalidade, fez-se o cálculo e o governo
teria de colocar mais dinheiro do que no tempo que não havia a mensalidade.
Qual razão: durante um ano de vigência da mensalidade a universidade ficou
sucateada, para recuperá-la, o preço do dinheiro estatal posto ali teve de
dobrar.
Esse é o raciocínio da direita que, no Brasil, se auto-proclam liberal.
Liberal? Tenho minhas dúvidas que ser liberal, em educação, deva ser,
sempre, ter uma única idéia: cobrar mensalidade. Ser liberal deveria dar
direito a fazer mais coisa. Mas, infelizmente, não vejo isso. E no seu
artigo, novamente, não vi.
Paulo Ghiraldelli Jr.
2009/7/20 Eduardo Chaves <eduardo@...>
>
>
> Compartilho com vocês artigo que escrevi recentemente e que acaba de ser
> publicado como encarte da Revista Banco de Idéias do Instituto Liberal:
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Paulo Ghiraldelli Jr.
O Filósofo da Cidade de São Paulo
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